TEOLOGIA CONDICIONADA
“(...) para conhecermos a Deus, precisamos sempre de mediações, o que nos impede de, por nós mesmos, falar sobre Deus de maneira adequada; por sua vez, para conhecer-nos, Deus não precisa de nenhuma mediação. Ele sempre tem um conhecimento adequado de todas as coisas, incluindo o de si mesmo. Isso, por si só, já nos coloca em posição de irredutível inferioridade em relação a ele. Nada compreendemos sem espelhos, nem a nós mesmos. Não nos vemos face a face. Você já parou para pensar que jamais se viu sem mediações? Todas as perspectivas que você tem do seu rosto sempre contaram com o auxílio de uma mediação. Você jamais se viu face a face. Em outras palavras, se Deus nos conhece face a face, isso quer dizer que ele nos conhece mais do que nós mesmos nos conhecemos. Como, então, haveríamos de afirmar que podemos conhecer a Deus exaustivamente se nem sequer conhecemos a nós mesmos de forma adequada? Por isso, no limiar dessa condição de humilhação, a tarefa da teologia não poderia ser outra senão a de falar sobre Deus sempre com humildade, pois, como Karl Barth argumentou em seu comentário do ‘Proslogion’ de Anselmo, ‘A teologia não pode evitar nem ignorar o fato de ser condicionada, tampouco deve se envergonhar por causa disso’.”
(MADUREIRA, Jonas. Inteligência Humilhada. Págs. 42-43)
📸: Centro Teológico Prime, 08 de abril de 2024
📸: Centro Teológico Prime, 08 de abril de 2024

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