EU ENCONTREI O MEU TESOURO

O Reino dos Céus está acessível. O véu no que antes separava o homem da presença de Deus (“No entanto, na segunda parte da tenda, o Santo dos Santos, somente o sumo sacerdote podia entrar, uma vez por ano, e jamais sem apresentar o sangue do sacrifício, que ele oferecia por si mesmo e pelos pecados que o povo havia cometido por ignorância.” – Hebreus 9:7), fora rasgado mediante o sacrifício vicário de Jesus Cristo na cruz do Calvário.

Porém, há algo além.

O profeta Ezequiel descreve-nos uma visão:


“O homem me conduziu pela água e, enquanto caminhávamos, ele ia medindo. Quando percorremos quinhentos metros,ele me levou para o outro lado do rio. Ali a água chegava a meus tornozelos. Ele mediu mais quinhentos metros e atravessamos o rio novamente. Dessa vez, a água chegava a meus joelhos. Depois de mais quinhentos metros, chegava à minha cintura. Então ele mediu mais quinhentos metros e ali a água era um rio fundo o suficiente para atravessar a nado, mas fundo demais para atravessar a pé.”

(Ezequiel 47:3-5)


Nas Escrituras, a “água” também consiste num símbolo do Espírito (Números 19:18-20, Ezequiel 36:25, João 4:14).

Portanto, essa visão do profeta acerca do nível das águas, consiste na interpretação do nível do nosso relacionamento com Deus: podemos estar no nível raso, com as águas batendo nos tornozelos, e ainda possuímos o controle (pensa, por exemplo, em você na praia, na beira do mar, naquela parte em que a maré bate na areia e volta... você pode caminhar, certo? Ir e vir. Ou seja, você está no controle). Ou podemos estar no nível mais profundo, onde a correnteza nos leva, e não temos controle algum. Esse foi o sentido da fala de Jesus pra Pedro: “Digo a verdade: Quando você era mais jovem, vestia-se e ia para onde queria; mas, quando for velho, estenderá as mãos e outra pessoa o vestirá e o levará para onde você não deseja ir” (João 21:18). A referência não era apenas sobre a questão biológica e fisiológica, mas também de maturidade espiritual do apóstolo.

Podemos estar no nível raso (“águas nos tornozelos”), e ainda assim sermos salvos. Afinal, como a Reforma resumiu no “Sola Fide”, basta a fé em Cristo Jesus para sermos salvos. Todavia, há experimentações que estão reservadas apenas em níveis mais profundos... e isso não tem a ver com salvação, mas sim com relacionamento com Deus.

Jesus contou a seguinte história:


“O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo.”

(Mateus 13:44)


Aquele homem mensurou tudo o que ele tinha em comparação com o tesouro achado, e chegou à seguinte conclusão: o valor de tudo o que ele possuía era inferior ao valor daquele tesouro. Contextualizando para os dias atuais, é como se alguém possuísse carro, casa, uma granja, smartphone de última geração, uma conta bancária recheada... e entendesse que tudo isso, somado, era de valor inferior ao tesouro do Reino.

Mas perceba o detalhe: aquele tesouro estava escondido. O homem em questão precisou procurá-lo. Imagina ele, com pá na mão, suando a camisa pra achar aquele tesouro. Deu trabalho!

É nesse ponto que muitos se confundem. Como foi dito, o Reino dos Céus está acessível. Pela graça, podemos nos achegar ao trono. Entretanto, há algo mais. Há algo além.

No livro Os Caçadores de Deus, Tommy Tenney escreve (pág. 63):


“Deus está procurando pessoas famintas o suficiente para receber a Sua presença. Quando Ele vier, você não precisará de anúncios no jornal, no rádio ou na televisão. Tudo o que você precisa é de Deus, e as pessoas virão de longe e de perto, em qualquer noite! Não estou falando de teoria ou ficção – isso já está acontecendo. Tudo começa com a oração dos famintos: ‘Sei que existe mais...’.”


Quer uma evidência bíblica a respeito disso?


“E buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.”

(Jeremias 29:13)


Sim, o véu se rasgou. Pela graça, temos acesso.

Mas há um tesouro, que está ESCONDIDO. Há um nível de profundidade que podemos experimentar.

A conclusão do homem que achou o tesouro, vendendo tudo o que ele tinha, foi a mesma do salmista:


“Melhor é um dia nos teus átrios do que mil noutro lugar.”

(Salmos 84:10)


Se o homem que achou o tesouro pesou na balança e percebeu que todos os seus bens não se equiparavam em valor ao tesouro (Reino), o salmista também chegou à conclusão que viver mil dias em qualquer outro lugar não tinha o mesmo valor do que viver ao menos um dia na presença. Qualidade, e não quantidade.

Minha oração é que possamos achar esse tesouro. Que possamos ir a esse nível mais profundo. Pois, quando chegarmos lá, teremos a mesma percepção do homem da parábola e do salmista: em comparação ao Reino, nada mais importa.



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(Imagem: Parábola do Tesouro Escondido, por Rembrandt, 1630)





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