AULA DE TEOLOGIA | 12.02.23

Na aula teológica de hoje, da Escola Bíblica da PIBJF Zona Norte, abordamos essencialmente Tiago 1:9-15.

Parece que o apóstolo trata o dinheiro com certa negatividade (vv. 11: “O rico definhará em meio a seus muitos compromissos”). Mas isto procede? Ou numa análise mais profunda do texto constataremos que de forma alguma o dinheiro é visto de forma pejorativa pelas Escrituras?

– “Dinheiro” em hebraico significa “kesef”. “Kesef” significa: dinheiro, prata; mas vem de um verbo (כָּסַף = “kasaf”) que significa “desejar, almejar algo”. Portanto, não há pecaminosidade no dinheiro em si, mas sim na energia/desejo que o sujeito impõe sobre ele.

– Na Bíblia, a palavra hebraica “avodah” (ah-vod-ah) é traduzida por “trabalho” e, também, “adoração”. Uma melhor tradução [em inglês] para trabalho é “serviço”. Este é um dos segredos da prosperidade judaica: eles trabalham como sendo pra Deus, e, por isso, sempre fazem o melhor que podem, e colhem os frutos.

– No clássico “Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, de Max Weber, publicado em 1904, o autor registra que o pensamento teológico calvinista teria impulsionado a fase inicial do desenvolvimento capitalista, ao legitimar uma ética voltada para trabalho e poupança. Para Weber, o verdadeiro capitalismo é fruto da reforma protestante, e não o contrário. Ao valorizar uma ética do trabalho, da frugalidade e do esforço individual, o protestantismo (em suas formas calvinistas principalmente) teria levado ao desenvolvimento econômico dos países norte-europeus (e dos Estados Unidos) que o adotaram.

– Logo, tanto a teologia bíblica quanto a História ratificam que não há pecaminosidade em questão de posses financeiras, mas sim na intencionalidade que cada um fornece às suas finanças.


(Publicação original: 12/02/23)






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TIRADENTES E O ARQUÉTIPO DE JESUS CRISTO

“O AUTO DA COMPADECIDA” (2000): ANÁLISE TEOLÓGICA

A CRIAÇÃO NOS AGUARDA