SUDÁRIO DE TURIM

Nesta semana, houve o marco do aniversário de 90 anos da primeira vez que o Sudário de Turim foi exposto em 400 anos, atraindo multidões de mais de 25.000 pessoas à Catedral de São João Batista, em Turim.

O Sudário é o pano que supostamente enrolou o corpo de Jesus após a crucificação. Segundo a história da Igreja, os primeiros cristãos levaram consigo o Sudário para preservá-lo da perseguição. Desde Jerusalém e ao longo dos séculos, atravessaram Edesa, Constantinopla, Atenas, Lirey, Chambery e, finalmente, chegaram a Turim, onde hoje em dia foi objeto de numerosas investigações, e onde encontraram que este trajeto descrito pela história da Igreja coincide com a procedência dos 57 tipos de pólen que aparecem incrustados no tecido.


Considerações sobre o Sudário de Turim

O Sudário, peça rústica de puro linho, foi confeccionado em tear manual, com técnicas de fiação utilizadas no Oriente Médio na época de Jesus. Vestígios de fibras de um tipo de algodão local, o Gossypium herbaceum, também contradizem a ideia de que o lençol teria sido fabricado entre os séculos 13 e 14 – já que, segundo John Tyrer, pesquisador do Instituto Têxtil de Manchester, essa espécie não era cultivada na Europa durante a Idade Média.

Outro elemento que sustenta a autenticidade do lençol mortuário é o pólen encontrado no tecido. Em 1999, o botânico Avinoam Danin confirmou que o Sudário continha vestígios (do século 8) de plantas que só existiam em Jerusalém. É o caso da espécie Gundelia tournefortii, que teria sido utilizada na confecção da coroa de espinhos.

Uma possível explicação para a formação da imagem é a reação de Maillard, na qual os gases libertados pelo cadáver reagem com a fina camada de celulose das fibras de tecido. Para as marcas não serem cobertas por outras manchas, seria preciso que o corpo fosse retirado da mortalha antes de começar a se decompor – hipótese que se sustentaria com a ressurreição, relatada na Bíblia.

No século 14, para abafar as discussões, o papa Clemente VII declarou que as manchas não passavam de uma pintura que representava o verdadeiro Sudário de Cristo. Mas pesquisas não detectaram vestígios de tinta e sim de sangue, do tipo AB – considerado raro entre os europeus e comum entre os judeus do Oriente Médio. Além disso, as marcas estão apenas numa camada superficial do tecido, o que técnica nenhuma de pintura medieval seria capaz de reproduzir.

O primeiro registro histórico data de 1354, quando o Sudário foi entregue a uma igreja na cidade francesa de Lirey pelo conde Geoffroy de Charnay. O tecido foi fotografado pela primeira vez em 1898, por Secondo Pia – foi a partir da foto que se descobriu a imagem do “corpo de Cristo”. Desde 1973, quando o Vaticano liberou a peça para análises científicas, alguns estudos mostraram que as marcas (frontal e dorsal) são compatíveis com as de um homem crucificado. Imagens 3D feitas por pesquisadores dos EUA em 1978, revelaram detalhes que nenhum falsificador do século 13 teria como produzir.

Em 1988, o Sudário foi submetido a um teste com carbono 14 – um método para descobrir a data em que o material foi produzido. O resultado indicou entre 1260 e 1390, tornando impossível o uso do mesmo por Jesus. Mas novas pesquisas sugerem que resíduos de um incêndio em 1532 podem ter “contaminado” a peça. Resíduos bacterianos também são apontados como causadores de possíveis falhas na datação.

Em 2009, arqueólogos da Universidade Hebraica descobriram, no cemitério de Haceldama (em Jerusalém), uma tumba do século 1 com fragmentos de mantos usados para cobrir mortos da cabeça aos pés, como o Sudário. A descoberta apoia a tese, até então sem suporte arqueológico, de que isso fosse um costume judaico da época.


Evidências descobertas com o estudo do Sudário

I) Cabeça perfurada – A coroa de espinhos não seria uma tiara, como é comumente retratada, mas uma espécie de capacete que cobria toda a cabeça. Os espinhos mediam 5 cm e causaram 72 perfurações

II)Traços faciais – O rosto, a barba e os cabelos que aparecem estampados no lençol apresentam características de um grupo racial semita – o que apoiaria a ideia de que Jesus era judeu

III) Penteado tradicional – O historiador inglês Ian Wilson percebeu nas imagens que o morto usava uma espécie de trança meio desmanchada nas costas. Na época de Jesus, era comum os judeus trançarem os cabelos atrás do pescoço

IV) Marcas de pregos – No pulso e não nas mãos – como se acreditava na época medieval. Com isso, os nervos medianos são rompidos, provocando a retração dos polegares para dentro das mãos

V) Machucados – Ferimentos nos ombros e nas costas indicam que o morto carregou uma barra horizontal e sofreu quedas no percurso, já que apresenta contusões graves no joelho e no nariz


Outras considerações

Do outro lado da história, há afirmações de que datações por carbono 14, feitas em laboratórios diferentes, resultaram em uma data de origem próxima aos séculos 13 e 14 (conforme pesquisa publicada na revista Nature). Todavia, há controvérsias.

A Universidade de Oxford publicou em seu periódico Archaeometry, em março de 2019, um estudo realizado por pesquisadores franceses e italianos que reanalisaram os dados de uma polêmica e famosa pesquisa anterior: aquela que, em 1988, tinha concluído que o Santo Sudário de Turim seria uma fraude histórica. De acordo com a pesquisa de 31 anos atrás, realizada por equipes da Universidade do Arizona, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia e da própria Universidade de Oxford, o Sudário não seria da época de Cristo, mas teria sido confeccionado mais de um milênio após a Sua morte, em algum período entre 1260 e 1390 – ou seja, o Sudário seria uma fraude medieval, com cerca de apenas 700 anos.

A nova equipe de pesquisadores conseguiu na justiça o acesso aos dados da Universidade de Oxford relativos ao estudo anterior. Depois de revisá-los durante dois anos, o grupo anunciou que o estudo de 1988 continha falhas relevantes, principalmente por não ter analisado o Sudário inteiro, mas apenas alguns fragmentos das bordas – justamente as partes que, na Idade Média, tinham sido restauradas para reparar danos provocados por incêndios e intempéries.

Durante a sua permanência na França em 1632, o Sudário foi recuperado de um incêndio na França. Nesse sentido, isto não permitiria aos cientistas da atualidade datar com segurança a sua origem, já que as mudanças químicas que se produzem em uma reação química como a combustão, falsificam os resultados da prova de datação com C-14.

Tristan Casabianca, da equipe responsável pelo novo estudo, afirmou em entrevista ao periódico francês L’homme nouveau que os dados brutos de 1988 demonstraram que as amostras então analisadas eram heterogêneas, o que invalida os resultados. Os pesquisadores consideram que novos estudos precisam ser feitos para se estimar a datação correta. Para tanto, o Vaticano teria que voltar a permitir o acesso de estudiosos ao Sudário.

Outra afirmação contrária a autenticidade da peça é a de que os traços supostamente pertencentes a Jesus Cristo seriam, na verdade, os de um busto do artista Leonardo Da Vinci, projetado no tecido através de uma câmera obscura – uma técnica pioneira de fotografia.

Contudo, o cientista italiano Giuseppe Baldacchini, especialista no Santo Sudário, ressalta que, embora se tenha chegado à conclusão de que a imagem do rosto estampado no Sudário teria sido formada por um “flash” fora do comum (o que, segundo a Bíblia, explicaria o fenômeno da ressureição), a ciência ainda não conseguiu explicar a origem desta luz.

“Meus estudos como físico me permitiram fazer várias hipóteses sobre a possibilidade que a imagem se deva a uma explosão de energia. E esta hipótese foi verificada em um laboratório com o uso de fontes de laser muito particulares”, alegou em entrevista concedida à Rádio Vaticano. Por fim, o cientista ponderou: “Depois de um longo trabalho demostramos que na realidade, em certas condições, esta fonte laser pode produzir as imagens similares ao Sudário. É claro que com esta fonte vem simulada uma explosão de luz. Então ficou corroborado com medidas científicas que um relâmpago de luz havia produzido este Sudário”.

O Sudário de Turim é uma das peças mais formidáveis da História da humanidade, sendo objeto de interessada perscrutação até mesmo por aqueles que não estão no contexto religioso.




(Referências bibliográficas: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-santo-sudario-e-legitimo/mobile; https://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL399171-5603,00-APOS+SUSPEITA+DE+ERRO+FISICOS+VOLTAM+A+ESTUDAR+A+IDADE+DO+SANTO+SUDARIO.html; https://pt.aleteia.org/2019/08/02/santo-sudario-exame-com-carbono-14-que-o-datava-como-medieval-estava-errado/; https://veja.abril.com.br/tecnologia/santo-sudario-pode-ser-foto-de-da-vinci/amp/; https://www.acidigital.com/noticia/28379/fisico-italiano-considera-que-a-imagem-do-santo-sudario-foi-impressa-por-uma-"explosao"-de-energia)




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