“A ÁRVORE DA VIDA” (2011)

Diante de elevadas doses de dopamina, é bom reeducarmos nosso cérebro.

Em uma sociedade do “pronto” e do “instantâneo”, evocando a liquidez denunciada por Bauman, o que faz-se necessário ruminar e passar tempos sob reflexão é bem-vindo em prol da nossa própria saúde.

Terrence Malick sentou nos bancos de Filosofia na Universidade de Harvard e integrou o corpo docente dessa mesma matéria no MIT, além de ser tradutor de Heidegger. Diante dessas qualidades, há de se esperar no mínimo um cinema provocador de sua parte.

E ele entrega isso e muito mais em “A Árvore da Vida”.

Uma obra não-linear, que demonstra desde imagens dos planetas da Via Láctea até das células do corpo humano. De dinossauros a um prédio empresarial. De uma família comum nos Estados Unidos do século passado a um local que podemos presumir ser o Paraíso.

Todos esse elementos envoltos de música clássica e ópera. Versículos da Bíblia e Toscanini. Um parto e um sepultamento.

Falando nesse último aspecto, na minha visão trata-se do cerne do filme.

Malick discorre sobre a vida (que intrinsicamente está ligada à morte). Mas não de maneira a efetuar um tratado filosófico com palavras. Mais do que isso. O faz através da sensação, do sentir, dos sentimentos.

Prova é que o espectador contempla durante alguns bons minutos apenas imagens (do oceano profundo ao espaço sideral), ora com som, ora com silêncio.

É um longa holístico, metafísico, transcendente e que transcende.

Em décadas de carreira, Terrence Malick possui “apenas” algumas produções. Entretanto, por ser mais perfeccionista do que Stanley Kubrick, e preocupar-se com a depuração da obra.

Não é figurinha carimbada de Hollywood. Pelo contrário, é recluso. Talvez, invista tempo gerando uma obra contemplativa como “A Árvore da Vida”.

O enredo seria sobre uma família comum que recebe a trágica notícia do falecimento de um dos filhos. Um pai que tenta melhorar de vida e uma mãe devota ao lar. Crianças que brincam e exploram.

Aparentemente, uma história inocente, simples, pueril.

Todavia, tais elementos são apenas recursos narrativos em prol da genuína temática do filme: a vida.

E a vida sob a ótica da graça, que enxerga além da natureza. Isto é, por detrás do aparente. Além das convencionalidades.

E é justamente com estes olhos que “A Árvore da Vida” deve ser contemplado.



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