O CONTROLE DE DEUS SOBRE A HISTÓRIA

Charles Haddon Spurgeon é chamado de “O Príncipe dos Pregadores”. Esses dias eu li uma curiosidade interessante sobre o presbítero inglês: “Uma mulher foi convertida lendo uma simples página de um sermão de Spurgeon que ela encontrou enrolada ao redor da manteiga que ela tinha comprado”.

Eu, particularmente, não acredito em coincidências. Acredito que Deus está no controle de absolutamente tudo. É aquele ditado: “Não cai uma folha da árvore sem a permissão de Deus”.

O teólogo Martyn Lloyd-Jones afirma: “Toda a História está nas mãos do Senhor. Tudo o que acontece neste mundo está sob seu controle, sem exceção”.

A Bíblia Sagrada ratifica essa verdade em inúmeras passagens. Primeiro, vamos ao livro de Gênesis. O Senhor concedeu a José uma promessa através de dois sonhos: “Estávamos amarrando os feixes de trigo no campo, quando o meu feixe se levantou e ficou em pé, e os seus feixes se ajuntaram ao redor do meu e se curvaram diante dele” (Gn 37:7), relatou José o primeiro sonho. “Depois teve outro sonho e o contou aos seus irmãos: ‘Tive outro sonho, e desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante de mim’” (Gn 37:9). Em suma, Deus prometeu a José que ele viria a ter um papel de grande autoridade. Só que não foi moleza: entre a promessa e o cumprimento dela, lá se foi mais de uma década! Nessa “brincadeira” toda, José foi alvo de uma tentativa de assassinato por parte de seus próprios irmãos, depois foi vendido como escravo, preso injustamente, esquecido por um amigo a quem um dia estendeu a mão, até que, enfim, a promessa se cumpriu e ele se tornou governador do Egito, a maior potência política do planeta Terra naquela época - equivalente aos Estados Unidos hoje.

Você pode pensar: “Nossa, será que Deus se esqueceu de José em meio a esse processo?” O próprio José responde: não. Na verdade, quando José estava sendo vendido como escravo para o Egito, ali a mão de Deus já estava se movendo ao seu favor. Olha o que disse José aos seus irmãos, quando ele já estava sentado no trono:


“Portanto, foi Deus quem me mandou para cá, e não vocês! E foi ele quem me fez conselheiro do faraó, administrador de todo o seu palácio e governador de todo o Egito.”

(Gênesis 45:8)


Belo, não? José enxergou aquele “mal” (na ótica humana) de ser vendido como escravo como, na verdade, um “bem”. Lembro-me daquela canção da Bruna Karla: “O mal que vem sobre mim tu transformas para o meu bem”.

Outra evidência bíblica desse absoluto controle divino sobre o curso histórico é o sonho de Nabucodonosor, que foi revelado a Daniel e depois interpretado pelo mesmo.


“O senhor teve uma visão na qual viu uma estátua enorme, de pé, bem na sua frente. A estátua era brilhante, mas metia medo. A cabeça era de ouro puro, o peito e os braços eram de prata, a barriga e os quadris eram de bronze, as pernas eram de ferro, e os pés eram metade de ferro e metade de barro. Enquanto o senhor estava olhando, uma pedra se soltou de uma montanha, sem que ninguém a tivesse empurrado. A pedra caiu em cima dos pés da estátua e os despedaçou. Imediatamente, o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro viraram pó, como o pó que se vê no verão quando se bate o trigo para separá-lo da palha. O vento levou tudo embora, sem deixar nenhum sinal. Mas a pedra cresceu e se tornou uma grande montanha, que cobriu o mundo inteiro.”

(Daniel 2:31-35)


Sob essa perspectiva o sonho da estátua teria o seguinte significado:


– Cabeça de ouro: Império Babilônico, de Nabucodonosor (durou de 1792 a.C. até 1750 a.C.);

– Peito e braços de prata: Império Medo-Persa, de Ciro (que durou de 559 a.C. a 331 a.C.);

– Ventre e coxas de bronze: Império Grego, de Alexandre o Grande (que durou de entre 336 a.C. e 323 a.C.);

– Pernas de ferro e pés de ferro/argila: Império Romano (de durou de 27 a.C. a 476 d.C.);

– A “Grande Pedra”: referência ao próprio Jesus Cristo, chamado de “pedra angular” (Atos 4:11), que veio para estabelecer o Reino de Deus, encarnando-se nos dias em que Roma ainda dominava boa parte do planeta.


Em suma, essa visão da estátua demonstra claramente que Deus, que vive no “kairós” (momento oportuno, tempo certo/supremo) possui absoluto controle sobre o “chronos” (tempo dos homens, tempo mensurado pelo relógio e pelo calendário), pois já possuía ciência dos eventos históricos antes mesmo que eles acontecessem. Por esse motivo, a Palavra declara que Ele é o Alfa e o Ômega (primeira e última letras do alfabeto grego, respectivamente), o início e o fim. Ele sabe o que vai acontecer até o último dia de existência dessa realidade terrena, pois Ele mesmo planejou tudo. Por isso é que o evangelista Billy Graham afirmou: “Eu li a última página da Bíblia; tudo vai acabar bem”.

Ainda sobre essa questão do “kairós” e “chronos”, momento oportuno e dessa janela que se abre em dados momentos entre Céu e Terra. Jesus falou pra Natanael: “Te vi debaixo da figueira”. Leiamos por completo:


“Disse-lhe Natanael: De onde me conheces tu?

Jesus respondeu, e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, te vi eu, estando tu debaixo da figueira.

Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel.”

(João 1:48-49)


Ora, mas como assim Jesus viu Natanael debaixo da figueira? E por que essa palavra foi tão impactante pra Natanael a ponto daquele israelita reconhecer Jesus como o Filho de Deus?

O site Teologar explica:


“Natanael ficou surpreso com a Palavra de Jesus, porque desta forma Cristo deixou claro que seu propósito em salvar Natanael já estava determinado antes mesmo de Filipe o chamar.

Ao nascimento de Cristo, Herodes era governador da Judéia e ao receber a notícia do nascimento do Messias mandou matar todas as crianças de 2 anos para baixo.

Então se considerarmos que Natanael tivesse a mesma idade de Jesus, isso o leva ao cenário destas matanças realizada por Herodes, segundo relatos históricos essa é a historia de Natanael.

Quando começaram os assassinatos, a mãe de Natanael temeu que o seu filho fosse morto pelos soldados, e então ela escondeu o bebê debaixo de uma figueira específica, e enquanto ele estava lá, sua mãe orava a Deus pedindo proteção e para que aquela criança vivesse para ver o Messias.

Em todas as buscas dos soldados, o menino estava envolto a folhas da figueira. Quando Natanael completou 15 anos de idade sua mãe lhe contou como lhe escondera, e somente ele e sua mãe sabiam desta história.

Portanto, quando Natanael pergunta para Jesus de onde Ele o conhecia e Jesus revela seu maior segredo ao dizer que o viu debaixo da figueira, Natanael se vê diante daquele ao qual sua mãe orou para que pudesse conhecer.”


Em suma, Jesus estava dizendo pra Natanael que o viu ainda bebê, e até antes disso, pois Ele formou-o no ventre materno. E, na hora certa (momento oportuno), Deus chamou-o para si, no mesmo “modus operandi” de quando chamou Moisés, tendo sempre o guiado desde quando ele era bebê e estava naquele cesto de junco sendo levado pelas correntezas do rio, até quando foi achado pela filha do faraó do Egito (enquanto ela se banhava no rio, na hora exata em que o cesto com o pequeno Moisés estava passando... coincidência ou “Jesuscidência”?), cuidado pela sua própria mãe biológica no palácio (que foi contratada para ser a ama), e, na hora certa, Deus apareceu por meio daquela sarça ardente e convocou Moisés para cumprir seu propósito (designado desde antes de Moisés sequer sonhar em existir) de ser o líder que atuaria no processo de libertação do povo hebreu do jugo egípcio e o levaria rumo à Terra Prometida.

Deus já tem nosso destino traçado antes do encontro dos espermatozóides com os óvulos. Diz a Bíblia:


“Antes de formá-lo no ventre eu o escolhi; antes de você nascer, eu o separei e o designei profeta às nações.”

(Jeremias 1:5)


No episódio 8 da primeira temporada da série “The Chosen”, é retratado o encontro de Jesus com a mulher samaritana. Cristo estar lá, naquele poço, bem na hora em que a mulher foi retirar água, foi uma grande coincidência ou, como diz um amigo, uma “Jesuscidência”?

Há uma fala marcante de Cristo para a mulher samaritana nesse episódio:


“Eu vim a Samaria só pra encontrar você. Você acha que foi um acidente eu estar aqui no meio do dia?”


Nada é por acaso. Ainda mais quando Deus chama um filho ou uma filha para Si.

Ainda sobre essa questão da soberania divina, o pastor e teólogo John Piper disserta:


“Há uma grande citação de (Charles) Spurgeon sobre ciscos de poeira. Você pode nem saber o que é um cisco de poeira, mas quando eu me levanto de manhã no meu quarto, tem uma janela ao lado da cama aqui, e um raio de luz estará brilhando por ela, em certas épocas do ano quando me levanto. Agora, quando eu olho através da escuridão, eu não vejo nada, mas quando eu olho através do raio eu vejo a poeira no quarto. (...) E Spurgeon diz que cada uma dessas partículas está mantendo sua posição e movimentando-se pelo ar pela ordenação de Deus.

Agora, a razão porque eu acredito nisso é porque a Bíblia diz: ‘O dado é lançado na mesa, e toda decisão vem do Senhor’ (Provérbios 16:33). (...) Por que ele escolheria ‘o dado (ou a sorte) é lançado na mesa’? É porque ele está tentando pensar na coisa mais aleatória que ele puder. E ele diz aquilo. E tal aleatoriedade não é aleatória para Deus. Deus não paga o mínimo imposto para manter cada partícula subnuclear em seu lugar. (...) Tudo o que há no meio da molécula em movimento - e os elétrons -, Ele os mantém em órbita, assim como Ele mantém os planetas em órbita. Então, o macro-mundo e o micro-mundo são direcionados por Deus.”


Deus possui absoluto controle sobre tudo, das pequenas (a rota de um cisco de poeira no ar, conforme citado por Spurgeon) às grandes coisas (o curso da História, conforme denota a visão da estátua). Jesus demonstra esse controle quando orientou aos seus discípulos que eles fossem em determinado local pois ali encontrariam um jumentinho e, exatamente como havia dito, de fato encontraram.


“Quando se aproximavam de Jerusalém, de Betfagé e Betânia, perto do monte das Oliveiras, enviou dois dos discípulos à frente. ‘Vão àquela aldeia além e logo à entrada encontrarão uma cria de jumento amarrada, que ninguém montou ainda. Soltem-na e tragam-na. Se alguém vos perguntar: ‘Porque estão a fazer isso?’, respondam, ‘O Senhor precisa dela e em breve a devolverá’.’

Os dois homens foram e encontraram a cria de jumento na rua, amarrada do lado de fora de uma casa. E soltaram-no. Algumas pessoas que ali se encontravam perguntaram: ‘Porque estão a soltar o jumentinho?’ Responderam conforme Jesus lhes tinha dito e os homens consentiram.”

(Marcos 11:1-6)


Imagino a cara de espanto dos discípulos ao encontrarem o jumentinho! Não que eles não tivessem dado crédito à fala de Jesus, mas quando presenciamos os milagres de Deus, o maravilhamento é inevitável!

Portanto, não se turbe o vosso coração. Deus está cuidando de tudo, até mesmo dos detalhes que você possa achar que, de tão pequenos, Deus não vai se importar. Nada disso. Nada é pequeno demais para Deus, porque Ele não gasta mais energia e mais tempo quando cuida dos pequenos detalhes.

Nossa história foi escrita pelo dedo de Deus. Então, descansemos em Sua santa e gloriosa providência!



(Referências bibliográficas: https://spurgeonline.com.br/artigos/alguns-fatos-notaveis-sobre-charles-spurgeon/; https://www.abiblia.org/ver.php?id=11954; https://teologar.com.br/natanael-debaixo-da-figueira/; https://m.youtube.com/watch?v=rAEsRiUBO_8; https://m.youtube.com/watch?v=P_hK5LXaYpI)



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