UM MUNDO DE DESCOBERTAS
Não sei como será o porvir – pois, conforme as palavras do Nazareno, já basta o mal de cada dia.
Atualmente, ministro aulas de cunho filosófico/teológico, seja de maneira presencial na igreja a qual congrego, seja através da internet (nos meus canais e, e eventualmente, quando sou convidado para ministrar alguma aula).
Pode ser que daqui há décadas eu me encontre lecionando em alguma sala de aula de determinado colégio ou faculdade.
Entretanto, de algo tenho certeza: sempre deverei à Teologia um aspecto que, desde já, constitui-se em elemento fundamental na minha jornada intelectual.
Refiro-me ao ímpeto perscrutativo, ao interesse em apreciar diferentes bibliografias (inclusive antagônicas entre si).
Certa vez, li no Bom Livro:
“Examinai tudo. Retende o que é bom.”
(1 Tessalonicenses 5:21)
Tais palavras me deram o “estalo de Vieira”. Nesse sentido, entendi que, como um bom “sommelier”, fazia parte do meu ofício intelectual apreciar todo e qualquer tipo de obra, e, posteriormente, analisar o que naquele momento valeria a pena reter ou não (claro, podendo acrescentar ou subtrair elementos em eventuais revisitações futuras, com outro grau de maturidade – biológica e cognitiva – e vivência).
Essa lição foi ratificada em minha leitura da obra “O Evangelho Maltrapilho”, de Brennan Manning (p. 89, 90-99, 100), cujo trecho segue:
“A espiritualidade do assombro sabe que o mundo está carregado com graça; que embora o pecado e a guerra, a doença e a morte sejam terrivelmente reais, a presença e o poder de Deus no nosso meio é ainda mais real.
Sob o domínio do assombro fico surpreso, fico extasiado. É Moisés diante da sarça ardente, ‘temendo olhar para Deus’ (Ex 3:6). É Estêvão prestes a ser apedrejado: ‘Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus’ (At 7:56) e Michelangelo golpeando sua estátua de Moisés e ordenando: ‘Fale!’ É Inácio de Loyola extasiado diante do céu noturno. Teresa de Ávila arrebatada por uma rosa. É Tomé descobrindo seu Deus nas chagas de Jesus, Madre Teresa vislumbrando a face de Cristo nos pobres atormentados. São os Estados Unidos emocionados diante dos primeiros passos na Lua, uma criança soltando uma pipa ao vento. É uma mãe olhando com amor seu filho recém-nascido. É a maravilha do primeiro beijo.
O evangelho da graça é brutalmente depreciado quando os cristãos sustentam que o Deus transcendente só pode ser honrado e respeitado adequadamente negando-se a bondade, a verdade e a beleza das coisas deste mundo.
Assombro e arrebatamento deveriam ser nossa reação ao Deus revelado como Amor.”
Assombro e arrebatamento deveriam ser nossa reação ao Deus revelado como Amor.”
Essa “espiritualidade do assombro” dialoga com a reflexão de Sócrates a respeito de a filosofia nascer do espanto (“Teeteto”, trecho 155d). “Espanto” num sentido primário de “maravilhamento”, o mesmo que Manning descreve dos grandes vultos diante de determinado elemento nos parágrafos acima mencionados.
Portanto, foi a Teologia que primeiro ensinou-me a ser curioso, a ler os mais diversos autores e temáticas, a não abrir mão do contato com determinada obra em nome de alguma outra questão (como um partidarismo).
“A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”, segundo Albert Einstein. Quanto mais ideias você tiver contato, maior a sua vastidão intelectual. Quanto mais restrito seu nicho, menor o repertório.
Há um mundo de descobertas. Então, desbravemos!
(Imagem: Eduard von Grützner (1846-1925), “Monk Reading With a Wine Glass”)
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