QUIS UT DEUS?

O Diabo é um exímio teólogo.

Se o reformador Lutero exortou-nos mediante o fato de que os pardais são capazes de fazer melhor teologia do que muitos de nós – dignos de um elogio de Cristo devido à confiança que eles exercem em Deus (cf. Mateus 6:25-32) –, quiçá aquele que está no mesmo quarteirão de Deus, mediante o que nos demonstra a narrativa do livro de Jó.

A teologia diabólica consiste basicamente em desconstruir verdades ou, então, construir verdades parciais – o que acaba desembocando no mesmo ponto.

Há milênios o Inimigo conseguiu dar fôlego à seguinte narrativa: para servir a Deus e ser digno dEle, há de se ter uma conduta ilibada, visando a perfeição.

Quer algo mais diabólico que isso?

E quantos deixaram de ir à igreja porque pecaram? Sim, o Diabo coloca a isca sabendo que o peixe morre pela boca. “Se ele (a) pecar agora mesmo, deixará de ir ao templo pois se sentirá com a consciência pesada”, raciocina o vil ser.

E quantos não abandonaram o fervor de cumprir o chamado por não se sentirem à altura da Mensagem? Ora, mas como disse São Miguel Arcanjo: “Quis ut Deus?” Por que almejar ser como o Único? Por que “diabos” pensar isso?!

O Tentador fará você não enxergar a verdade ressonante do furioso amor de Deus. Ele tentará de toda forma reinterpretar e colocar vírgula onde há ponto, como no fato de que o “homem segundo o coração de Deus” foi o mesmo que caiu terrivelmente em pecado no seu próprio palácio. Que o pescador que chamou Jesus de “verme” foi resgatado quando já havia desistido do chamado. Que o assassino foi convocado a ser apóstolo e mudar para sempre a história da Igreja.

O Diabo vai querer fazer você parar.

Ele vai querer desarmar a bomba antes de ela explodir. Porque o “dunamis” que há em você é uma dinamite do Reino. Porque a natureza aguarda com ardente expectativa que você se manifeste.

Ele foi tentar Jesus antes que o Messias iniciasse seu ministério. Ali era o momento dele apostar todas as suas fichas em parar a obra, antes mesmo que ela começasse, porque sabia o que perderia ao momento em que o Leão rugisse “está consumado”.

Ele deseja que você espere ficar perfeito para, então, fazer a obra. Faz-nos esquecer dos dizeres do missionário inglês Hudson Taylor (1832-1905): “Não são os grandes homens que transformam o mundo, mas sim os fracos e pequenos nas mãos de um grande Deus”.

Enquanto isso, gerações passam sem ver avivamento, pessoas morrem sem ouvir que Jesus morreu na cruz por elas e a galeria dos heróis da fé não é renovada porque os escolhidos penduraram as harpas no salgueiro.

O Diabo já perdeu. Seu fatídico destino já foi revelado na Bíblia. O que ele quer é levar outros pro mesmo buraco. É mudar o destino daqueles cuja história foi escrita pelo dedo de Deus.

Cabe a nós escolhermos qual voz iremos ouvir.




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