VOCÊ É O QUE VOCÊ COME

A sabedoria popular é incrível, não é?! Não é à toa que a Bíblia contém um livro exclusivamente dedicado à literatura sapiencial (no caso, do povo de Israel): Provérbios.

E o ditado “você é o que você come” exprime verdades.

Desde o início da minha conversão eu ouço uma famosa história que provavelmente se você pertence a alguma igreja deve ter conhecimento. É o seguinte: dentro de nós há dois lobos, e sobrevive aquele que é mais alimentado.

A história é simples, mas a moral é profunda: se nossa carne for mais alimentada, ficaremos mais voltados às coisas carnais; se nosso espírito for mais alimentado, ficaremos mais voltados às coisas espirituais.

Eu não creio numa divisão do ser humano entre “carnal” e “espiritual”. Na minha visão, o ser humano é um ser integrado. No livro “O Reino de Ponta Cabeça”, o autor Donald B. Kraybill argumenta:


“Não temos dois evangelhos. Não temos um evangelho espiritual ‘e’ um social, um evangelho de salvação ‘e’ um de justiça social. Em vez disso, temos um único e integrado evangelho do reino. ‘Esse’ evangelho funde as realidades social e espiritual em uma só. Jesus une o espiritual em um todo indivisível.

Por um lado, Ele diz que a verdadeira fé está ancorada no coração - não no dízimo, no sacrifício, na purificação ou em outros rituais externos. Nesse sentido, Ele espiritualiza a fé religiosa. Por outro lado, Jesus argumenta que a fé em Deus é sempre expressa em atos tangíveis de amor ao próximo. Ele estava, em resumo, acabando com nossas categorias de espiritual e social. Na visão de Jesus, elas são um tecido sem costura, que não pode ser rasgado ao meio.”


Isto é, tal separação entre “vida espiritual” e “vida material/cotidiana” inexiste nas Escrituras, pois esta nos convida a unirmos os dois conceitos.

Todavia, para fins didáticos e de entendimentos, vamos adotar essa linguagem bipartite.

Quando se faz jejum, por exemplo, consiste numa supressão do “lobo carnal” para que o “lobo espiritual” se sobressaia.

Dizem as Escrituras:


“Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente.”

(Salmos 16:11)


Para que as delícias da destra do Senhor sejam experimentadas, os banquetes da Babilônia precisam ser rejeitados.

Ninguém vai numa churrascaria depois de se esbaldar com um banquete.

Não se está afirmando que Deus não pode ser vivido na cotidianidade (numa teologia do ordinário), mas será que uma abstenção do aspecto mundano não poderia provocar um maior “sabor” nas coisas celestiais?

A Ciência já demonstrou que somos influenciados pelo externo. Há a célebre experiência do pote de arroz, por exemplo:


“Uma professora de Curitiba decidiu provar aos seus alunos os poderes positivo e negativo das palavras. Ela fez um experimento usando dois potes de arroz cozido. Para um, foram ditas palavras positivas e para o outro, negativas.

No pote ‘do amor’, o arroz fermentou naturalmente. No pote do ódio, os grãos emboloraram. A experiência da professora de educação física Ana Paula Frezatto Martins foi feita com base em um experimento do cientista japonês Masaru Emoto.”


Nesse sentido, experimente passar algumas horas de frente pra TV consumindo notícias trágicas, conteúdos lascivos e violentos. Veja qual “lobo” será melhor alimentado.

O problema é que muitos querem estar voando espiritualmente se dedicando a maratonar streaming durante horas e, em contrapartida, ler a Bíblia e orar durante minutos.

É conhecida a história de que a Lamborghini não produz comerciais para a TV devido ao fato de que, conforme apontam, seu público não consome esse tipo de mídia.

É claro que não se pode fazer uma generalização, senão eu mesmo estaria me contradizendo, pois apesar de não assistir muita televisão, gosto de alguns conteúdos (jogos de futebol, a Rede Super, TV Câmara, etc.). Mas o cerne da questão é que, realmente, não é saudável consumir apenas um tipo de conteúdo.

O pastor Leonard Ravenhill (1907-1994) afirmou:


“Como você pode derrubar as fortalezas de Satanás, se você não tem nem a força para desligar a TV?”


Vamos lá. A Bíblia sempre alerta acerca de não darmos ouvido à voz da multidão. O povo hebreu preferiu dar ouvidos ao relato negativo dos espias a respeito da Terra Prometida (disseram que ali havia gigantes e que era uma cidade fortificados) do que confiar na promessa de Deus, sendo que apenas Josué e Calebe mantiveram-se firmes (cf. Números 13:25-33).

Quando Jairo, o principal da sinagoga, foi pedir ajuda a Jesus para que Ele curasse sua filha, ela estava muita enferma, mas ainda viva. Quando eles chegaram na casa, a menina já tinha ido a óbito. Inclusive, o velório já estava acontecendo. Falaram para Jairo não incomodar mais o Mestre, pois segundo eles não havia mais o que fazer. Quando Cristo disse que, na verdade, ela estava apenas dormindo, a multidão riu. Se Jairo tivesse ido na onda da multidão, ele teria desistido e achado que Jesus tinha demorado e/ou chegou tarde demais. Mas não deu ouvidos à multidão e manteve sua fé firme em Jesus, e consequentemente, viu o milagre acontecer (cf. Lucas 8:41-56).

Como você vai ter esperança ficando o dia inteiro consumindo notícias ao invés de consumir as Boas Novas? Como sua fé será alimentada se você gasta tempo no streaming mas não investe tempo de qualidade na Presença? Às vezes falamos que parece que Deus se calou, mas será que não somos nós que estamos abafando a Sua voz devido ao alto volume da voz da multidão?

Qual lobo você tem alimentado mais?




(Referência bibliográfica: https://g1.globo.com/google/amp/pr/parana/noticia/palavras-de-amor-e-odio-fazem-parte-de-experiencia-e-mudam-forma-de-arroz-em-escola-do-parana.ghtml)




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