POR QUE A CORUJA É O SÍMBOLO DA FILOSOFIA?

A palavra “sabedoria” é oriunda do latim “sapere”, que significa que tem sabor. Trata-se, portanto, de algo que adiciona peso às nossas palavras, dando vida a elas. Um discurso não é vão devido à sabedoria nas palavras nele contidas.

Ser sábio é a condição de quem tem conhecimento, erudição. O equivalente em grego “sofia” (Σοφία) é o termo que equivale ao saber (presente na formação de palavras como “teosofia”, significando ainda habilidade manual, ciência e sabedoria; e Filosofia, que consiste na junção de duas palavras: φίλος [phílos] – que gosta; que ama; amigo – e σοφία [sophía] – sabedoria). Inclusive, no Novo Testamento original em grego, o apóstolo Tiago utiliza justamente a palavra “sofia” (Σοφία) para referir-se à sabedoria (Tg 1:5).

Portanto, ser filósofo é ser amigo do saber, do conhecimento, da erudição. É não se contentar com o superficial, com o visível ou com o que está posto, mas adentrar, cavar fundo, ver por detrás das camadas.

A coruja é o símbolo da sabedoria e da Filosofia. Uma matéria da revista Superinteressante explica o porquê da escolha do animal:


“Por influência da mitologia grega, tanto que Atena, deusa da guerra e da sabedoria, tinha uma coruja como mascote.

Os gregos consideravam a noite como o momento do pensamento filosófico e da revelação intelectual e a coruja, por ser uma ave noturna, acabou representando essa busca pelo saber.

Há ainda uma outra explicação para tal relação, da qual, certamente, o animal não se orgulharia tanto. Com seus olhos grandes e desproporcionais, a coruja se tornou também símbolo da feiúra.

Numa língua nórdica antiga, ela era chamada de ‘ugla’, palavra que imitava o som emitido pela ave e que daria origem ao termo ‘ugly’, ‘feio’ em inglês. ‘Assim, a coruja segue o estereótipo do sábio, que geralmente é tido como alguém mais preocupado com as divagações interiores que com a aparência externa’, diz o helenista (estudioso da civilização grega) Antônio Medina Rodrigues, da Universidade de São Paulo (USP).”


As corujas possuem hábitos noturnos, e são capazes de capturar suas presas mesmo contando apenas com a luminosidade garantida pela Lua. Nesse quesito, há dois elementos: a noite seria o melhor momento para o exercício da sabedoria devido à quietude, ausência de diversidade de elementos que podem obscurecer o raciocínio. Ademais, assim como os olhos da coruja podem ter boa visão à noite, os olhos filosóficos contemplam também na aparente escuridão, vendo além do que outros podem ver.

Outro dado é que “as corujas conseguem rodar o pescoço até 270 graus sem danificar os vasos sanguíneos ou cortar o fornecimento de sangue ao seu cérebro. Nos seres humanos, rotações súbitas e violentas podem causar coágulos e enfartes”. [1] Ou seja, assim como a ave contempla o ambiente como um todo, o filósofo também deve observar o cenário amplo, e não apenas se reter num aspecto sob risco de perder outros tão importastes quanto, ou ajuntar um volume de informações suficiente para construir sólidas sínteses.

A busca pela sabedoria é uma jornada crucial para a construir da “imago Dei” propriamente dita, e observar este belo animal criado por Deus nos inspira a também utilizar de nossas faculdades para aprender.



(Referências bibliográficas: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-a-coruja-e-simbolo-de-sabedoria/amp/; https://escolakids.uol.com.br/amp/ciencias/corujas.htm; [1] https://www.dn.pt/ciencia/amp/revelado-segredo-da-rotacao-do-pescoco-das-corujas-3028914.html)






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