O QUE É ARTE?
O que é arte?
Num primeiro momento, raciocinemos no contexto do Renascimento. No escopo da arte, constava o termo “perfeição”. Tratava-se de Michelangelo ordenando “Parla!” para sua escultura de Moisés, tamanho o realismo da obra. Ou, então, a anatomia perfeita na mão de Davi, segurando a fenda com as pedras.
A arte era sacra. Possuía um aspecto funcional de tornar visual aquilo que era celestial. Uma espécie de memorial, para que os fiéis jamais se esquecessem da Última Ceia ou da Via Crucis. Funcionalidade também no sentido catequético, de levar as Escrituras para o povo – que não era alfabetizado.
A arte era política. Retratar reis e imperadores, da Rainha Vitória de Franz Xaver Winterhalter a Napoleão Bonaparte por Jacques-Louis David. Perpetuar feitos e personagens, com fins memoriais. Ou, então, propagar e fortalecer regimes totalitários, como a Câmara de Cinema, supervisionada pelo Ministério da Propaganda, alvo de interesse de Hitler e Goebbels.
Há também o cunho social da arte. Tarsila do Amaral e Honoré Dumier, por exemplo, retratam aqueles outrora marginalizados pela produção artística, como operários em vagões de trem.
Chegamos na metade do século XX, com a arte contemporânea, a exemplo de Andy Warhol e sua obra “Beef with Vegetables and Barley” (1968). Valeria classificar como “arte” uma lata de sopa?
Ora, já dizia Gombrich: “Não existe uma coisa chamada Arte. Só existem artistas”.
A questão em voga é a subjetividade do artista. Van Gogh não intentava imprimir um realismo de traços em suas obras (e destaco o “de traços” pois “realismo” possui uma miríade de possibilidades no campo etimológico. O que é real? O que está dentro do artista é imaginário?). Antes, prezava pelo resultado da tela passar pela sua compreensão. Se ele observava uma noite estrelada, o céu era um forte azul e as estrelas com um amarelo singularmente brilhoso, a despeito se a paisagem real era de fato tão fulgaz.
O que Warhol queria manifestar? A lata de sopa como representante da instantaneidade moderna, que se traduz no alimento que precisa ficar pronto em poucos minutos, a fim de atender a outra instantaneidade da produção que não pode parar? Algo relacionado à sociedade líquida denunciada por Bauman? Ou enxergar o belo no ordinário? O olhar para os detalhes como um protesto à mecanicidade retratada por Charlie Chaplin em “Tempos Modernos” (1936)?
Há o conceito do belo. Pois não seria belo o arrebatamento diante de uma lata de sopa tal qual Teresa D’Ávila perante uma rosa?
Nesse sentido, infere-se a arte não como algo meramente funcional, em todas as configurações mencionadas. É a arte como ponto de interrogação e não como ponto final. É a arte como provocadora de perguntas e não fornecedora de respostas. É a arte até mesmo como réplica ao entendimento da “pureza” da arte mesmo – do mesmo molde do Dadaísmo defronte os horrores da Primeira Guerra Mundial. Se a sociedade não é um organismo uniforme, organizado e racional em sua integralidade, por que a arte haveria de ser?
O que Warhol queria manifestar? A lata de sopa como representante da instantaneidade moderna, que se traduz no alimento que precisa ficar pronto em poucos minutos, a fim de atender a outra instantaneidade da produção que não pode parar? Algo relacionado à sociedade líquida denunciada por Bauman? Ou enxergar o belo no ordinário? O olhar para os detalhes como um protesto à mecanicidade retratada por Charlie Chaplin em “Tempos Modernos” (1936)?
Há o conceito do belo. Pois não seria belo o arrebatamento diante de uma lata de sopa tal qual Teresa D’Ávila perante uma rosa?
Nesse sentido, infere-se a arte não como algo meramente funcional, em todas as configurações mencionadas. É a arte como ponto de interrogação e não como ponto final. É a arte como provocadora de perguntas e não fornecedora de respostas. É a arte até mesmo como réplica ao entendimento da “pureza” da arte mesmo – do mesmo molde do Dadaísmo defronte os horrores da Primeira Guerra Mundial. Se a sociedade não é um organismo uniforme, organizado e racional em sua integralidade, por que a arte haveria de ser?
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