MANTENDO O FOGO ACESO
Sabe-se que a Teologia Sistemática consiste em tecer afirmações (construir doutrinas) a partir de uma verdade que se faz observável em toda a Escritura. Exemplo: uma afirmação deve ser coerente não apenas com o livro ou contexto no qual se encontra, mas sim em toda a narrativa bíblica – de Gênesis a Apocalipse.
(Referências bibliográficas: https://www.facebook.com/brotherbibliaarte/photos/pcb.2000425100274082/2000424763607449/?type=3&theater; https://revistaimpacto.com.br/o-poder-dunamis-para-todos/; https://m.youtube.com/watch?v=eFBwuTXwbXY)
Uma dessas verdades se refere a “manter o fogo aceso”. Mas o que isso significa?
Vejamos:
“Mantenha-se aceso o fogo no altar; não deve ser apagado. Toda manhã o sacerdote acrescentará lenha, arrumará o holocausto sobre o fogo e queimará sobre ele a gordura das ofertas de comunhão.”
(Levítico 6:12)
Quando Moisés subiu o Monte Sinai, dentre as instruções divinas dadas ali, estava a instrução para a construção do Tabernáculo. O modelo dado a Moisés deveria obedecer em detalhes o projeto a ele revelado no monte (cf. Êxodo 25:8-9). E um desses detalhes era manter o fogo aceso no altar.
Por que Deus se preocuparia com uma chama que não cessava de arder? Na verdade, esse detalhe apontava para algo ainda maior.
Vamos realizar um salto temporal a fim de demonstrar um paralelo. Na Parábola das Dez Virgens (Mateus 25:1-13), é dito o seguinte:
“O Reino dos céus será, pois, semelhante a dez virgens que pegaram suas candeias e saíram para encontrar-se com o noivo. Cinco delas eram insensatas, e cinco eram prudentes. As insensatas pegaram suas candeias, mas não levaram óleo. As prudentes, porém, levaram óleo em vasilhas, junto com suas candeias.”
(Mateus 25:1-4)
Jesus, ao contar a parábola, já nos revela o mistério logo no início. O erro das virgens néscias foi “não levar óleo”.
Vamos lá. Como o sacerdote manteria acesa a chama do altar? Alguns poderiam responder: “Colocando fogo todo dia”. Mas, na verdade, não. O próprio versículo dá a resposta: “Toda manhã o sacerdote acrescentará lenha”.
Agora, faça um paralelo.
O papel do sacerdote era colocar lenha. As virgens prudentes levaram óleo.
O escritor e ministro escocês George MacDonald (1824–1905) disse:
“Para manter uma lâmpada acesa temos de continuar colocando óleo nela.”
Para quem ainda não entendeu: o papel do homem é colocar lenha/óleo, enquanto o papel de Deus é colocar o fogo.
Na Bíblia, “fogo” significa poder: quando Deus se manifestou a Moisés através da sarça ardente (Êx 3:2); a coluna de fogo que guiava o povo hebreu à noite pelo deserto (Êx 13:21); quando o fogo dos céus queimou o altar do sacrifício do profeta Elias (1 Reis 18:38); quando João Batista diz que ele batizava com água, mas que depois dele viria alguém (Jesus) que batizava com fogo (Mt 3:11); quando o Espírito Santo desceu com poder e batizou-os com línguas de fogo (At 2:3); os olhos de Jesus que são como chamas de fogo (Ap 19:12); quando é dito em Atos 4:33 que “Com grande poder (dunamis) os apóstolos continuavam a testificar da ressureição do Senhor Jesus e grande favor estava sobre eles”, “Dunamis” é a palavra grega para “poder” e é encontrada 120 vezes no Novo Testamento. Da mesma raiz, temos as palavras “dinamite” ou “dinâmico”.
Já a lenha é obrigação do sacerdote, e o óleo da virgem prudente.
Em suma, quando fazemos nossa parte (colocar lenha/óleo), Deus faz a dEle (enviar fogo).
Estes dois elementos juntos proporcional uma caminhada com Cristo em plenitude.
A Florianópolis House of Prayer (FHOP) realiza oração e adoração 24 horas. Como eles mantêm essa chama acesa ininterruptamente há tantos anos? Daniel Alencar, no HUB Podcast, falou algo interessante sobre:
“Eu descobri que é aquela velha ordem de Deus que o fogo deverá continuar continuamente arder no altar e o sacerdote tinha que ir lá jogar lenha, jogar lenha, jogar lenha. Então, essa lenha é o conhecimento de Jesus. É você estudar sobre Ele, se relacionar com Ele. Então, no dia que essa lenha parar de queimar no altar, a adoração deles lá vai acabar com certeza. Então, é por isso que sempre tem conferências, preletores, estudos. Porque essa revelação de Jesus faz a coisa continuar fluindo.”
Nesse sentido, a lenha (conhecimento sobre Jesus) proporciona o fogo (experimentação do sobrenatural).
Essa verdade se aplica à nossa caminhada diária com Cristo. Em seu livro “O Vinho Novo”, Mark Shubert disserta (págs. 44-47):
“ ‘As eiras se encherão de trigo, e os lagares transbordarão de vinho novo e de azeite.’ (Joel 2.24)
No Velho Testamento, há pelo menos 22 passagens onde grão, vinho e óleo são listados juntos. Joel 2.19b diz: ‘Eu vos envio o trigo, o vinho e o azeite, e tereis fartura deles’. Aqui, vemos que o grão, o vinho e o óleo juntos são um tipo de bênção do Senhor para o Seu povo. Em outras passagens, vemos o dízimo do grão, vinho e óleo que eram a bênção de Deus para Seus sacerdotes (Neemias 13.12; Números 18:12).
Obviamente, a bênção do Senhor representada por esses três elementos é significativa na Bíblia. Se examinarmos essa ‘bênção’ mais de perto, fica claro que grão, vinho e óleo se referem à bênção sacerdotal do pão e vinho, uma vez que grão e óleo eram os ingredientes base, no Velho Testamento, para se fazer pão.
‘Pão sem fermento, bolos sem fermento amassados com azeite, e bolachas sem fermento, untados com azeite; tu os farás de flor de farinha de trigo.’ (Êxodo 29.2)
O grão era moído para fazer farinha e misturado com óleo para a fabricação do pão, o item básico de alimentação em Israel, na antiguidade. O óleo é um símbolo bíblico claro do Espírito Santo e da unção. Unção significa, especificamente, derramar ou esfregar óleo.
‘Então Samuel pegou o vaso de azeite e o ungiu diante de seus irmãos; e, daquele dia em diante o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi...’ (1 Samuel 16.13 – gritos do autor)
‘O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu... (Isaías 61.1a – grifo do autor)
‘[...] a Jesus de Nazaré, como Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder.’ (Atos 10:38a – grifo do autor)
A combinação do grão com o óleo no pão fala da necessidade da unção do Espírito de revelação no estudo e ensino de doutora bíblica. 1 João 2.27 diz que ‘a unção vos ensina todas as coisas’. É o Espírito de revelação, o ‘óleo’ do Espírito Santo, misturado com o grão da doutrina que trás a Bíblia à vida.
Há muitos anos, eu tive um amigo em Orlando, Flórida, que nunca recebeu a Jesus. Ele era um intelectual estudioso por natureza. Curioso sobre o Cristianismo, ele leu a Bíblia toda em um período bem curto de tempo. Depois que terminou a leitura, de um ponto de vista totalmente intelectual, ele me disse: ‘Mark, honestamente, esse livro não significou absolutamente nada para mim. Não fez nenhum sentido’. Ele examinou a Bíblia de uma forma estritamente acadêmica, e o seu conteúdo não o tocou em absoluto. A Bíblia é um livro espiritual, e precisa ser entendida espiritualmente. O óleo precisa ser misturado com o grão para que seja palatável e digerível. É o óleo da unção, o Espírito de revelação, quem torna a Bíblia possível de se entender e relevante para nossas vidas.
Infelizmente, muitos cristãos se aproximam da Bíblia como aquele meu amigo. Eles leem a Bíblia por obrigação ou de forma totalmente intelectual. Consequentemente, eles não recebem absolutamente nada dela. Eu mesmo vivi assim por muitos anos. Eu li a Bíblia inteira inúmeras vezes. Estava até mesmo no ministério e tinha uma série de sermões escritos, os quais eu sabia pregar, contudo, eu não conhecia as Escrituras realmente pelo Espírito de revelação.
Então, chegou um momento quando Jesus me colocou no meio de um grupo de homens que carregavam o ‘Espírito de revelação’. Embora eu tivesse lido a Bíblia por anos, quando eu estava sentado com esses homens, e os ouvia expondo as Escrituras, comecei a perceber coisas que não tinham sido reveladas a mim antes. À medida que os ouvia ensinar os mesmos versículos que eu havia lido por anos, eu aprendia coisas que nunca tinha visto antes. Era como se uma venda tivesse sido removida dos meus olhos. Eu comecei a ver mistérios revelados na Bíblia, e cada camada de nova revelação abria um novo entendimento de outras passagens também. Era como se cada nova revelação formasse uma base para entender outra coisa nova. Desde então, estudar as Escrituras tornou-se algo como subir a escada de uma construção bem alta. Quanto mais alto eu subo, mais longe eu posso ver. Cada nível que entendo capacita-me para entender algo mais. A Bíblia é uma eterna fonte de vida, força e sustento, mas precisamos do óleo da revelação para digerir o grão da doutrina.”
Portanto, a Bíblia deve ser lida mediante esses dois aspectos: o óleo da revelação para que o grão da doutrina seja devidamente digerido.
Que possamos fazer a nossa parte de colocar lenha no altar e óleo na lâmpada, pois certamente Deus fará a parte dEle de vir com o fogo do Alto!

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