O AXIOMA DA ONISCIÊNCIA DIVINA
O episódio da Queda já fazia parte da consciência de Deus antes de acontecer no “chronos”.
Deus sabia que Adão e Eva escolheriam comer o fruto proibido, influenciados pela serpente.
Afirmar que Deus não estava consciente da Queda implicaria eu afirmar que Deus não é onisciente.
Afirmar que Deus não possuía conhecimento acerca da escolha adâmica consiste em dizer que Deus foi “pego de surpresa”. Logo, implicaria em dizer que Jesus foi uma espécie de “plano B”, isto é: não era para o homem ter passado pela Queda; portanto, não seria necessário o sacrifício de animais, pelo simples motivo de não existir pecado, então não existiria expiação dos pecados; finalmente, não era para o Filho ter se encarnado e se sacrificado em prol da expiação definitiva.
As Escrituras relatam claramente que o Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo e manifestado na História (cf. 1 Pedro 1:18-20).
Seria este raciocínio um axioma se for levado em consideração o empirismo, mas não a revelação salvífica (âmbito teológico) tampouco a observação atenta do cosmos (âmbito filosófico). De todo modo, considera-se um axioma a afirmação “Deus é onisciente, portanto o pecado de Adão e Eva fazia parte do Plano Original”.
Ambos “comeram” o fruto (do hebraico אָכַל= ʼâkal [aw-kal'], cujo significado é comer, devorar, queimar, alimentar), sendo que este termo em hebraico consta em Gênesis 3:6 tanto para o pecado de Eva quanto para o de Adão, denotando que os dos cometeram o mesmo pecado.
Ademais, a Bíblia demonstra que Deus possui o controle sobre o curso da História (Dn 2:31-47; Dn 7:1-28; Pv 16:33). Portanto, considerar que a Queda não estava prevista por Deus significa: 1) Considerar a Queda como evento fabuloso, alheio à História; 2) Admitir que a História é regida por si só, como a Teoria do Relojoeiro, na qual o Criador lega a sua criação à sua própria funcionalidade.
Sendo assim, a Queda já estava inclusa no mesmo Plano Original que abarca a revelação a Israel, os profetas, a encarnação, a fundação da Igreja e os eventos escatológicos, os quais ainda se cumprirão plenamente.
Enfim, até que ponto a teoria dos mundos possíveis justificaria a teodiceia sem chegar a uma suposta relativização moral? Pois se a Queda fazia parte do Plano Original, há de se observar os eventos não-benignos em sua totalidade, conforme socialmente classificados (e possivelmente também geologicamente), todavia com a devida coerência em não relativizar a moralidade ou a prática virtuosa (dada no pensamento aristotélico, assim como nas Escrituras).
A “Fides quae”, que abarca a teodiceia decorrente da queda adâmica, pode ser alvo mesmo da fé depositada tão somente se esta “Fides qua” de fato for impulsionada pela Graça Irresistível (conforme dissertação calvinista) que leva à compreensão da economia trinitária – e, portanto, sua natural ação histórica – que resulta no depósito de confiança na Trindade Imanente.
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