“KAIRÓS” = PROMESSA DE DEUS = FUTURO NO “CHRONOS”
Há algum tempo, Deus me deu uma visão espiritual: um bebê e um caixão vistos nas mesma linha temporal, como eventos ocorridos numa equivalência de tempo, sendo que acima está o “Kairós” (tempo de Deus”) e abaixo o “Chronos” (tempo dos homens), além da promessa feita a Jeremias de que ele estava separado desde o ventre.
Na Bíblia Sagrada traduzida para o português, a palavra “tempo” é utilizada tanto para designar o tempo dos homens quanto o tempo de Deus. Por isso, tendemos a achar que o tempo dos homens é igual ao tempo de Deus. Porém, no original em grego (língua a qual o Novo Testamento foi escrito) há uma diferenciação.
“Chronos” designa o tempo dos homens, o tempo do relógio, dos anos, meses, dias, horas, minutos e segundos.
“Kairós” é uma palavra de origem grega, que significa “momento certo” ou “oportuno”.
A humanidade, o universo, estão inseridos no “Chronos”. Deus vive no “Kairós”.
Por estarmos no “Chronos”, enxergamos o tempo como uma espiral, ou seja, estamos presos no momento presente; não conseguimos enxergar o passado, tampouco o futuro.
Entretanto, Deus vê o tempo como uma linha reta. Deus não está preso ao tempo, pois Ele é atemporal, é o Alfa (início) e o Ômega (fim). Deus não está preso ao relógio, pois “para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia” (2 Pedro 3:8).
É por isso que Ele declarou para o profeta Jeremias: “Antes de formá-lo no ventre eu o escolhi; antes de você nascer, eu o separei e o designei profeta às nações” (Jr 1:5). Deus já tinha visto Jeremias como profeta antes mesmo de ele nascer, porque no “Kairós” isso já tinha acontecido, apesar de no “Chronos” ele nem ter nascido ainda.
É por isso que Deus revelou a José, através de sonhos (o dos feixes de seus pais e irmãos se dobrando ao seu feixe; e do Sol, a Lua e as estrelas se inclinando diante dele – Gênesis 37:6-9), que ele teria um papel de autoridade (o que, mais de uma década depois, se consumaria com José sendo governador do Egito, a maior potência do planeta na época). José ainda não tinha vivido aquilo. Mas Deus já tinha visto aquele momento.
Tem uma história do Flash, personagem velocista da DC Comics, em que ele volta no tempo e altera os fatos de seu passado.
O filme “De Volta Para o Futuro” (1985) é um clássico do cinema. Marty McFly e Dr. Emmett Brown sobem em um DeLorean (carro que no longa é a máquina do tempo) e viajam no tempo.
A questão da viajem no tempo possui uma teoria na Ciência. Os físicos Albert Einstein e Nathan Rosen propuseram em 1935 a existência de de “pontes” (uma espécie de túnel que conectava as entradas de um buraco negro e um buraco branco) no espaço-tempo, sendo que essas pontes conectariam dois pontos diferentes no espaço-tempo criando, teoricamente, um atalho que poderia reduzir a distância e o tempo de viagem. Uma nave que entrasse de um lado do “portal” poderia sair em qualquer lugar do Universo. Esses atalhos passaram a ser chamados de pontes de Einstein-Rosen, ou buracos de minhoca (do inglês, “wormhole”).
No filme “Interestelar” (2013), o astronauta Cooper entra num desses túneis e, no seu tempo presente, consegue se comunicar com sua filha, cuja ação reverte no passado (passado este que seria o futuro da perspectiva de quem estava vivendo nesse passado).
Sobre essa questão da volatilidade temporal, as Escrituras testificam que Deus não apenas está preso ao tempo, mas o controla, como quando ele parou a rotação terrestre (portanto, parou o tempo) no livro de Josué (cf. Js 10:13).
O dia que Deus escolheu para ter um encontro comigo e com você já foi separado antes do universo existir.
Deus nos vê nascendo no parto na sala de hospital ao mesmo tempo em que Ele nos vê sendo enterrados no cemitério. E, nessa linha vital, em dado momento Ele abre uma janela que une o “Kairós” com o “Chronos” (como quando Ele enviou o anjo Gabriel para anunciar a Maria que ela daria à luz ao Messias e quando Ele apareceu para Saulo na estrada para Damasco em Atos 9) e nos faz o chamado, conforme nos predestinou, conforme nos escolheu, conforme já estava estabelecido na história escrita pelo Seu próprio dedo.
Certa vez, num culto da igreja, Deus me falou o seguinte: “Vai lá em ‘fulano de tal’ e ora pela perna esquerda dele”. Fui na pessoa em questão. Antes de orar, perguntei-o: “Você tem alguma coisa na perna esquerda? Alguma dor?” Afinal, se Deus tinha mandado orar pela perna esquerda – e eu fluo bem no dom de cura –, certamente aquele rapaz tinha algo. “Não, não tenho nada”, ele respondeu.
O que você faria nessa situação? Pediria desculpas e ia embora? Ficaria com vergonha? Meu amigo, entenda: Deus não erra. Se Ele pediu, tem algum propósito.
Por isso, mesmo ele dizendo que não tinha nada, repliquei: “Ok... mas posso orar pela sua perna? Pois Deus me pediu pra fazer isso, então há um motivo”. Ele aceitou. Orei e voltei pro meu lugar.
Algum tempo depois, estava no centro da cidade e nos reencontramos. “Pedro”, ele disse, “sabe aquela vez que você orou pela minha perna?” O negócio foi o seguinte: aquele cara sofreu um acidente de moto, e o maior foco de ferimentos teria sido a perna devido a configuração do acidente. Todavia, nada aconteceu de grave. Era pra ele ter quebrado a perna, no entanto não sofreu um arranhão. Ele ficou 100%, obteve o livramento, e está de pé, seguindo sua vida! Na nossa conversa, ele reconheceu que aquela oração feita tempos antes, na verdade, estava livrando ele espiritualmente de um mal futuro.
O que aconteceu então, exatamente?
É simples: naquele momento, Deus me deu uma visão do “Kairós” (o acidente de moto já tinha acontecido em algum momento da vida daquele rapaz no tempo “Kairós”, só ainda não tinha acontecido no “Chronos”, pois estamos presos no presente).
Ainda que seus olhos não vejam, como na hora em que eu orei pela perna do rapaz não havia nada aparente, a fé opera no mundo espiritual, e no mundo espiritual as coisas já aconteceram! Como declara a Bíblia: “Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hebreus 11:1).
Quando Deus deu a José os sonhos que diziam que ele teria um papel de grande autoridade, Deus estava mostrando a José algo do “Kairós”.
“Certa vez José teve um sonho e o contou aos seus irmãos. Aí é que ficaram com mais raiva dele porque ele disse assim:
– Escutem, que eu vou contar o sonho que tive. Sonhei que estávamos no campo amarrando feixes de trigo. De repente, o meu feixe ficou de pé, e os feixes de vocês se colocaram em volta do meu e se curvavam diante dele.
Então os irmãos perguntaram:
– Quer dizer que você vai ser nosso rei e que vai mandar em nós?
E ficaram com mais ódio dele ainda por causa dos seus sonhos e do jeito que ele os contava.
Depois José sonhou outra vez e contou também esse sonho aos seus irmãos. Ele disse assim:
– Eu tive outro sonho. Desta vez o sol, a lua e onze estrelas se curvaram diante de mim.”
(Gênesis 37:5-9)
Estudiosos apontam que passaram-se cerca de dez a doze anos entre os sonhos e a realização deles, quando José foi governador do Egito. Mas, no tempo “Kairós”, Deus já estava vendo José sentado no trono da nação mais poderosa do planeta, apesar de ele ainda ser um pastor de ovelhas quando lhe foi revelado.
Da mesma forma, quando Deus fez a promessa a Abraão:
“O Senhor tinha dito a Abrão: ‘Deixe sua terra natal, seus parentes e a família de seu pai e vá à terra que eu lhe mostrarei. Farei de você uma grande nação, o abençoarei e o tornarei famoso, e você será uma bênção para outros. Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei os que o amaldiçoarem. Por meio de você, todas as famílias da terra serão abençoadas.’”
(Gênesis 12:1-3)
Deus não apenas revelou algo do tempo “Kairós” para Abraão no tocante à descendência dele – que seria a nação de Israel –, mas também ao nascimento do Messias, Jesus Cristo, que veio de sua linhagem!
Quando Deus faz uma promessa, Ele está mostrando para o homem (que está no “Chronos”) algo que já é realidade no futuro (tempo “Kairós”).
É por isso que o salmista declarou:
“Lembra-te das promessas que me fizeste porque elas são a minha única esperança.
Têm sido a minha consolação no meio das angústias.”
(Salmo 119:49-50)
Por que as promessas são esperanças e consolação em tempos difíceis? Porque elas são a certeza que o amanhã vai chegar.
Imagina só: tinha chance de José ter sido morto nas mãos dos seus irmãos (Gn 37:18-32)? Não, porque ele ser governador do Egito já tinha acontecido no “Kairós”.
Tinha chance de Isaque ter sido morto no alto do monte Moriá (Gn 22)? Não, porque Deus prometeu que a descendência numerosa de Abraão viria dele, e isso já tinha acontecido no “Kairós” (Gn 26:2-5).
Tinha chance de Davi ter perdido a batalha do gigante Golias ou ter sido morto pelo rei Saul? Absolutamente não, pois no “Kairós” ele já era rei de Israel – apesar de no “Chronos” ainda não ter assumido o trono, mas apenas recebido a unção por parte do profeta Samuel (1 Samuel 16:13).
Tinha chance do menino Jesus ter sido morto no censo do rei Herodes (Mt 2:16)? Nenhuma. A Bíblia diz que o Cordeiro de Deus foi morto desde antes da fundação do mundo (Ap 13:8). Ou seja, já tinha acontecido no “Kairós” – logo, obrigatoriamente aconteceria no “Chronos”. Portanto, a cruz aconteceria inevitavelmente.
Havia chance do apóstolo Paulo ter sido morto açoitado, por picada de cobra ou num naufrágio (2 Cor 11:24-28; At 28:3-6)? Zero. O propósito de Paulo só se cumpriria em Roma (At 27:22-26). Já estava escrito.
Há uma cena no filme “Dèja Vu” (2006) no qual o protagonista interpretado por Denzel Washington entra numa casa e vê roupas e gases sujas de sangue num cesto de lixo. Ele não sabe a origem daquilo. Mais pra frente, no enredo, ele consegue voltar no tempo. Então descobrimos que aquelas roupas são dele mesmo, pois ele levou um tiro. Ou seja, mesmo antes de ele ter voltado no passado “oficialmente”, as roupas já estavam lá, pois no futuro ele iria voltar ao passado e, consequentemente, mudar o presente.
Um pouco confuso, né? Mas basta entender que o que Deus mostra no “Kairós” através de uma promessa obrigatoriamente irá acontecer no “Chronos”, pois no “Kairós” já aconteceu em algum momento.
O apóstolo Joel Pereira ensina:
“Tuas orações não movem Deus. Tuas orações movem você para o lugar onde Deus já te respondeu.
A sua batalha não é com Deus. Sua batalha é com você, com a sua alma, com os seus pensamentos. Deus não muda, Deus já estabeleceu. Então Deus já respondeu pra você em ‘tal lugar’. Você é que vai estar sendo levado. Você vai chegar no lugar e falar ‘Meu Deus, a resposta já estava aqui! Só que eu achei que Deus ia empurrar a resposta pra mim!’ Não irmão. Você é que vai até ela, porque Deus já mandou anjos ao teu respeito, Deus já moveu sobre a tua causa.
A vida pode ter mudado seus planos, mas Deus não mudou Suas promessas.”
É por isso que a bela canção “Não Morrerei”, do Marquinhos Gomes, diz:
“Não morrerei enquanto a promessa não se cumprir.
Quem tem promessa de Deus não morre não, não desiste, e tem a fé, a fé de Abraão!”
Por isso, nos dias maus, se esconda atrás das promessas, pois elas são a garantia do amanhã na sua vida e do cuidado de Deus!

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