O CESSAR DA DICOTOMIA ENTRE FÉ E RAZÃO

Eu elencaria como um dos desafios do exercício da espiritualidade cristã na contemporaneidade o cessar da dicotomia entre fé e razão, ou, se formos para além da abstração, entre a profissão de fé e a inserção no meio acadêmico.

O advento do Iluminismo no século XVIII cunhou o termo “razão” como antagônico não talvez ao cerne da fé enquanto metafísica, mas sim como um protesto a regressos institucionais em nome da religião que afetavam o labor intelectual.

Atualmente, há dois lados da moeda: enquanto há fundamentalismos por parte de religiosos que afastam o objetivo do “culto racional” mencionado pelo apóstolo, há também resistências de muitos da esfera acadêmica em aceitar uma harmonia. Todavia, conforme o ditado, não podemos jogar fora o bebê juntamente com a água suja: nem todos os religiosos são fundamentalistas radicais, tampouco a integralidade do academicismo está fechada ao diálogo com os que compõem a Igreja.

O perfil Cristãos na Ciência escreve: “Muitos consideram a universidade como um ambiente hostil e contrário à fé cristã mas, na verdade, ela pode ser um ambiente de grande florescimento intelectual e serviço”.

A postura da Religião deve ser da não invasividade sob justificativa evangelizante, respeitando a cosmovisão alheia (seja religiosa, política, íntima/privada), tal como a disposição da Academia em compreender a Bíblia com um livro singular não apenas no âmbito do cristianismo mas da História da humanidade em geral e, como dizia um autor, caso não haja aceitação da espiritualidade apregoada nas Escrituras, que ocorra ao menos em relação à metafísica de Aristóteles.

Mais diálogo, mais respeito, mais harmonia, de todas as partes (inclusive da religião!), mais amor... pois Deus é amor.



(Referência bibliográfica: https://www.instagram.com/p/C6FEUFhgaC5/?igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==)






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