THEOLOGICA STATERA

Árdua tarefa consiste o labor teológico.

Primeiro pela natureza desta ciência que não é exata, portanto, há de se lidar com um volume de informações consistente para que sínteses possam vir à luz.

Depois, por abordar algo além da realidade terrena a qual os olhos naturais podem contemplar, trazendo à tona os dizeres do dramaturgo inglês William Shakespeare: “Existem mais mistérios entre o céu e a terra do que possa imaginar a nossa vã filosofia”.

Estudar Teologia não é simples. Como o músculo se acostuma gradualmente com os halteres, o cérebro adquire consistência à medida em que autores são apreciados.

Fazer Teologia constitui-se em labor ainda mais hercúleo, pois apoiado sob os ombros dos gigantes, transformamos nossa visão do horizonte em palavras – e, quando se fala em traduzir a experiência do cosmos mediada pela compreensão do sagrado, somos como crianças a balbuciar, conforme dizia o santo.

De maneira ontológica, a natureza adâmica que reside em nosso ser nos faz pender para os extremos. A falta de equilíbrio (seja emocional, financeiro, acadêmico, profissional, isto é, abarcando as esferas vitais de forma integral) é indício do pecado.

Na Teologia, esse desafio se põe em prática. Como conciliar verdades aparentemente contraditórias das Escrituras? Como possibilitar com que a mente compreenda que “tu és pó e ao pó retornarás” (Gênesis 3:19) de forma simultânea a “se perseverarmos, com Cristo igualmente reinaremos” (2 Timóteo 2:12)?

Nas palavras do teólogo anglicano Richard Sibbes (1577-1635): “O cristão é uma pessoa estranha. Ele está tanto morto como vivo, é miserável e glorioso... Dirige-se para baixo e para cima ao mesmo tempo; pois, à medida que ele morre para o pecado e miséria, e a morte natural aproxima-se, vive a vida da graça e cresce cada vez mais até alcançar a glória”.

E cabe a citação ainda a G.K. Chesterton: “O homem não é um balão que sobe ao céu nem uma toupeira que vive unicamente cavando na terra, mas antes algo semelhante a uma árvore, cujas raízes se alimentam da terra enquanto os ramos mais altos parecem subir quase até as estrelas”.

Logo, há um chamamento para o equilíbrio à medida em que ocorre à disposição intelectual de compreender a Verdade.

Para o filósofo Aristóteles, “todo homem deseja, naturalmente, conhecer a essência das coisas”. Nesse sentido, para se chegar à essência faz-se míster um exercício de “sair de si mesmo”, como numa fenomenologia, para que a Verdade possa ser vislumbrada.

A metafísica (este nome vem da justaposição entre duas palavras gregas: “meta”, além, e “physika”, física) tem como objetivo o examinar a natureza fundamental da realidade. O que sustenta o cosmos?

O teólogo alemão Joseph Ratzinger defendia o posicionamento que “a cristologia é falseada quando não chega a ser ‘teo­-logia’”. Por isso, parte sólida de sua obra era uma “tentativa de apresentar o Jesus dos evangelhos como o Jesus real, como o ‘Jesus histórico’ em sentido verdadeiro e próprio”.

Em suma, Teologia se faz de joelhos. Não há como atingir o cerne dessa arte sem apreender dogmaticamente a divindade do Cristo. Ele é o centro do ofício teológico.

Yeshua, o Deus glorioso que se fez homem (no processo da “kenosis” de Filipenses 2), fato o qual Chesterton resumiu da seguinte forma: “As mãos que fizeram o Sol e as estrelas eram pequenas demais para alcançar as cabeças do gado ao redor”.

As Escrituras afirmam que Yeshua é “Cordeiro” (Jo 1:29) e “Leão” (Ap 5:5).

Enfim, se Cristo for ratificado como o cerne da Teologia – a perfeita chave hermenêutica –, os supostos paradoxos adquirirão a devida harmonia, assim como os outros pontos a serem perscrutados pela razão – sob auxílio da fé.






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