ÍMPETO PERSCRUTATIVO

Há de se convir que o arcabouço teológico doutrinário do milenar Cristianismo é imbuído de uma variedade de aspectos, sendo essa não oriunda meramente de vertentes de divagações humanas, mas que antes refletem uma natureza do próprio Deus.

Mamíferos antagônicos na cadeia alimentar da fauna conhecida encontram convergência no texto sagrado ao embasarem arquétipos jungianos referentes ao Ser necessário que apresenta-se a Abrão – o “cordeiro” e o “leão”.

Sendo esse Ser sabiamente classificado por Karl Barth como “Totalmente Outro”, evidencia-se que a presunção da apreensão integral do cerne do Ser em questão pela cognição e esforços etimológicos seriam vãos nesse sentido.

Se Martyn Lloyd-Jones tecia palavras críticas a respeito do hiperbólico decoro litúrgico – não como sinônimo da ordem e decência, antes, da supressão do agir pneumático –, o mesmo se vale para a secundarização do intelectualismo e racionalidade em determinados contextos eclesiásticos.

Se poder-se-ia ratificar os dizeres de Chesterton a respeito de São Tomás de Aquino no tocante à inferência do “Logos” na espessa obra aristotélica, isto posto explicita-se dois aspectos fundamentais: o da graça comum e o da iluminação metafísica das funções racionais.

O primeiro se daria por mera constatação mediante a observância de que a transcendência não se restringe a sistematizações de quaisquer naturezas (institucionalizadas e/ou dogmáticas).

Em segundo momento, levando em consideração a conclusão platônica ante a Beleza necessária refletir-se na beleza contingente, essa por sua vez não detentora do belo intrínseco, entretanto tão somente recipiente deste belo, o conceito aplicar-se-ia às funções cognitivas no quesito de que uma notável funcionalidade de tais mecanismos não seriam dignos de alguma meritocracia singular. Contudo, há de se reconhecer que tais funções tão somente consistem em alvos da incidência do que lhes é superior.

Finalmente, ao Homo sapiens foi outorgado o ímpeto perscrutativo, divagativo e questionativo – o “existencial sobrenatural” de Rahner ou o “imago Dei” do Bereshit –, que naturalmente clamará pelo devido exercício, e não saciado num escopo, transitará a outrem.




(Referências bibliográficas: https://www.em.com.br/app/noticia/especiais/educacao/enem/2016/08/12/noticia-especial-enem,793593/amp.html; “As Dimensões da Espiritualidade Reformada”, pág. 82, Rev. Antônio Carlos Costa; https://www.instagram.com/p/CwSKdVdocnD/?igshid=NTc4MTIwNjQ2YQ==)




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