O EXERCÍCIO DA INTELECTUALIDADE

O exercício da intelectualidade pressupõe um ambiente de debates.

Sejam as ágoras da Grécia Antiga, as cafeterias e salões da Europa ou as redes sociais na contemporaneidade.

E este ambiente, por lógica, possui uma miríade de cosmovisões. E é justamente na convergência delas que novas sinapses são formadas.

Outrora, em rotas comerciais, além das mercadorias também eram trocadas ideias. Mediante a invenção da prensa por Johann Gutenberg, no século XV, essa circulação foi potencializada, não se restringindo à oralidade, aos materiais escassos feitos por copistas ou por eventuais leituras públicas. Com a internet, uma rede mundial de possibilidades de trocas veio à tona.

Portanto, o saber requer a empatia e tolerância para com terceiros, compreendendo que sua visão pode estar equivocada ou incompleta, podendo ser enriquecida com o conteúdo alheio.

Verborragias e pré-conceitos não cabem na esfera da sabedoria.

Conforme escrevera Rubem Alves em um artigo para a Folha, em 17 de maio de 2011: “Esquecer, desaprender: são o oposto daquilo que as escolas e professores pedem aos alunos. Os professores perguntam e os alunos, se tiverem memória boa, respondem e tiram boas notas... Esquecer é o contrário: perder, abrir mão, deixar ir”. Citando o poeta Alberto Caieiro, ele escreve: “O essencial é saber ver - Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!), Isso exige um estudo profundo, Uma aprendizagem de desaprender...’ ‘Procuro despir-me do que aprendi, Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras, Desembrulhar-me e ser eu...’”.






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