CRISTO EM NÓS
A Bíblia começa no Jardim do Éden e termina na Nova Jerusalém.
Isso significa que a linha narrativa do texto sagrado consiste na habitação de Deus em nós e no meio de nós.
O Verbo se fez carne para possibilitar esse elo. Ele é o Caminho.
E, posteriormente, Cristo nos enviou para anunciar essa verdade ao mundo.
Essa verdade, que consiste o Evangelho, pode parecer óbvia para muitos. Contudo, para tantos outros, trata-se de algo familiar, mas esquecido.
Quantos preferem as mãos de Deus ao invés de Sua face? As bênçãos ao abençoador?
Quantos confundem o fato de Deus nos levantar, traçar planos e sonhos pra nós, colocar-nos em altas posições? Se o Senhor faz tudo isso, é com o único objetivo de manifestar o Seu Reino e declarar essa verdade de que Ele quer habitar em nós e no meio de nós.
Quando Deus falou para Abraão olhar para o céu e contar as estrelas, pois grande seria sua descendência, Deus não estava cedendo a um capricho de Abraão, como um pai que dá um brinquedo de presente para seu filho só pra ele parar de fazer pirraça. Na verdade, Deus concretizou a numerosa descendência de Abraão pois dessa linhagem viria o Messias!
Quando Deus fez com que José se tornasse governador do Egito, não foi simplesmente pra José colocar esse grande feito em seu currículo. O objetivo era José abençoar a nação, abençoar aquele povo e sua família!
O mesmo se aplica a Davi. Deus não levantou Davi como rei de Israel só pra ele ficar se achando “o cara”: “De pastor de ovelhas virei chefe de Estado!” Não! Deus fez com que a coroa estivesse na cabeça de Davi para que através de seu reinado terreno, o reinado celestial fosse manifestado.
Enquanto Ana não entendeu que seu sonho era para ser consagrado aos Céus, a fim de cumprir um propósito maior do que simplesmente Deus agir como um gênio da lâmpada e conceder desejos, o Senhor não permitiu que Ana gerasse filhos. Porém, quando a chave virou, Ana deu à luz Samuel, que viria a ser juiz, sacerdote e profeta de Israel.
Deus colocou Daniel com influência no reino da Babilônia para que através dele o Reino fosse manifestado. O mesmo se aplica a Ester, que tinha proximidade e influência com o rei permitidas por Deus a fim de que o povo judeu fosse abençoado. Igualmente, Neemias era copeiro do rei, e tudo desembocaria na sua missão de reconstruir os muros de Jerusalém.
Deus não permitiu que Pedro andasse sobre as águas só pra ele achar que era uma espécie de X-Men. Deus não realizou o avivamento da Rua Azusa só pra galera ficar no “shaba”. Os heróis da fé cujas biografias estão relatadas no livro de Orlando Boyer não estão lá para serem adulados por si só. Tudo aponta para uma coisa: conhecer a Deus e torná-lo conhecido.
A Bíblia diz:
“Cristo em vós, esperança da glória.”
(Colossenses 1:27)
Se estamos respirando, é porque Deus ainda tem um propósito pra nós. E que propósito é esse, óh céus? Muitos arrancam os cabelos em busca desse propósito, mas na verdade é simples: não importa se você é um padeiro, professor, mecânico, atleta, seja lá o que for! Seu propósito é ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-14), é suprir o anseio da natureza criada que “aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam revelados” (Romanos 8:19).
Muitos acham que devem largar emprego, família, tudo pra trás a fim de pregar o Evangelho. Sim, muitos tem um específico chamado missionário para sair de uma localidade e ir a outra a fim de dedicar-se ao ministério em tempo integral, mas nem todos. Além disso, pregar as Boas Novas não consiste apenas neste serviço integral e ministerial. Como ilustra o famoso causo: um sapateiro perguntou a Lutero o que poderia fazer para servir melhor a Deus e ser um cristão melhor. Lutero respondeu: “Faça um bom sapato e venda por um preço justo”.
Voltando ao que estávamos conversando no início, muitos cristãos esqueceram o “por quê” das bênçãos. Acham que Deus concede algo ou levanta um homem como um fim em si mesmo. Acham que Deus colocou José como governador da maior nação do planeta na época só pra José se achar o tal. Esquecem que tudo o que Deus faz aponta para o Reino, que tudo tem um propósito maior, a saber, manifestar Seu nome ao mundo, e Sua vontade de habitar em nossos corações e no meio de nós.
Não há problema algum em falar de prosperidade, porque ela é bíblica.
“E se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.”
(Provérbios 3:10)
O problema é quando invertem a ordem de importância das coisas, e ficam tão fissurados com as bênçãos que esquecem de viver o propósito maior.
Eu te digo: se o Diabo me oferecesse todos os reinos da Terra, todos os banquetes da Babilônia, toda a prata e ouro que existem, eu preferiria a presença do Senhor, pois descobri que “um dia em teus átrios vale mais que mil em qualquer outro lugar; estar recostado à porta da Casa do meu Deus é melhor que morar nas tendas mais ricas dos ímpios” (Salmos 84:10). Muitos ficaram tão embevecidos com o materialismo que esqueceram o prazer incomparável de estar na presença divina! É aí que a prosperidade se torna pedra de tropeço, que as bênçãos são má utilizadas por quem foi abençoado e o porquê maior (o propósito) é jogado pra escanteio.
Poderíamos resumir o assunto na seguinte fala do apóstolo Paulo (ele de novo!):
“Mais do que isso, compreendo que tudo é uma completa perda, quando comparado à superioridade do valor do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem decidi perder todos esses valores, os quais considero como esterco, a fim de ganhar Cristo, e ser encontrado nele, não tendo por minha a justiça que procede da Lei, mas sim a que é outorgada por Deus mediante a fé, para conhecer Cristo, e o poder da sua ressurreição, e a participação nos seus sofrimentos, identificando-me com Ele na sua morte, com o propósito de, seja como for a ressurreição dentre os mortos, nela estar presente.”
(Filipenses 3:8-11)
Portanto, sonde o seu coração. Se Deus te conceder uma bênção, você usufruirá, ficará grato mas continuará a preferir a face do Senhor do que Suas mãos? Se Deus te colocar em uma posição de destaque e relevância, você entenderá o porquê disso ou vai apenas se olhar no espelho e admirar o quão bom você é?
Nunca esqueça do propósito: conhecê-lo e torná-lo conhecido!
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