VIVENDO O PROPÓSITO
“Homem-Aranha 2” (2004) é considerado por muitos – críticos e fãs – o melhor filme de super-herói de todos os tempos.
Os motivos nem estariam tão relacionados a efeitos visuais ou algo do tipo, mas simplesmente devido à história contada.
Peter Parker (Tobey Maguire) está em plena atividade com seus poderes aracnídeos. Todavia, ele percebe que sua vida como Homem-Aranha gera uma lacuna em sua vida como Peter Parker, e não apenas ele tem que abrir mão de sua amada Mary Jane (Kirsten Dunst), mas não dá conta de ser um bom aluno na faculdade, é demitido de seu emprego, enfim... é como o homem ou mulher que dedica-se inteiramente à vida profissional a ponto de não conseguir dispor do mesmo afinco com a família.
Em dado momento, Peter cansa disso tudo e literalmente joga no lixo seu uniforme de Homem-Aranha, deixando de ser o protetor de Nova York.
Dessa forma, ele volta a ter uma vida “normal”, tirando boas notas, sendo um bom funcionário, comendo cachorro-quente na rua sem se preocupar com os problemas que acometem a cidade... até que, um dia, sua ficha cai. Ele vira a chave, e redescobre que tem um propósito maior, e que mesmo que tenha que abdicar de praticamente tudo para cumprir sua missão, no final valeria a pena.
O longa segue a chamada Jornada do Herói, elaborada pelo antropólogo Joseph Campbell no livro “O Herói de Mil Faces”, no qual ele observou uma similaridade na estrutura de narrativa de contos e folclores de diversos povos. Por exemplo, algo sempre presente na jornada do herói é a vontade de permanência na zona de conforto, por motivo de medo ou crenças limitantes que impedem de dar vazão a todo o potencial.
Deus tem um chamado pra cada um de nós. Assim como Ele falou para Jeremias (“Antes de formá-lo no ventre eu o escolhi; antes de você nascer, eu o separei e o designei profeta às nações” – Jr 1:5), Ele também nos chama para cumprir o propósito o qual ele estabeleceu em nossa vida antes mesmo de nascermos.
E viver esse propósito requer abrir mão de muita coisa, sair da zona de conforto... em suma, carregar a cruz.
Não adianta negarmos: viver o propósito nem sempre é um mar de rosas. Tanto é que Jonas quis permanecer na zona de conforto ao invés de cumprir o que Deus havia estabelecido pra sua vida. Mas, na hora certa, o Senhor enviou um grande peixe a fim de colocar o profeta exatamente no lugar em que ele deveria estar (Jn 1:17).
É como no filme “Matrix” (1999). É bem mais confortável viver no mundo de fantasia, jogando a sujeira pra debaixo do tapete, fingindo que tudo nessa Terra é colorido. Mas sabemos que é mentira. Vai doer tomar a pílula vermelha? Vai. Confrontar a realidade dói. A verdade dói. Mas é a verdade. Como no Mito da Caverna de Platão, contemplar a luz do sol vai provocar dor nos olhos. Contudo, como diz o ditado: “Remédio ruim é o que cura”.
Dói entender que a cada segundo milhões de pessoas partem dessa vida para uma eternidade de sofrimento e tormento, sem terem a possibilidade de uma saída ou segunda chance. Dói confrontar o fato de que há tanta maldade e injustiça nessa realidade – para comprovar, basta ligar a sua televisão ou abrir os sites de notícias.
Mas é a verdade.
A outra opção seria ficar estritamente no mundo do streaming, do videogame, do shopping e afins e fingir que nada disso existe.
Perceba: nenhum item anterior que eu mencionei é pecado. Mas pode se tornar um, a depender da forma que lidamos. O streaming pode ser um entretenimento ou vício, assim como o videogame. Passear no shopping ou em qualquer outro lugar pode ser um lazer ou uma válvula de escape para os problemas. Se qualquer coisa te deixa alheio da realidade, torna-se pecado. Ou seja, o pecado não está na coisa em si, mas na forma como você lida com ela. É o famoso “Pão e Circo” que distrai enquanto a realidade assola como um trem-bala (e como o Diabo é astuto em distrair!).
Quando deixamos a vida de Peter Parker, quando tomamos a pílula vermelha, quando saímos da caverna, passamos a fazer a mesma oração do reformador John Knox: “Senhor, dá-me a Escócia, senão morrerei!” Nossas prioridades mudam, e entendemos que “tudo o que não é eterno, é eternamente inútil”, nas palavras de C.S. Lewis.
Quem vive pelo livramento, perde o propósito. Você pode escolher não sair da zona de conforto, mas perderá o propósito. Afinal, Deus não te escolheu pra ser mais um (a). Uma lâmpada acesa debaixo de um cesto não serve pra nada! Um sal que perde o sabor é inútil!
Essa vida é efêmera. Não vale a pena abrir mão de um propósito eterno por causa de um conforto momentâneo. Na verdade, o certo a se fazer é exatamente o contrário:
“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz, para nós, um peso eterno de glória mui excelente; Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas.”
(2 Coríntios 4:17-18)
É difícil? É. Dói? Dói. Mas vale a pena. Bem melhor do que viver numa fantasia, em mentiras, em distrações. E o bem que há de vir nem se compara com os problemas da presente realidade.
Pegar a cruz requer abnegação, mas lembre-se: a cruz não é o fim. Depois, tem a ressurreição! Conforme escreveu o apóstolo Pedro:
“Contudo, alegrai-vos por serdes participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também vos alegreis e exulteis na revelação da sua glória.”
(1 Pedro 4:13)
Quem escolhe seguir os passos de Jesus, não apenas sofre como Ele sofreu, mas também participa das alegrias que Ele possui!
Viva o propósito que Deus te deu!
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