NÃO É UM ADEUS

Até os meus 8 anos de idade, eu não poderia ter qualquer animal de estimação. Eu tinha uma alergia muito forte a pêlos de animais, determinados perfumes, poeira (e por isso também não podia ter tapete em casa), etc. Na verdade, tenho essa alergia até hoje (trata-se de rinite, sinusite e os “ites” da vida), só que, graças ao tratamento, amenizou um pouco.

Mas eu sonhava em ter um cachorro. Nessa fase, eu ficava brincando com um cachorrinho de pelúcia fingindo que ele era de verdade – coisas de criança.

Foi então que, em determinado dia do ano de 2006, eu e meus pais fomos a uma exposição de cães aqui em Juiz de Fora. Fomos só pra passear mesmo, descompromissados. Porém, em dado momento passamos em frente a uma espécie de gaiola com cães da raça “poodle toy”, todos peludinhos, pequeninos e de cor caramelo. Um deles me chamou a atenção. Brinquei com ele, fiz carinho. Só que, na hora de ir embora, quem disse que ele deixava? Começou a latir, chorar, espernear. E aquilo me tocou. Foi amor à primeira vista!

Perguntei aos meus pais se poderíamos levá-lo pra casa, e num primeiro momento a resposta foi “não”, pois não fomos lá com esse objetivo.

Só que o amor à primeira vista aconteceu com eles também.

Papo vai, papo vem... eles se sentaram pra negociar com a responsável... e, no fim das contas, levamos o cachorrinho.

Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi subir com ele no colo pra mostrar para os meus avós (eles moravam na casa acima de onde eu e meu pai morávamos, bastava subir uma escada pra chegar lá). Minha avó também não tinha toda essa empolgação com cachorro, e eu queria ver a reação dela. Abri a porta mas deixei ele meio que escondido no meu colo. Mas ela falou lá de dentro, sentada no sofá ao lado do meu avô: “Já vi o que você tem aí!” Até que ela gostou, sabe?!

Ah, e o nome dele? Minha mãe que pensou, e talvez seja o nome mais diferente que você já viu na vida: ZHYNK. Ela diz que foi com base em algum personagem de novela televisiva, algo assim.

Lembro-me com perfeição também da primeira noite do Zhynk com a gente. Deixamos ele numa caixa de papelão que improvisou um caminha até que comprássemos uma. Forramos com jornal e tudo. Mas parece que ele não gostou muito, se sentiu sozinho ou queria ficar com a gente, porque chorou durante um bom tempo!

O Zhynk tinha alguns brinquedos como um Horácio (aquele dinossauro verde da Turma da Mônica) de silicone, uma bolinha... Mas ele gostava mesmo é de pegar os panos de chão da casa!

E quando ele tomava banho no petshop e chegava de gravatinha? Quem disse que ele gostava?! Logo dava um jeito de tirar. Assim como ele também não gostava nada de usar roupinha!

Uma certeza nos aniversários aqui de casa é que o Zhynk iria ficar latindo na hora dos parabéns. Ora, era uma forma de ele bater parabéns também!

Falando em latir, o momento que ele mais latia era na hora do almoço. Essa era uma das horas que a gente ficava com os ouvidos doendo! Ele latia insistentemente, até alguém dar um pedaço da comida. E, depois de engolir (não é “comer” não, é “engolir” mesmo, de tão rápido!), ele já estava latindo de novo pedindo. Antigamente, meu avô gostava de brincar com o Zhynk “dando” tudo o que estivesse ao alcance como se fosse comida: controle remoto, saleiro, copo. E o Zhynk ficava bravo, porque ele queria comida!

Há alguns anos, quando reuníamos a família toda no Natal pra fazer amigo oculto, não podia faltar o presente dele devidamente embrulhado, não é?! Afinal, ele fazia parte da família também!

Ontem, no dia 07 de junho de 2023, como de costume subi pra ver minha mãe. Ela estava deitava no sofá, mas acordada. Como sempre fazia, fui mexer com o Zhynk, que estava em sua caminha – um de seus locais preferidos, diga-se de passagem! Embrulhadinho entre as cobertas pra se proteger do frio. Mas, quando olhei pra ele, percebi um aspecto diferente. O olhinho entre-aberto, meio sem vida, assim como a mandíbula um pouco aberta e rígida.

Naquele momento ele já tinha descansado.

Estava bem idoso. 17 anos!

Nos últimos dias, ele não comia, fazia suas necessidades numa fralda que meus pais improvisaram, e passava o dia deitado.

Sim, ele era um integrante da família. E a dor da perda é grande como... perde alguém da família!

Mas, no fim das contas, o que prevalece são os sentimentos positivos como a gratidão e alegria.

Gratidão a Deus pelo tempo que o Zhynk ficou conosco (17 anos não são 17 dias, e todos se assustavam quando ouviam que ele tinha quase duas décadas de vida, que pra um animalzinho de estimação é tempo demais da conta).

E alegria porque sei que vou revê-lo.

Sim, no Céu existirão animais.

Adão e Eva viviam no Jardim do Éden em meio à natureza e aos animais.


“Deus fez os animais, cada um de acordo com a sua espécie: os animais domésticos, os selvagens e os que se arrastam pelo chão.

E Deus viu que o que havia feito era bom. Aí ele disse:

— Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco. Eles terão poder sobre os peixes, sobre as aves, sobre os animais domésticos e selvagens e sobre os animais que se arrastam pelo chão.

Assim Deus criou os seres humanos; ele os criou parecidos com Deus. Ele os criou homem e mulher e os abençoou, dizendo:

— Tenham muitos e muitos filhos; espalhem-se por toda a terra e a dominem. E tenham poder sobre os peixes do mar, sobre as aves que voam no ar e sobre os animais que se arrastam pelo chão.”

(Gênesis 1:25-28)


O que é o Céu senão um retorno ao Jardim?

Não é à toa que Jesus é chamado de “segundo Adão” (1 Coríntios 15:45-47).

Outro detalhe: a mesma árvore da vida de Gênesis aparece em Apocalipse.


“E no meio do jardim estavam a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal.”

(Gênesis 2:8-9)


“Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei o direito de comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.”

(Apocalipse 2:7)


Adão e Eva viviam no Céu, porque o Céu é onde Deus está. A vida eterna é conhecer e estar com Deus (João 17:3)!

Ademais, o profeta Isaías oferece uma pequena mas profunda descrição da eternidade:


“O lobo conviverá com o cordeiro e o leopardo repousará junto ao cabrito. O bezerro, o leão e o novilho gordo se alimentarão juntos pelo campo; e uma criança os guiará.”

(Isaías 11:6)


Ou seja, além dos animais existirem na vida eterna, a configuração dessa fauna será diferente do que estamos acostumados nessa realidade terrena, pois não haverá predação.

Gosto de como C.S. Lewis insere os animais em “As Crônicas de Nárnia”. Inclusive, eles falam nessas histórias!

Não há porque duvidarmos que os animais estarão no Céu. Primeiro porque a Bíblia jamais afirma isso, e segundo porque a própria Bíblia nos dá base para assim acreditar, como nos versículos mencionados acima.

Ah, tem um terceiro ponto também: pra você desfrutar da vida eterna, precisa estar na Vida. Depositar fé no sacrifício vicário de Jesus e crer nEle como único e suficiente Salvador é o que garante a nossa salvação. Entretanto, os animaiszinhos não tem espírito (ou alma, a depender da sua visão teológica), não tem aquilo que Deus soprou exclusivamente no homem. Então, quando eles fecham os olhos aqui, automaticamente já parte pra eternidade!

Dito isso...

Até logo, Zhynk!




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