NETWORKING CELESTIAL

Um dos temas mais proeminentes da Teologia Clássica, além do Problema do Mal, Calvinismo e Arminianismo (soteriologia), consiste na tensão entre Soberania Divina e Responsabilidade Humana.

Sendo uma pauta debatida há mais de um milênio, jamais conseguiremos esgotá-la.

Nesse sentido, é natural cometermos excessos, ainda que pequenos.

Com isso, quero dizer que não podemos convergir para os extremos, isto é, não se pode colocar a Soberania Divina em tal patamar que anule a Responsabilidade Humana (sobre o aspecto do pecado, por exemplo) e vice-versa.

Um exemplo bíblico é o caso do profeta Jonas. Ao fugir da ordenança divina de pregar em Nínive, a consequência foi ser lançado ao mar e engolido por um grande peixe.

Um texto do Missão em Movimento destaca:


“Isaías 40:26 expõe a obediência das estrelas diante da convocação do Senhor. Nós, porém, escolhemos nos ocupar com outras atividades e não respondemos a esse chamado.

O que não nos atentamos é que o próprio Senhor da missão assegura o sucesso desta tarefa e por isso devemos caminhar em obediência e serviço a ele.

Lembre-se, Deus provê os meios para os quais sua vontade será alcançada.”


Vamos lá: era responsabilidade humana por parte de Jonas viver o seu chamado, mas ele fugiu. Todavia, entra em ação a soberania de Deus, que ao convocar Jonas, já havia se certificado que Seus planos iriam se cumprir.

Se Jonas pudesse decidir por si só, isso anularia a Soberania Divina. Se Deus tivesse usado uma pedra ou um pássaro para pregar a mensagem em Nínive, não existiria a Responsabilidade Humana.

O que eu ressalto aqui é que Deus nunca se frustra, e Seus planos e desígnios sempre se cumprem.

Acho que fazer networking é algo positivo. Se você tem uma laranja e eu tenho um espremedor, juntos podemos fazer um belo suco. Porém, o que me preocupa é fazer do networking um novo deus, como algo do tipo: “Se você não se conectar com as pessoas certas, não vai viver o seu destino”. Ora, tal afirmação coloca toda a carga em cima da Responsabilidade Humana.

Vejamos o exemplo de José:


“Portanto, não foram vocês que me mandaram para cá, mas foi Deus. Ele me pôs como o mais alto ministro do rei. Eu tomo conta do palácio dele e sou o governador de todo o Egito.”

(Gênesis 45:8)


José não disse que foi graças ao networking construído ao longo de sua trajetória que ele foi parar no trono do Egito (até mesmo porque ele foi esquecido por quem um dia havia estendido a mão). José reconheceu que Deus era o grande responsável pelo cumprimento das promessas em sua vida.

Alguém pode falar: “Ah, mas o episódio em que o paralítico foi ajudado por amigos para que pudesse chegar até Jesus é um exemplo de como o networking é importante”. Essa passagem está em Marcos 2:1-12. Ok, mas há a história de um outro paralítico que não tinha um amigo sequer, e mesmo assim chegou ao centro da vontade de Deus (ou melhor, o centro da vontade de Deus chegou até ele):


“Um dos homens que ali se encontravam estava aleijado havia trinta e oito anos. Quando Jesus o viu e soube há quanto tempo estava doente, perguntou-lhe: ‘Queres ficar curado?’”

(João 5:5-6)


Aquele homem não viveu seu milagre graças ao networking. Na verdade, Jesus foi até ele!

O pastor Deive Leonardo ressalta:


“Se você não tiver amigos com você que te levem até o milagre, fica tranquilo, na ausência de amigos o teu milagre vai caminhar até você!”


Ei, não estou dizendo que Deus não usa pessoas para nos abençoar. Estou afirmando que acima do networking dos homens, há o networking celestial, no qual Deus mesmo se conecta conosco para assegurar que todas as suas promessas, todos os seus planos, propósitos e missões para nossa vida se cumpram!

Jonas descobriu algo que o salmista traduziu em palavras:


“Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá.”

(Salmos 139:7-10)


Ou seja, não tem como fugir de Deus e de Sua vontade. Deus nunca fica “chateado” no trono e bate com a palma das mãos nas coxas dizendo, decepcionado: “Poxa, vida! Eu queria tanto que ‘fulano’ tivesse vivido o propósito que eu designei pra ele, mas ele não quis, me virou as costas!” Deus não se frustra, Deus não tem plano B. Tudo o que Ele planeja, sai do papel!

Então, que nossa primeira preocupação seja a conexão com o Senhor, com os Céus, porque isso é mais do que suficiente para o sucesso de nossa vida!




(Referências bibliográficas: https://www.instagram.com/p/CrombDEuB6a/?igshid=NTc4MTIwNjQ2YQ==; https://m.youtube.com/watch?v=qxFWILjuiJs&pp=ygUORGVpdmUgbGVvbmFyZG8%3D)




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