A POSTURA ROCK’N ROLL

Quando criança, eu não tinha um gosto musical definido. No meu celular, tinha desde Chris Brown até Exaltasamba!

Até que, em 2009 ou 2010 mais ou menos, um amigo me mostrou a música “Numb/Encore”, da banda Linkin Park com o rapper Jay-Z. Gostei. Depois, assistimos o vídeo ao vivo dessa música, e fiquei surpreso em ver que era um cara chamado Chester Bennington que fazia o vocal da “Numb”. Por ser mais agudo, achei que era uma voz feminina!

Então, a partir disso conheci o Linkin Park, minha banda preferida até hoje (e a única que eu fui num show solo – sem ser festival –, na turnê do álbum “Burn It Down”, em 2012, no Rio). E através do Linkin Park eu entrei no multiverso do rock’n roll.

Eu peguei uma época muito boa, porque era a época do Rock in Rio 2011, que voltou a acontecer no Brasil após anos. E a partir do R.I.R. eu conheci bandas como Slipknot, System of a Down, etc.

Costumo dizer que minha “casa” do rock foi sendo construída tijolo por tijolo. Jogando “Guitar Hero”, ouvia uma música que gostava e fazia o download (como “Slow Ride”, do Foghat); costumeiramente depois da aula, quando estava no ensino médio, eu e alguns amigos íamos na lan house jogar “Rock Band”, e daí já pescava mais algumas músicas; junto com outros colegas, formamos uma banda pra tocar no festival do colégio, e peguei algumas canções que eles indicaram pra ser tocadas; assistindo WWE, pegava as entradas de rock dos lutadores e baixava (como “Metalinguns”, do Alterbridge, que era o tema do Edge; e “This Fire Burns”, do Killswitch Engage, tema do CM Punk); estava na casa de dois amigos da escola e eles resolveram colocar na TV a cabo, e assistiram “Tenacious D: The Pick of Destiny”. Por ser uma comédia, achei que meio que “zoava” o rock. Ledo engano. Me tornei fã da banda de Jack Black e Kyle Gass; ouvia trilhas sonoras de filmes como “Transformers” (que tinha bastante rock) e compunha minha playlist; gostava de ler a revista Rolling Stone, e daí já descobria mais músicas e bandas; um amigo do trabalho me apresentou de forma mais profunda o Pink Floyd; e por aí vai.

Aqui em Juiz de Fora, o cenário do rock sempre foi bom. Tinha o Festival de Bandas Novas, onde conheci o Patrulha 66. Tem o Tuka, lenda do rock que já foi tema de matéria especial no site do Rock in Rio. Na Avenida Independência, tinha o Bar do Rock, com música e decoração do estilo, e eu curtia muito ir lá. Tudo isso influenciou positivamente.

Entretanto, o tempo passa e certas coisas mudam. A foto da esquerda é de 2013, quando fui com meu tio Enílson (rockeiro de carteirinha, que tem o álbum Killers do Iron Maiden em disco) no último dia do Rock in Rio (o dia que chamaram de “mais pesado”, no qual tocaram bandas como Sepultura, Helloween, Paul Di’anno, Slayer e Iron Maiden). Muitos nem acreditam que sou eu na foto. Eu costumo dizer que era aquele rockeiro que encarnava o estilo de vida que eu achava que era “a postura rock’n roll”: andava praticamente só com camisas de banda, era meio rebelde (e por isso o semblante fechado), bebia até ficar chapado, fumava cigarro, e até gostava de passear em cemitério (na verdade, fui somente em um, assim como não cheguei a fumar muito e fiquei bêbado apenas duas vezes, mas tudo isso por causa que Jesus interrompeu esse tipo de caminhada assim como ocorreu com Saulo na estrada para Damasco).

A foto da direita é de 2021. Eu já conhecia a Jesus Cristo há alguns anos e havia aceitado-o como meu único e suficiente Salvador. O que mudou? Bom, eu ainda amo rock’n roll (tanto que estou com camisa de banda em ambas as fotos, sendo na primeira com a do Metallica e na segunda com a dos Beatles), mas escolho as músicas que ouço (outrora, eu tinha uma camisa de banda com um demônio estampado na frente); eu ainda sou rebelde, mas não rebelde sem causa: sou rebelde contra aquilo que não é justo, verdadeiro; e, pra ser rebelde, eu não preciso andar com a cara fechada ou somente andar com camisas de banda (eu gosto demais de usá-las, mas posso diversificar o guarda-roupa), porque a verdadeira postura rock’n roll não está na aparência física, mas no espírito.

Há muito de rock’n roll no Evangelho. Os rockeiros tem uma atitude desinteressada em relação ao status quo, não ligam pra normas e conveniências, levam um estilo de vida próprio (o “rockstar”), estão sempre ligados no que está acontecendo no mundo (por isso letras com protestos políticos, como “Killing In The Name”, do Rage Against The Machine). Os discípulos de Cristo também não devem se interessar pelas pelo mundo que jaz no maligno no sentido de se adequar a um sistema escuso, devem adotar o estilo de vida cristão ainda que isso vá contra o stablishment, e “ter a Bíblia numa mão e o jornal na outra”, como dizia o teólogo Karl Barth, para discernir os tempos.

Olha esse texto denominado “As letras do rock e o desejo de pregar o evangelho”, do Gabriel Pacheco em parceria com o Luca Martini:


“O que é gerado em você quando escuta uma música do Linkin Park, do Queen, do Pink Floyd ou do Nirvana?

Em nós, nasce uma profunda vontade de gritar: JESUS É A RESPOSTA!

Linkin Park: Em ‘What I’ve Done’, Chester Bennington canta sobre uma misericórdia que vem e limpa ele de todos os pecados que cometeu. Mas onde procurar por ela?

(...)

Pink Floyd: Em ‘Time’, Roger Waters lamenta não ter ouvido o tiro de largada e se sentir atrasado na vida (aos seus 29 anos, já sendo vocalista de uma das bandas mais bem-sucedidas do mundo). O que é ‘vencer na vida’ para ele?

Nirvana: Em ‘Something in the Way’, Kurt Cobain se reduz a uma condição cínica e animalesca, a ponto de comer os seus peixes de estimação. Para ele, nada importa, e toda a grandeza que passa em sua frente é só um obstáculo para ver o sol.

EXISTE UM ANSEIO PELA ETERNIDADE no coração humano! Nós berramos por verdade, por liberdade, por satisfação!

E Jesus não é uma solução que inventamos para esse problema. Ele é aquele para quem fomos criados, e o nosso coração anda inquieto enquanto não repousar nEle!

O que as letras do rock geram em você?”


Eu ainda amo rock’n roll. Só que as letras me geram algo diferente do que gerava anos atrás, em determinados aspectos. Porque eu mudei. Mudei, não: nasci de novo!




(Referência bibliográfica: https://www.instagram.com/p/CbIpn7kJnSn/?igshid=YmMyMTA2M2Y=)








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