SER IGREJA
Texto de minha autoria escrito para o Instagram do Revolução UP, ministério jovem da Primeira Igreja Batista de Juiz de Fora (unidade Zona Norte):
O discipulado de Jesus com os doze não consistia em encontros ocasionais para ministração da Palavra e realização de milagres. Cristo, inclusive, dormia e comia com seus discípulos. Todos viveram intensamente juntos naqueles três anos e meio os quais Jesus exerceu Seu ministério terreno.
Ressalta-se que Jesus não inventou esse tipo de discipulado (tampouco Ele criou o discipulado em si, visto que não apenas no judaísmo, mas na filosofia grega, já existia a relação entre Mestre e discípulo, como no caso de Sócrates e Platão). Na verdade, as escolas rabínicas trabalhavam dessa forma:
“Dentro do movimento dos escribas, por exemplo, de afinidade mais farisaica, existiam duas correntes básicas. Uma era a escola fundada pelo rabino Hilel, citado anteriormente. Ali, um jovem, antes de ser aceito oficialmente por um mestre, deveria se submeter a um estágio de 30 dias para realizar e conhecer as prescrições rituais de purificação. Em outra escola, a de Shamai, esse período se estendia por pelo menos um ano. Embora não tenhamos muita documentação direta do tempo de Jesus, temos informações valiosas no segundo século de nossa época e que podem nos servir de chave interpretativa daqueles tempos. Segundo essas antigas fontes, a partir do segundo século, quando um jovem estava estudando no colégio superior da Beit Midrash, deveria caminhar o dia inteiro e se abster de outros trabalhos, já que o estudo começava no alvorecer e terminava apenas ao pôr-do-sol.
Para aprender novas culturas e adquirir novos conhecimentos, o grupo caminhava de um lugar para o outro, como nômades. Sendo assim, a família do jovem deveria ter uma boa quantia de dinheiro para sustentá-lo durante o período de estudos, afinal, ele não podia trabalhar de maneira braçal. Se não tivesse dinheiro, o estudante deveria ter fé e paciência, pois dependeria totalmente da ajuda voluntária de cidadãos e de aldeias por onde passasse, ou quem sabe das ofertas doadas por famílias mantenedoras daquela escola rabínica em especial, a qual ele pertencia.
Com base nesse processo, podemos entender que não foi estranho, segundo a Bíblia, os apóstolos pararem de trabalhar para seguir a Jesus por três anos e meio. Também podemos compreender que o grupo foi sustentado por pessoas simpatizantes do movimento, sendo muitas delas, cidadãs das cidades por onde Cristo e Seus discípulos passaram.” [1]
A Igreja de Atos seguiu esse mesmo modelo de Jesus: “E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (At 2:46-47).
Ser Igreja vai muito além de compromissos litúrgicos semanais. Ser Igreja significa ter uma vida em comum, ter laços afetivos, ser um com os irmãos ao mesmo tempo que somos um com Deus.
Em seu livro “Uma Vida com Propósitos”, o pastor Rick Warren disserta: “(...) nossa família espiritual – o nosso relacionamento com os outros crentes – irá continuar pela eternidade afora. É uma união muito mais forte, um laço mais permanente do que parentesco de sangue. Sempre que Paulo parava para pensar no propósito eterno de Deus para todos nós, ele rompia em louvores: ‘Quando eu penso na sabedoria e na extensão do seu plano, caio de joelhos e rogo ao Pai de toda a grande família de Deus – alguns deles lá em cima no céu e outros aqui embaixo na Terra’”.
Quando somos intencionais em sermos Igreja conforme os parâmetros bíblicos, experimentamos as maravilhas do que isso proporciona.
Como diz o livro de Gênesis, não é bom que o homem fique só. Sem companhia, as batalhas ficam mais pesarosas, os fardos não podem ser compartilhados, assim como as alegrias. Sendo o ser humano um ser sociável, criado para viver em comunidade (“comum unidade”), a Igreja é não apenas necessária, mas essencial para a nossa saúde espiritual – que desemboca na boa saúde física, visto que o indivíduo é um ser integral.
Desfrute dessa dádiva divina de ser Igreja!
(Referência bibliográfica: [1] https://noticias.adventistas.org/pt/coluna/rodrigo.silva/educacao-nos-dias-de-cristo/)
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