TEÓLOGO E PORTEIRO
“Quando um dos maiores teólogos de Novo Testamento é o porteiro da reunião é que talvez tem alguma coisa acontecendo de fato”.
Começo este artigo com os dizeres de Ângelo Bazzo, que está neste momento na capela da universidade de Asbury, nos Estados Unidos, presenciando o avivamento do século XXI – até agora.
O teólogo que Bazzo se refere é Craig Kenner. Ele é professor de Novo Testamento no Seminário Teológico Asbury. Mestre pelo Seminário Teológico das Assembleias de Deus, em Springfield, Missouri, obteve seu doutorado em Novo Testamento na Universidade Duke. É autor de 20 livros, entre os quais “Comentário histórico-cultural da Bíblia: Novo Testamento”, “O Espírito na igreja: o que a Bíblia ensina sobre os dons”, “A mente do Espírito: a visão de Paulo sobre a mente transformada” e “O Espírito nos Evangelhos e em Atos: pureza e poder divino”, publicados pela editora Vida Nova.
Eu cursei dois anos da faculdade de Teologia no Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES-JF). Apesar de ter trancado o curso, nunca parei de estudar esta sagrada ciência. Atualmente, curso Filosofia na Estácio e sou professor de Escola Bíblica na Primeira Igreja Batista de Juiz de Fora (PIBJF), e também ministro aulas online, através de vídeos e no meu blog.
Portanto, ver Kenner fazer este movimento de sair de sua esfera acadêmica para servir ao Corpo de outra forma diferente de seu usual é uma inspiração.
Pra mim, particularmente, não é inédito deparar-me com este cenário pois, apesar de ser um teólogo amador, sempre trabalhei em inúmeras funções na igreja desde que me converti, em 2015. Até os dias de hoje, não me prendo ao ofício de professor, mas sirvo na recepção, limpeza, tesouraria, cozinha, logística, e o que mais precisar. Mas é óbvio que ninguém sabe tanto que não possa aprender. Afinal, conhecimento não ocupa espaço. Há sempre algo a se refinar naquilo que já é conhecido.
Entretanto, para teólogos cujo único universo possível é a cátedra ou que permitiram o pecado da arrogância criar raízes no coração, o exemplo de Kenner é um “soco no estômago”. É admirável ver ressoar para os novos fariseus: “Desçam do pedestal”.
O teólogo Rodrigo Calça Lemos escreveu: “Craig Kenner, que é um dos maiores teólogos do mundo, está na universidade de Asbury servindo como RECEPCIONISTA. Eu não tenho dúvidas de que se um movimento semelhante ao de Asbury estivesse acontecendo no Brasil, muitos pastores estariam fazendo de tudo para ocuparem os chamados ‘lugares de destaque’. Obrigado, Kenner, por essa lição de humildade. Que Deus levante mais pessoas que estão preocupadas apenas em servir onde há necessidade!”
Na minha visão, todos os ofícios estão no mesmo nível. O pastor não é superior ao leigo, tampouco o professor ao porteiro. Todos são vistos de igual forma por Deus. Diferenças hierárquicas numa organização burocrática não são sinônimo de honra maior ou menor, mas apenas papéis diferentes. Porém, repito: para aqueles que se vislumbravam num posto acima por causa de sua função A ou B, ver um dos maiores teólogos sobre literatura neo-testamentária dispor-se a servir de tal forma é um grande ensinamento.
Obviamente, tal testemunho de Kenner não se encerra no âmbito eclesial, mas se alastra para o social como um todo: para os preconceituosos que sequer dão “bom dia” para o porteiro do condomínio – ou desvalorizam/inferiorizam qualquer outro trabalho, que seja –, é Deus jogando por terra tamanha presunção.
Craig Kenner está servindo aos jovens no avivamento de Asbury. Isso é profético.
É também profético não ter um nome chamativo, um líder apenas à frente do que está ocorrendo, mas apenas a Noiva se declarando em uníssono para o Cordeiro.
Não fomos chamados para ser teólogos, pastores, diáconos, louvoristas, empresários, professores, políticos, atletas. Podemos FAZER tudo isso, mas não é o que SOMOS. Fomos chamados para SER filhos de Deus. Amigos de Jesus. Irmãos de Jesus, pois Ele é o primogênito. Sacerdotes que ministram um culto diário ao Senhor (Isaías 61:6; 1 Pedro 2:9). Nosso chamado é para viver o que Adão vivia no jardim: intimidade total. Encontrar com o Pai. Estar com Ele. Participar da dança da Trindade. A dança do amor ao redor da mesa.
O Grande Avivamento trará essa compreensão de maneira mais aguda. Como o Avivamento de Asbury está trazendo agora.
(Referências bibliográficas: https://instagram.com/stories/angelo_bazzo/3040268125346501255?utm_source=ig_story_item_share&igshid=YmMyMTA2M2Y=; https://www.instagram.com/p/CoxOf7EOkeF/?igshid=YmMyMTA2M2Y=; https://www.vidanova.com.br/livros/autores/craig-keener; https://www.instagram.com/p/CoxITeNuGcq/?next=%2F)

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