QUANDO TUDO VAI “BEM”... CUIDADO!
“Mas o povo preferido do SENHOR é Israel: Jacó e a descendência que lhe coube.
Deus o encontrou perdido numa terra deserta e inóspita, numa região onde viviam animais ferozes. Achegou-se a Israel e dele cuidou, protegeu-o como a pupila dos seus olhos.
Como a águia que desperta sua ninhada paira sobre seus filhotes, e em seguida estende as asas para apanhá-los, carregando-os sobre elas, o Eterno sozinho o levou; nenhuma divindade estrangeira o ajudou!
Ele o fez cavalgar sobre os lugares altos da terra e o alimentou com o fruto dos campos. Ele o nutriu com o mel tirado dentre as rochas, e fez que as oliveiras produzissem bom azeite mesmo em terreno pedregoso, com coalhada e leite do gado e do rebanho, e com cordeiros e bodes cevados; com os melhores carneiros de Basã e com as mais excelentes sementes de trigo, bebeste o sangue das uvas, o mosto do vinho.
Entretanto, Ieshurun, Israel, meu amado, fortalecendo-te desferiste coices; ficaste robusto e corpulento, te tornaste gordo, muito pesado e farto de comida. Desprezaste a Deus, que o fez e rejeitaste a Rocha, que é o teu Salvador!
Com seus deuses estranhos provocaram ciúmes em Deus, com seus ídolos abomináveis o deixaram irado.
Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus; a seres que não têm o poder de Deus, a deuses desconhecidos, divindades que surgiram recentemente, às quais jamais vossos antepassados prestaram adoração.
Abandonaste a Rocha que te gerou; e te esqueceste do Deus que te deu a vida e te fez nascer.
O SENHOR contemplou tudo isso e também os desprezou, por causa da abominável provocação de seus filhos e suas filhas; e afirmou: ‘Esconderei deles o rosto, e observarei o fim que terão; porquanto são geração perversa, filhos infiéis!
A zelos me provocaram por meio de deuses inexistentes, com ídolos e imagens me irritaram; Eu também farei que sofram ciúmes de quem não é meu povo, nem mesmo nação é; com uma multidão de pessoas insensatas Eu os provocarei à ira!’”
(Deuteronômio 32:9-21)
Responda-me uma pergunta, realizada pelo pastor Gustavo Paiva em suas redes sociais: se Deus te der uma cidade, Ele ganha uma cidade ou perde um homem?
Muitas vezes Deus não libera suas bênçãos em nossa vida porque ainda não estamos preparados.
Imagina que Deus te dá uma casa na praia. O que acontece? Ele ganha um (a) filho (a) grato por essa bênção ou Ele perde um (a) filho (a), pois os domingos que antes eram do Senhor agora são passados com o pé na areia e água de coco?
Não estou dizendo que é pecado viajar ou ter momentos de lazer, ou eventualmente se ausentar de um culto na igreja por conta de outro compromisso. Entenda: comer “porcarias” uma vez não vai te fazer perder a saúde. Ninguém entope a artéria porque foi no fast-food uma vez. Trata-se de uma série de vezes, repetidas, que se tornou uma prática.
Muitas pessoas funcionam assim: quando estão passando pelo deserto, com problemas seja de natureza financeira, familiar, acadêmica, de saúde, elas clamam a Deus com fervor e lágrimas. Mas, quando tudo fica bem, esquecem de Deus. É o que a Bíblia diz na passagem acima: dão “coices” no Senhor, descartam-no, jogam Ele pra escanteio.
Deus libertou o povo hebreu de 400 anos de escravidão no Egito. Deus a eles do bom e do melhor: proteção, provisão, bênçãos. Porém, na primeira oportunidade do “ufa, está tudo bem, ‘game over’ pro Egito”, eles largaram a Deus. Não apenas rejeitaram o Senhor, mas se entregaram ao culto a demônios.
É como se você virasse pros seus pais e falasse: “Pai, mãe, vocês serviram pra mim só até quando eu precisava. Me deram escola, casa, alimento. Agora que eu sou dono do meu próprio nariz, não preciso mais de vocês”.
Deus “serviu” pra muitos daquele povo só no momento da libertação da escravidão, só quando eles estavam no deserto e precisavam de abrigo e comida, só quando eles não sabiam pra onde ir e não tinham onde ficar e precisavam de uma terra. Depois que Deus abençoou Seu povo com tudo isso, eles acharam que o Senhor já era dispensável.
Inúmeras pessoas acham que precisam de Deus só quando estão com o extrato bancário no vermelho, ou num leito de hospital, ou quase pedindo o divórcio. Depois que tudo fica bem, viram pra Deus e falam: “Beleza, pode ir, já consegui o que queria”.
É por isso que muitos que oravam com fervor em tempos difíceis, não oram nem aquela oração de “boa noite, Deus” em tempos de bonança.
O mundo espiritual é real, e da mesma forma que Deus quer que você viva os planos dEle pra sua vida, o Diabo também faz de tudo pra você viver os seus planos. Assim diz o Senhor:
“Hoje invoco os céus e a terra como testemunhas contra vocês, de que coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolham a vida, para que vocês e os seus filhos vivam.”
(Deuteronômio 30:19)
E, numa tentativa de nos pegar pra ele, o Diabo tenta nos enganar. Meu amigo, o engano é muito mais do que uma questão mental. A Bíblia diz que existem “espíritos enganadores” (1 Timóteo 4:1). Ou seja, o engano tem um viés espiritual. Muitos que acham que Deus virou um acessório secundário em tempos de quando está “tudo bem” estão sob influência desses espíritos enganadores.
O escritor britânico C.S. Lewis (1898-1963) disse:
“Deus sussurra em nossos ouvidos por meio de nosso prazer, fala-nos mediante nossa consciência, mas clama em alta voz por intermédio de nossa dor; este é seu megafone para despertar o homem surdo.”
Opa, espera aí... quer dizer que, de fato, nossa alma se inclina mais a Deus em tempos de dificuldades? A própria Bíblia indica que sim. É por isso que existe a “escola do deserto”.
Quando Deus quer tratar com alguém, Ele manda essa pessoa (ou povo) pro deserto. O povo hebreu ficou 40 anos no deserto antes de chegar à Terra Prometida (Êxodo 16:35). Mas você sabia que esse trajeto do Egito a Canaã durava cerca de apenas um mês? Então, por que eles ficaram quatro décadas?! É simples: foi o tempo necessário para eles aprenderem de Deus.
João Batista passou um tempo no deserto antes de se manifestar publicamente (Mateus 3:1). Jesus ficou 40 dias no deserto antes de iniciar seu ministério (Mateus 4:1-2).
No deserto, faz um calor escaldante de dia e um frio congelante à noite. Não há água ou comida ao bel-prazer. Há cobras e aranhas escondidas na areia. Há assaltantes à espreita. É difícil se localizar enxergando apenas um monte de areia na sua frente. Enfim, é osso duro de roer.
Deus manda pessoas para o deserto para que elas compreendam que são pequenas, carnais, dependentes e frágeis.
Contextualizando, Ele pode permitir diversos “desertos” na nossa vida para que entendamos que somos pequenos, carnais, dependentes e frágeis.
Todavia, entenda isso: deserto é lugar de passagem, e não de permanência.
O povo hebreu ficou 40 anos no deserto, mas um dia ele saiu. Assim como João Batista e Jesus.
Deus não quer que passemos uma vida inteira no deserto. Deus não quer que passemos uma vida inteira sofrendo pra entender que Ele é Deus e nós precisamos dEle. Ele quer que nós sejamos aprovados, e bola pra frente!
Sabe o que Deus quer? Que tenhamos o coração de Paulo:
“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade.
Tudo posso naquele que me fortalece.”
(Filipenses 4:12-13)
Paulo passou por “desertos” em sua vida, mas ele aprendeu a lição. Tanto é que não precisava de estar em momentos de dificuldade para clamar a Deus com fervor. Seu fervor espiritual era o mesmo tanto em momentos de abundância quanto em momentos de necessidade. O apóstolo aprendeu a ser constante.
Em outras palavras, Paulo manteve a fidelidade ao Senhor mesmo quando estava “tudo bem”!
É isso que Deus quer de nós. Deus quer nos abençoar grandiosamente, mas Ele quer fazer isso na hora certa para não correr o risco de nos perder. Deus não é alguém que fica com um chicote na mão tendo prazer em nosso sofrimento. Pelo contrário, Ele permite sim a “escola do deserto”, mas visando que nós sejamos aprovados, para que então Ele possa nos abençoar sem nos perder!
Seja fiel a Deus, seja em momentos de dificuldade seja em momentos de paz. Não espere chegar a próxima tempestade para clamar a Jesus. Lembre-se: Daniel não começou a orar quando estava na cova dos leões, mas ele já mantinha uma vida de oração antes dessa situação, e por isso teve livramento!
A todo tempo, seja fiel ao Senhor!
(Referências bibliográficas: https://www.instagram.com/p/CrtJYwNL9CK/?igshid=YmMyMTA2M2Y=; https://apologeticavii.wordpress.com/2018/01/16/explicacao-da-rota-do-exodo-hebreu-e-o-porque-dos-quarenta-anos-no-deserto/)
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