NÃO VIVO MAIS EU
Não há melhor forma conhecida de se viver do que anulando a si mesmo.
Num primeiro momento, pode parecer contraditório. Porém, o efeito é o inverso: ao se ver morto, o indivíduo vê brotar nele vida como nunca.
O segredo milenar já foi dado pelo apóstolo Paulo em sua carta aos gálatas:
“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.”
(Gálatas 2:20)
Pense bem. Quando estamos mortos para nós mesmos, não ligamos muito para o que pensam ao nosso respeito. Tampouco nos importamos em estar “bem na fita”. Se temos ou não o carro do ano ou o último smartphone lançado, não faz diferença.
É por isso que Santa Teresinha do Menino Jesus ensinou:
“Ocupemos o último lugar. Ninguém brigará convosco por causa dele.”
Sabe aquela briga primitiva motivada por ego, como pavões que abrem suas chamativas penas a fim de demonstrar superioridade? Então, quando o último lugar é o suficiente para nós, não precisaremos passar por nada disso.
“Os anjos conseguem voar porque dão pouca importância a si mesmos”, dizia o dramaturgo inglês G.K. Chesterton. E sabe por que o fazem? A única preocupação dos seres celestiais é adorar a Deus, de modo que eles são a própria adoração. Quando Cristo torna-se nosso primeiríssimo alvo, nós o tornamos como Ele, e a vida dEle passa a fluir em nós.
Sobre a questão de não ficar obcecado pelas demandas que o mundo pauta, a tradução da Bíblia A Mensagem é ainda mais poderosa:
“Se vocês se decidirem por Deus, vivendo para cultuá-lo, não ficarão aflitos com a comida que terão de pôr na mesa ou se o guarda-roupa está fora de moda. Há muito mais coisas na vida que a comida que vai para o estômago! Há muito mais coisas para se ver que as roupas que vocês usam! Olhem para as aves, livres e desimpedidas: não estão presas a nenhum emprego e vivem despreocupadas, aos cuidados de Deus. E vocês valem para ele muito mais que os passarinhos!”
(Mateus 6:25-26)
Se foi para a liberdade que Cristo nos salvou, não há liberdade maior do que não ficar preso às amarras das demandas deste século.
Estar satisfeito em Deus é estar satisfeito consigo mesmo. Lembro-me de quando eu era mais novo, ainda sem conhecer a Jesus da forma que conheço hoje. Como um adolescente, eu queria estar dentro dos padrões sociais vigentes, senão me sentiria excluído. Com isso, tinha que andar com as camisas da marca “x”, calças de determinado tamanho e cor, cabelo de certo tipo, enfim. Servia tanto para eu me sentir bem comigo mesmo quanto para não correr o risco de ser ridicularizado pelos outros. Depois que eu conheci a Cristo e mais ainda depois que eu conheci a graça divina, me libertei. Não digo que não podemos ter boas roupas, um bom automóvel, uma boa aparência. A questão é que essas coisas são coisas, e não fatores que vão determinar quem eu sou ou meu bem-estar.
Em seu livro “O Evangelho Maltrapilho”, o teólogo Brennan Manning disserta (p. 114):
“Certa manhã, misteriosamente movido pela graça, um jovem decide tentar orar. Por cinco minutos ele se dispõe a se expor e calar. E Jesus sussurra: ‘A hora é agora. O mundo irreal dos sapatos Gucci, de sorvetes Häagen-Dazs e de jeans Calvin Klein, de coletes de pele de castor, tapetes persa, roupa de baixo de seda e da Copa do Mundo está passando. Agora é a hora de parar de correr freneticamente em quatro direções diferentes, como o cavalo de Lancelot, e lembrar em meio à quietude que apenas uma coisa é necessária. Agora é a hora de uma decisão pessoal e de uma resposta criativa a minha palavra’.”
Pensar pouco em si mesmo é tirar um fardo das costas.
Jesus andava pelas ruas empoeiradas da Palestina como qualquer judeu de sua época, com vestimentas civis – tanto é que Judas Iscariotes teve que beijá-lo no rosto para que os soldados romanos o identificassem em meio aos apóstolos. Vestindo um trapo e um par de sandálias, com barbas e cabelo grandes conforme a cultura, sem ter escrito um livro sequer, morto como um fora da Lei. O carpinteiro de Nazaré mudou o mundo não por causa de questões estéticas, mas sim devido ao conteúdo que carregava. E este era o maior poderoso de todos os tempos – e ainda o é.
Liberte-se!
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