O PADRÃO DA IGREJA DE ATOS
Certa vez, conversando com um amigo, ele me indagou:
– Pedro, e se a gente ficasse sem os sinais e maravilhas de Deus? E se o Seu poder cessasse? E se não mais operássemos e víssemos milagres? Qual seria nossa reação?
– Ora, mas esse já é o estado de normalidade atual de muitas igrejas - respondi.
Conforme as palavras do pastor Leonard Ravenhill: “Como podemos ser tão ingênuos a ponto de pensar que a igreja está apresentando aos homens o padrão estabelecido por Jesus no Novo Testamento, com esse baixo padrão de espiritualidade que ela ostenta”.
Estamos a tal ponto desacostumados com o padrão neotestamentário que tendemos a achar que somos obrigados a escolher entre Deus ou os milagres de Deus. Ora, seria como um noivo dizer para sua noiva: “Olha só, eu vou me casar com você, mas não queira que eu seja fiel, respeitador e amoroso”. Loucura! Pois essas qualidades e tantas outras são inerentes a alguém que fará uma aliança matrimonial com a outra pessoa. De igual modo, Deus não nos pede que escolhamos Ele mas que temos que abrir mão dos sinais, maravilhas e milagres. Estas características são inerentes ao seu Ser!
Irmãos, o padrão que vemos em muitas igrejas são homens e mulheres que vão aos cultos para levantar os braços de forma mecânica e induzida, são ministrados pela Palavra, mas logo que pisam na calçada as aves do céu comem as sementes (Marcos 4:4).
No alto de sua perspicácia, o Diabo não arma seus “laços de passarinheiro” do lado de fora dos templos, pois ficaria muito evidente – e muitos deixariam de pecar não porque estariam aviltando contra a face de Deus, mas sim porque pegaria mal no seu status social. O Diabo faz o seguinte: já viu aquela história do sapo na água quente? Quando você coloca um sapo na panela de água e vai fervendo essa água aos poucos, ele não percebe. Fica lá. Até que chega um momento no qual a alta temperatura já o deixou suficientemente cozido, a ponto do sapo não mais conseguir pular pra fora da panela. O Diabo faz o mesmo com muitos ditos cristãos: deixa-os em banho-maria dentro da igreja. Neutraliza-os dentro dos templos. E eles nem percebem.
Se todos os cristãos vivessem o cristianismo bíblico, o mundo seria transformado em 24 horas.
O reformador John Knox (1514-1572) clamava ao Senhor: “Dá-me a Escócia, ou morrerei”.
O pastor e historiador Roberts Liardon, em seu livro “Os Generais de Deus”, já começa a falar de Smith Wigglesworth (1859-1947) chamando-o de “O Apóstolo da Fé”. E abre o capítulo referente a esta importante figura religiosa britânica reportando um acontecimento digno de ser relatado:
“Quando meu amigo disse: ‘ela está morta’, ele estava apavorado. Eu nunca tinha visto um homem tão assustado em toda a minha vida... ‘o que devo fazer’, perguntou ele. Você pode até achar que o que eu fiz em seguida tenha sido algo absurdo, mas corri até a cama e a arranquei de lá. Carregando-a nos ombros, levei-a até a parede e a ergui, firmando o seu corpo contra aquela parede, já que ela estava realmente morta. Olhei firmemente para o seu rosto e disse: ‘Em nome de Jesus eu repreendo este espírito de morte’... Repentinamente, todo o seu corpo começou a tremer, desde o alto da cabeça até a sola do pé... e continuei: ‘Em nome de Jesus, eu te ordeno que andes’, disse a ela... tornei a repetir: ‘Em nome de Jesus... Em nome de Jesus, ande!’ E ela andou.”
A ressurreição de mortos era apenas uma das facetas extraordinárias do ministério de Wigglesworth.
Catorze pessoas foram documentadas como ressuscitadas, voltando à vida de entre os mortos, através do ministério de Wigglesworth. Ainda que, de forma não oficial, esse registro poderia chegar a vinte e três pessoas. Não existia nada tão grande para a sua fé. Desde ressuscitar mortos, dores de cabeça a cânceres, era tudo o mesmo para ele. Há algo demasiadamente difícil para Deus? [1]
Cito esses exemplos pois muitos maquiam sua falta de fé com o argumento de que “ah, mas a Igreja de Atos era a Igreja de Atos, né?!”. Não! Amigo, o próprio Jesus disse que não apenas faríamos as mesmas obras que Ele fez (o que já seria maravilhoso!), mas que faríamos obras maiores do que as que Ele fez (João 14:12)! Homens como Knox, Wigglesworth e tantos outros heróis da fé entenderam isso, e por isso fizeram o que a História registra!
Minha sogra me disse em determinada ocasião: “O boi só não sai de trás da cerca porque não sabe a força que tem”. A Igreja só se encontra prostrada, admirada com o avanço das trevas porque não está cumprindo seu papel de ser luz – e, sempre que a luz se manifesta, as trevas se dissipam. Ravenhill pontuou: “Paremos de ficar procurando desculpas para nosso fracasso. A culpa pelo declínio da moralidade não é do cinema e da televisão. A culpa pela atual corrupção e depravação internacional é toda da Igreja. Ela não é mais um espinho nas ilhargas do mundo. E não foi nos momentos de popularidade que a verdadeira Igreja triunfou, mas, sim, nas horas de adversidade”.
Sim, eu creio que um dos motivos da apostasia de muitos é o conforto demasiado. Ninguém consegue romper permanecendo na zona de conforto. Um boxeador não passa a semana inteira comendo porcarias e maratonando séries e no fim de semana obtém êxito no ringue. Se Pedro tivesse ficado no barco (zona de conforto), ele jamais teria andado sobre as águas. Da mesma forma, o que esperar de um cristão que “visita” Deus no templo domingo à noite e tem a sua Bíblia tão empoeirada que dá pra escrever “condenado” com os dedos (conforme citou Charles Spurgeon)?
Em seu livro “Os Caçadores de Deus”, Tommy Tenney escreveu (pág. 92):
“Li um relato sobre um grupo de cristãos chineses que foram pegos fazendo um culto. As autoridades colocaram um cocho para cavalos no meio da cidade e obrigaram cada homem e mulher daquela congregação a urinar dentro dele. Depois eles afogaram o pastor ali, bem diante dos olhos deles!
Você sabe o que aconteceu? A congregação dobrou de tamanho em duas semanas, e não foi por causa do belo santuário ou da equipe de adoração dinâmica que tinham. O verdadeiro crescimento da igreja, seja onde for, em liberdade ou perseguição, vem somente por causa de uma coisa. Ele brota do conhecimento íntimo do Deus vivo.”
Agora, compare e veja se este não é o padrão da Igreja de Atos, conforme a oração a seguir que eles faziam:
“De fato, Herodes e Pôncio Pilatos reuniram-se com as nações pagãs e os povos de Israel nesta cidade, para conspirar contra o seu Santo Servo Jesus, a quem ungiste.
Realizaram tudo o que, em teu poder e sabedoria, já havia predeterminado que aconteceria.
Agora, pois, ó Senhor, considera as ameaças deles e capacita os teus servos para proclamarem a tua Palavra com toda a intrepidez.
Estende a tua mão para curar e realizar sinais e maravilhas por meio do Nome do teu Santo Servo Jesus!”
(Atos 4:27-30)
Primeiro, eles reconheceram que tudo o que estava acontecendo (inclusive o episódio mais terrível que a humanidade já presenciou: a crucificação de Jesus) estava debaixo dos propósitos e do plano de Deus. Em segundo lugar, em momento algum eles pediram que o Senhor interrompesse as perseguições, mas sim que o Senhor lhes desse força e ousadia para continuar pregando e realizando milagres! Jesus amado! Quão longe estamos desse padrão!
O autor cristão Watchman Nee escreveu a seguinte expressão em um de seus livros: “Para que o cristão possa conhecer o que é poder, ele precisa conhecer primeiro, o que é pressão”.
O que uma panela de pressão e uma locomotiva a vapor (Maria Fumaça) têm em comum? Ambas necessitam da pressão para cumprir seus propósitos, uma para o cozimento de um alimento, outra, se mover. Mas o que faz elas conseguirem tirar proveito da pressão? Justamente algo que aparentemente é insignificante, porém, de total importância: o escape. Se não houver essa pequena válvula de escape, ambas não conseguirão cumprir os seus propósitos. Ambas iriam, literalmente, explodir.
Assim é em nossa vida. Quando somos pressionados, precisamos com urgência encontrar a “válvula de escape” para não “explodirmos”, e assim, tirar proveito de toda pressão que sofremos. A Bíblia diz:
“Não sobreveio a vocês tentação (provação) que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele lhes providenciará um escape, para que o possam suportar.”
(1 Coríntios 10:13) [2]
Isso significa que, se não fôssemos capazes de suportar determinada pressão – ou se a Igreja de Atos não fosse capaz de suportar aqueles fatos –, Deus jamais permitiria que acontecesse, pois, como diz o ditado: “Deus dá o frio conforme o cobertor”.
Há bebês na fé que não podem ver um “unfollow” nas redes sociais que já entram em crise existencial. Mas esse não é o padrão da Igreja do Novo Testamento. Deus quer que atinjamos a maturidade espiritual! Deus quer que compreendamos que estamos aqui por UMA SÓ COISA: conhecê-lo e torná-lo conhecido. E ponto final.
Um homem chamado apóstolo Paulo entendeu isso:
“Sinto-me conclamado pelos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é infinitamente melhor; mas, entendo que, por vossa causa, é mais necessário que eu permaneça no corpo.”
(Filipenses 1:23-24)
Em outras palavras, Paulo sabia que cada segundo na Terra significava mais tempo longe de sua verdadeira casa ao lado do seu Amado. Mas ele entendeu que, se Deus permitia que o oxigênio ainda entrasse em seus pulmões, é porque ainda tinha algo a fazer.
Irmãos, que coloquemos nossa boca no pó clamando por uma visitação do Alto em nossas vidas, se não quisermos ficar de fora da grandiosa obra que Deus quer e irá operar no mundo!
(Referências bibliográficas: http://teologia24horas.blogspot.com/2014/05/da-me-escocia-ou-morrerei-john-knox.html?m=1; [1] https://www.projetoluzdomundo.com.br/portal/ministerio/estudos/1711-smith-wigglesworth-1859-1947.html; https://aculturadoreino.wordpress.com/2014/06/02/por-que-tarda-o-pleno-avivamento-leonard-ravenhill/; [2] https://vidaexcelente.com.br/o-poder-da-pressao/)
— Esse blog é feito com muito esmero, fruto de longas pesquisas e estudos para lhe trazer um conteúdo edificante. Portanto, se você gosta desse trabalho, CONTRIBUA através do PIX: supercrenteofc@gmail.com

Comentários
Postar um comentário