THEATRUM GLORIAE DEI
Nossa vida e a História da humanidade constituem simplesmente uma grande peça teatral, cujo autor é Deus.
Vale ressaltar que essa questão da predestinação encontra base em outras vertentes. Por exemplo, há na mitologia grega e egípcia o símbolo de Ouroboros, palavra esta derivada do grego antigo que significa “aquele que devora a própria cauda”. O significado mais evidente evocado pelo símbolo é o da noção de infinito. Mas ele possui outras interpretações também, duas delas de especial importância para a nossa época: a de que o fim liga-se ao começo. O Ouroboros já foi referenciado na cultura pop, como na série “Loki” (2021) na qual há um personagem homônimo (e a referência ocorre devido ao enredo que aborda a questão da inevitabilidade de eventos) e no filme “O Predestinado” (2024), em que “a cobra mordendo o próprio rabo” é citado como alusão aos ciclo paradoxal, o ciclo infinito de eventos que não se pode evitar, pois a história já está escrita.
Essa verdade pode te aterrorizar ou então te proporcionar um conforto indescritível. Depende da sua perspectiva.
O teólogo e reformador francês João Calvino considerava que o mundo era o “teatro da glória de Deus” (“theatrum gloriae Dei”). Afinal, se tudo está no controle de Deus, tanto o microcosmo quanto o macrocosmo (ou seja, desde o canto de um pássaro até um fato registrado na História) servem para glorificar o nome dEle.
Tudo o que acontece na Terra (ou na realidade natural) é apenas um eco do que já aconteceu no Céu (ou na realidade sobrenatural).
Deus revelou a José, através de sonhos, que ele teria um papel de grande autoridade (Gênesis 37:5-9). Somente cerca de duas décadas depois ele de fato tornou-se governador do Egito, a principal potência do planeta na época. Ou seja, significa que o Senhor revelou a José uma “pontinha” do futuro, mas que para Ele já era realidade, pois Deus não está preso no passado, presente ou futuro. Afinal, Ele vive no “kairós” – enquanto nós, homens, vivemos no “chronos”.
“Kairós” significa “tempo determinado”, “tempo oportuno” ou “momento certo”. Essa é uma palavra grega muito usada na Bíblia no Novo Testamento para se referir a um tempo definido ou momento específico. “Kairós” é o momento decisivo; é o tempo em que as coisas são conduzidas à oportunidade ou à crise.
“Kairós” trata do tempo em seu aspecto qualitativo; enquanto “chronos” trata do tempo em seu aspecto quantitativo. Em outras palavras, “chronos” expressa a ideia quantitativa e linear do tempo; isto é, o tempo como um período, espaço ou intervalo que tem uma duração e que pode ser medido, contado e estudado. “Chronos” tem a ver com o tempo passageiro, sequencial e cronológico.
Em suma, “kairós” é o tempo de Deus, que não pode ser medido, pois Ele vive na eternidade; enquanto “chronos” é o tempo mensurável, o tempo do calendário e do relógio.
Quando o profeta Samuel ungiu Davi como rei de Israel (1 Sm 16), o trono ainda estava ocupado por Saul, e Davi continuou sendo pastor de ovelhas. Só que, pra Deus, Davi já era o rei.
Para explicar melhor esse cenário de Davi, cito uma frase do pastor Felippe Valadão:
“Davi está no pasto mas no Céu já é rei. Davi está ralando no campo mas no Céu já governa. Davi não tem lugar na mesa mas no Céu já tem um trono. Pegou? O lugar que você está hoje não define quem você é, a unção que você carrega sim.”
Imagina Deus com um controle remoto assistindo um filme: o filme da nossa vida. Com o controle em mãos, Deus pode avançar na hora que quiser. Ele pode ver o “final do filme”. É por isso que, pra Ele, era fato que José era um governador e Davi um rei, por mais que ambos estivessem presos ao presente e não pudessem vislumbrar isso com os olhos naturais.
A Bíblia diz que o mesmo Deus que cuida dos pássaros e dos lírios do campo (Mateus 6:26-30) é o mesmo Deus que já havia escrito no roteiro o acontecimento mais impactante de todos os tempos.
“De fato, Herodes e Pôncio Pilatos reuniram-se com as nações pagãs e os povos de Israel nesta cidade, para conspirar contra o seu Santo Servo Jesus, a quem ungiste.
Realizaram tudo o que, em teu poder e sabedoria, já havia predeterminado que aconteceria.”
(Atos 4:27-28)
É sério que a Bíblia está dizendo que Deus predeterminou a crucificação de Jesus? Sim, a mesma Bíblia que diz:
“Mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós.”
(1 Pedro 1:19-20)
“O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos.”
(Colossenses 1:26)
“E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.”
(Apocalipse 13:8)
Assustado? Sinceramente, assustado eu ficaria se soubesse que Jesus foi uma espécie de plano B, pois o “Plano Original” de Adão e Eva deu errado, pegando Deus de surpresa e fazendo-o acionar o alarme de emergência!
Marcelo Rissma ratifica:
“Pedro, Paulo e João entenderam isso e nos contaram algo extraordinário, que tem poder de eliminar a importância de discussões filosóficas e teológicas sobre o tempo, escolhas e processos da salvação. A criação já nasce no ambiente da redenção! Deus não levou sustos na história, pois sacrifico já havia sido feito antes da queda!
O que eles entendiam é que o evento da crucificação de Jesus de Nazaré já era a Realidade Cósmica sobre a qual todo o Universo se sustenta. Antes de Deus dizer ‘Haja Luz’, Ele disse ‘Haja Cruz’.”
Incrível, não é?
O tempo como o conhecemos não existe pra Deus. É como no filme “Déjà vu” (2006) no qual o protagonista vivido por Denzel Washington consegue voltar no tempo e descobre que, na verdade, ele não mudou o passado, mas estava vivendo aquilo que fatalmente seria o futuro (como na cena em que, no seu tempo presente, ele vê um monte de gazes sujas de sangue; e, quando ele volta no passado, ele toma um tiro, entra numa casa e usa gazes para estancar o sangue; ou seja, as gazes que ele viu no presente era as que ele usou em sua volta no passado). É como no filme “Interestelar” (2013), no qual um astronauta está com sua filha no quarto e, do nada, objetos caem da estante. Na verdade, aquilo aconteceu porque, num tempo futuro, anos após o ocorrido, o pai estava numa missão espacial e entrou num buraco de minhoca (ou ponte Einstein-Rosen) e conseguiu voltar no tempo, mexendo esses objetos pra chamar a atenção da filha. Poderia citar ainda “Flashpoint”, história em quadrinhos da DC Comics, na qual o Velocista Escarlate volta no tempo pra salvar a sua mãe e causa um transtorno sem precedentes no espaço-tempo (pois tudo já estava roteirizado, e de alguma forma ele quis modificar isso).
Precisamos compreender que Deus é soberano. Ele possui todo o controle da História.
“Toda História está nas mãos do Senhor. Tudo o que acontece neste mundo está sob seu controle, sem exceção.”
(Martyn Lloyd-Jones)
Ainda sobre essa questão da soberania divina, o pastor e teólogo John Piper disserta:
“Há uma grande citação de (Charles) Spurgeon sobre ciscos de poeira. Você pode nem saber o que é um cisco de poeira, mas quando eu me levanto de manhã no meu quarto, tem uma janela ao lado da cama aqui, e um raio de luz estará brilhando por ela, em certas épocas do ano quando me levanto. Agora, quando eu olho através da escuridão, eu não vejo nada, mas quando eu olho através do raio eu vejo a poeira no quarto. (...) E Spurgeon diz que cada uma dessas partículas está mantendo sua posição e movimentando-se pelo ar pela ordenação de Deus.
Agora, a razão porque eu acredito nisso é porque a Bíblia diz: ‘O dado é lançado na mesa, e toda decisão vem do Senhor’ (Provérbios 16:33). (...) Por que ele escolheria ‘o dado (ou a sorte) é lançado na mesa’? É porque ele está tentando pensar na coisa mais aleatória que ele puder. E ele diz aquilo. E tal aleatoriedade não é aleatória para Deus. Deus não paga o mínimo imposto para manter cada partícula subnuclear em seu lugar. (...) Tudo o que há no meio da molécula em movimento - e os elétrons -, Ele os mantém em órbita, assim como Ele mantém os planetas em órbita. Então, o macro-mundo e o micro-mundo são direcionados por Deus.”
Outra evidência bíblica desse absoluto controle divino sobre o curso histórico é o sonho de Nabucodonosor, que foi revelado a Daniel e depois interpretado pelo mesmo.
“O senhor teve uma visão na qual viu uma estátua enorme, de pé, bem na sua frente. A estátua era brilhante, mas metia medo. A cabeça era de ouro puro, o peito e os braços eram de prata, a barriga e os quadris eram de bronze, as pernas eram de ferro, e os pés eram metade de ferro e metade de barro. Enquanto o senhor estava olhando, uma pedra se soltou de uma montanha, sem que ninguém a tivesse empurrado. A pedra caiu em cima dos pés da estátua e os despedaçou. Imediatamente, o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro viraram pó, como o pó que se vê no verão quando se bate o trigo para separá-lo da palha. O vento levou tudo embora, sem deixar nenhum sinal. Mas a pedra cresceu e se tornou uma grande montanha, que cobriu o mundo inteiro.”
(Daniel 2:31-35)
Sob essa perspectiva o sonho da estátua teria o seguinte significado:
– Cabeça de ouro: Império Babilônico, de Nabucodonosor (durou de 1792 a.C. até 1750 a.C.);
– Peito e braços de prata: Império Medo-Persa, de Ciro (que durou de 559 a.C. a 331 a.C.);
– Ventre e coxas de bronze: Império Grego, de Alexandre o Grande (que durou de entre 336 a.C. e 323 a.C.);
– Pernas de ferro e pés de ferro/argila: Império Romano (de durou de 27 a.C. a 476 d.C.);
– A “Grande Pedra”: referência ao próprio Jesus Cristo, chamado de “pedra angular” (Atos 4:11), que veio para estabelecer o Reino de Deus, encarnando-se nos dias em que Roma ainda dominava boa parte do planeta.
Em suma, essa visão da estátua demonstra claramente que Deus, que vive no “kairós” (momento oportuno, tempo certo/supremo) possui absoluto controle sobre o “chronos” (tempo dos homens, tempo mensurado pelo relógio e pelo calendário), pois já possuía ciência dos eventos históricos antes mesmo que eles acontecessem.
Por esse motivo, a Palavra declara que Ele é o Alfa e o Ômega (primeira e última letras do alfabeto grego, respectivamente), o início e o fim. Ele sabe o que vai acontecer até o último dia de existência dessa realidade terrena, pois Ele mesmo planejou tudo. Por isso é que o evangelista Billy Graham afirmou: “Eu li a última página da Bíblia; tudo vai acabar bem”.
Ainda sobre essa questão do “kairós” e “chronos”, momento oportuno e dessa janela que se abre em dados momentos entre Céu e Terra. Jesus falou pra Natanael: “Te vi debaixo da figueira”. Leiamos por completo:
“Disse-lhe Natanael: De onde me conheces tu?
Jesus respondeu, e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, te vi eu, estando tu debaixo da figueira.
Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel.”
(João 1:48-49)
Ora, mas como assim Jesus viu Natanael debaixo da figueira? E por que essa palavra foi tão impactante pra Natanael a ponto daquele israelita reconhecer Jesus como o Filho de Deus?
O site Teologar explica:
“Natanael ficou surpreso com a Palavra de Jesus, porque desta forma Cristo deixou claro que seu propósito em salvar Natanael já estava determinado antes mesmo de Filipe o chamar.
Ao nascimento de Cristo, Herodes era governador da Judéia e ao receber a notícia do nascimento do Messias mandou matar todas as crianças de 2 anos para baixo.
Então se considerarmos que Natanael tivesse a mesma idade de Jesus, isso o leva ao cenário destas matanças realizada por Herodes, segundo relatos históricos essa é a historia de Natanael.
Quando começaram os assassinatos, a mãe de Natanael temeu que o seu filho fosse morto pelos soldados, e então ela escondeu o bebê debaixo de uma figueira específica, e enquanto ele estava lá, sua mãe orava a Deus pedindo proteção e para que aquela criança vivesse para ver o Messias.
Em todas as buscas dos soldados, o menino estava envolto a folhas da figueira. Quando Natanael completou 15 anos de idade sua mãe lhe contou como lhe escondera, e somente ele e sua mãe sabiam desta história.
Portanto, quando Natanael pergunta para Jesus de onde Ele o conhecia e Jesus revela seu maior segredo ao dizer que o viu debaixo da figueira, Natanael se vê diante daquele ao qual sua mãe orou para que pudesse conhecer.”
Em suma, Jesus estava dizendo pra Natanael que o viu ainda bebê, e até antes disso, pois Ele formou-o no ventre materno. E, na hora certa (momento oportuno), Deus chamou-o para si, no mesmo “modus operandi” de quando chamou Moisés, tendo sempre o guiado desde quando ele era bebê e estava naquele cesto de junco sendo levado pelas correntezas do rio, até quando foi achado pela filha do faraó do Egito (enquanto ela se banhava no rio, na hora exata em que o cesto com o pequeno Moisés estava passando... coincidência ou “Jesuscidência”?), cuidado pela sua própria mãe biológica no palácio (que foi contratada para ser a ama), e, na hora certa, Deus apareceu por meio daquela sarça ardente e convocou Moisés para cumprir seu propósito (designado desde antes de Moisés sequer sonhar em existir) de ser o líder que atuaria no processo de libertação do povo hebreu do jugo egípcio e o levaria rumo à Terra Prometida.
Deus já tem nosso destino traçado antes do encontro dos espermatozóides com os óvulos. Diz a Bíblia:
“Antes de formá-lo no ventre eu o escolhi; antes de você nascer, eu o separei e o designei profeta às nações.”
(Jeremias 1:5)
No episódio 8 da primeira temporada da série “The Chosen”, é retratado o encontro de Jesus com a mulher samaritana. Cristo estar lá, naquele poço, bem na hora em que a mulher foi retirar água, foi uma grande coincidência ou, como diz um amigo, uma “Jesuscidência”?
Há uma fala marcante de Cristo para a mulher samaritana nesse episódio:
“Eu vim a Samaria só pra encontrar você. Você acha que foi um acidente eu estar aqui no meio do dia?”
Nada é por acaso. Ainda mais quando Deus chama um filho ou uma filha para Si.
Quando eu digo que algo que acontece na Terra é porque já aconteceu antes no Céu, significa dizer que a história está escrita pelo dedo de Deus, e aos poucos vivemos as páginas do script.
O pastor Luciano Subirá ensina:
“Em Hebreus 11:3 diz: ‘Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente’. A palavra que foi traduzida como ‘universo’ não é ‘kosmos’, que normalmente no grego é a palavra usada pra ‘universo’. (A palavra que foi traduzida) é a palavra ‘aión’ (αἰών), e muitas vezes ela dá essa ideia de mundos, dimensões. Ele (o autor de Hebreus) está dizendo que o que se vê (mundo natural) veio a existir a partir daquilo que não se vê (mundo espiritual).
(...) Só que a Bíblia diz que o que se vê veio a existir a partir do que não se vê. Ou seja, o mundo invisível, aos olhos naturais, já existia antes do mundo visível ser criado. Portanto, eu e você precisamos entender que apesar dos nossos sentidos perceberem só esse mundo, isso não significa que o mundo invisível não seja real. Ele é tão real quanto, e se a gente tiver que criar alguma distinção, que seja a mais. Porque o mundo visível veio a existir a partir desse. Foi esse, o invisível, que deu origem ao mundo visível. Quando eu e você reconhecemos que há duas dimensões, e que eu e você somos seres que relacionamos com as duas, a próxima verdade a ser entendida é que cada dimensão tem a sua própria realidade.”
Nessa pregação, o pastor Luciano cita essa passagem a seguir:
“O servo do homem de Deus levantou-se bem cedo pela manhã e, quando saía, viu que uma tropa com cavalos e carros de guerra havia cercado a cidade. Então ele exclamou: ‘Ah, meu senhor! O que faremos?’
O profeta respondeu: ‘Não tenha medo. Aqueles que estão conosco são mais numerosos do que eles’.
E Eliseu orou: ‘Senhor, abre os olhos dele para que veja’. Então o Senhor abriu os olhos do rapaz, que olhou e viu as colinas cheias de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu.”
(2 Reis 6:15-17)
E disserta sobre:
“Meu amigo, ele (o moço) vê o exército angelical, e agora ele entende a declaração de Eliseu: ‘Nós estamos em maior número, não por algo que se constate pela visão humana natural, mas pela percepção da realidade do mundo espiritual’. Agora, porque eu e você convivemos com dois reinos, duas dimensões, o que é que nós temos que entender? Que nem sempre esses dois reinos estão apresentando a mesma realidade. Às vezes a realidade do natural está dizendo: ‘Você tá lascado! O negócio tá feio, tá caótico e vai piorar!’ Mas se você tem o entendimento do reino espiritual, você pode ter acesso a uma outra verdade. Isso não significa que o que está no reino natural não é verdadeiro, mas é verdadeiro numa dimensão. Isso que está no invisível também é verdadeiro em outra dimensão. Agora, qual a diferença entre essas duas verdades? Paulo diz: ‘As naturais são temporais, sujeitas a mudanças. As espirituais são eternas, são absolutas, são imutáveis’. Ou seja, a visível nunca vai mudar a invisível, mas a espiritual pode mudar a realidade visível.
(...) Cada vez que eu e você nos deparamos com uma promessa, nós temos o subsídio suficiente. É Deus dizendo: ‘Usa os meus olhos’. É Deus dizendo: ‘Eu vou te dizer o que eu vi. Eu vou sinalizar qual é o seu futuro. Eu vou te dizer pra onde a coisa vai. Eu vou te dizer o que é que eu vou fazer’. E eu e você acreditamos no que Ele está enxergando, e começamos a usar a visão dEle e visualizar a mesma coisa.”
Quando vivemos a partir da realidade invisível, não somos influenciados pelo visível. Não são mais os jornais que nos guiam, mas as Escrituras. Não é a voz dos homens que dita a nossa vida, mas a voz de Deus.
O pastor Gustavo Paiva explica:
“A Bíblia diz que nós estamos assentados com Cristo Jesus nas regiões celestiais. Essas regiões celestiais são chamadas de terceiro Céu. É onde o trono de Deus está. Então, se existe terceiro Céu, existe um segundo, existe um primeiro.
Então o que seria o primeiro Céu? Seria esse Céu das estrelas, das nuvens, aonde nós vivemos muitas vezes angústia, tribulação, guerras, problemas relacionais.
O segundo Céu é o Céu das guerras, das batalhas espirituais. Sabe quando o príncipe da Pérsia segurou a oração para que não chegasse até Daniel, e Deus manda Miguel e travam aquela batalha e as palavras cheguem até Daniel? Esse é o segundo Céu.
Mas existe o terceiro Céu chamado ‘Céu dos Céus’, é onde está o trono de Deus. E a Bíblia diz que nós estamos aí, assentados com Jesus neste lugar.
Então pensa comigo: se você está vivendo da Terra pro Céu, angústia, depressão, medo, vergonha, tudo está acima de você.
Se você está vivendo da Terra pro Céu, principados, potestades, dominadores, está acima de você.
Mas se você entender que você está assentado com Cristo Jesus nas regiões celestiais, tudo isso está abaixo de você.
Então a grande verdade é que quando começamos a viver uma perspectiva do Céu pra Terra, nós estamos influenciando o mundo que está abaixo de nós com a visão de Cristo.”
Ligou os pontos? Você percebeu que viver mediante a realidade invisível (ou na perspectiva do Céu pra Terra) nada mais é do que viver a história escrita pelo dedo de Deus pra sua vida?
Por isso, grave esta frase: “O segredo está em viver o que já foi escrito”.
Ao mesmo tempo em que não cai uma falha da árvore sem que essa seja a vontade de Deus, não senta um rei no trono que não foi constituído por Ele.
Deus não paga o mínimo imposto para cuidar tanto dos mínimos detalhes quanto dos grandiosos fatos da vida.
O apóstolo Paulo escreveu:
“Todos devem sujeitar-se às autoridades superiores; porquanto, não, há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Ele.
Portanto, quem se recusa a submeter-se à autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos.”
(Romanos 13:1-2)
Tal concepção bate com o que o próprio Jesus Cristo afirmou para Pôncio Pilatos, governador romano da Judéia:
“Não terias qualquer poder sobre mim, se não te fosse dado de cima.”
(João 19:11)
Antes de colocarem a faixa presidencial no peito ou a coroa sobre a cabeça, as autoridades são instituídas por Deus nos Céus.
É de explodir a cabeça, não é?
Agora, a bola está com você: essa verdade (da soberania de Deus sobre absolutamente tudo) te dá medo ou paz?
A boa notícia é que nós somos chamados por Deus para, juntamente com Ele, visualizar a realidade invisível para então mudarmos a visível.
A Bíblia diz:
“Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra.”
(Tiago 5:17)
O que isso significa? Que o profeta Elias acessou a realidade invisível através da oração para realizar algo na realidade visível (o cessar da chuva).
E não adianta tentar argumentar: “Ah, mas Elias era Elias né”. Sabendo desse nosso olhar de inferioridade misturado com idolatria, Tiago fez questão de deixar claro: “Elias era homem sujeito às mesmas paixões”. Em outras palavras: Elias era homem de carne e osso como qualquer outro. Então, se ele conseguiu, nós também podemos conseguir.
Isso que Elias fez não é novidade. A Bíblia é uma história linear. Elias estava apenas acessando aquilo que, séculos mais tarde, Jesus revelaria para o apóstolo Pedro:
“Eu darei a ti as chaves do Reino dos céus; o que ligares na terra haverá sido ligado nos céus, e o que desligares na terra, haverá sido desligado nos céus.”
(Mateus 16:19)
Deus nos deu, enquanto discípulos, as chaves do Reino. Através da oração podemos mudar o visível através do invisível, e acessar verdades eternas que ainda não são realidade na Terra, mas já são no Céu.
E o pastor John Piper também compreende dessa forma:
“É simplesmente incrível que o Deus de toda soberania, o regente do universo, ordenaria que orações causassem coisas. Elas fazem. Orações faz com que as coisas aconteçam, o que não aconteceria se você não orasse.
Por isso que orar é um tremendo privilégio. Se você não tira proveito desse privilégio, de participar com Deus para mudar as coisas em sua volta, que não vão acontecer se você não orar, então você está agindo como um tolo.”
Como lidaremos com o fato de que Deus já escreveu toda a narrativa da humanidade?
E como você vai lidar com o fato de que pode ser parceiro de Deus no curso da História?
Finalizo com os dizeres de E.M. Bounds, um herói da fé que entendeu como poucos a magnitude da oração:
“Deus molda o mundo pela oração. Quanto mais oração houver no mundo, melhor será o mundo e mais poderosas serão as forças contra o mal em todo lugar. Uma das fases de operação da oração é desinfetante e preventiva. Ela purifica o ar; impede a propagação do mal.
A oração não é algo espasmódico e efêmero. Não é uma voz que clama sem ser ouvida ou é ignorada em silêncio. É, sim, uma voz que chega aos ouvidos de Deus e que age enquanto o ouvido de Deus estiver aberto a súplicas santas, enquanto o coração de Deus estiver atuante para o que é santo.
Deus molda o mundo pela oração. As orações não morrem. As orações se perpetuam para além daqueles que as pronunciam; elas sobrevivem a uma geração, a uma época, a um mundo.”
(Referências bibliográficas: http://www.koinonia.org.br/tpdigital/detalhes.asp?cod_artigo=336&cod_boletim=18; https://www.pensador.com/frase/Mjg0NzU1MQ/; https://www.abiblia.org/ver.php?id=11954; https://teologar.com.br/natanael-debaixo-da-figueira/; https://m.youtube.com/watch?v=rAEsRiUBO_8; https://m.youtube.com/watch?v=P_hK5LXaYpI; https://m.youtube.com/watch?v=LlzlgQ9sqqw; https://m.youtube.com/watch?v=zQf0SMsrkco; https://m.youtube.com/watch?v=NlSxhqzPTPs; https://www.jornalintegracao.com/noticia/226/o-mal-destroi-a-si-mesmo#:~:text=A%20figura%20de%20uma%20serpente,o%20da%20no%C3%A7%C3%A3o%20de%20infinito.)
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