RAZÃO PURA
É vão inferir que uma vida inclinada à intelectualidade diz respeito tão somente a um aspecto de “mundo das ideias” – num viés epistemológico de abstração.
Isto é, o itinerário do conhecimento relaciona-se com todas as particularidades do indivíduo, não apenas no tocante à mente, mas também ao físico e espiritual, por exemplo.
São como bases de sustentação para o peso do conhecimento a ser adquirido, na estirpe de Atlas carregando o mundo sob os ombros – e, quando adquire-se o conhecimento a respeito do mundo, de certa forma você carrega-o, pois, conforme a mística, você detém aquilo que conhece, seja a respeito do conhecer (“yada”) a Deus e deter o Seu amor (a Trindade a fazer morada no coração), seja o domínio de uma força demoníaca através do conhecimento de seu nome.
Há inclusive uma outra abordagem teológica para essa matéria. No livro “Os Dez Mandamentos (+um)”, o filósofo Luiz Felipe Pondé destaca (págs. 30-31): “Normalmente, pensamos nos Dez Mandamentos como uma tábua moral. Eles são, no entanto, como tudo na Bíblia, mais do que isso. E não me refiro ao seu valor como documento histórico, mas sim ao seu teor epistemológico ou cognitivo. Na Bíblia, a disposição moral ou ética é a condição de possibilidade do conhecimento. Por exemplo, quem odeia não é capaz de entender certas coisas. Tal característica não é privilégio do Livro Sagrado. O próprio senso comum diz coisas como ‘ficou cego de ódio’ para se referir ao fato de que um dado sentimento alterou nossa percepção da realidade. O pecado atrapalha nosso pensamento e nossa percepção. Nesse sentido, os mandamentos de Deus não só nos recolocam na rota do modo moral de viver com Ele e entre nós, como também na rota epistemológica ou cognitiva. Os mandamentos nos fazem mais inteligentes, ao passo que o pecado nos faz menos inteligentes. A relação entre inteligência e moral na filosofia data pelo menos de Platão. As pessoas, no entanto, costumam entendê-la de maneira equivocada. Julgam que, por serem inteligentes, são necessariamente melhores do ponto de vista moral. Na Bíblia (assim como na tradição romântica), a relação funciona ao contrário: se sou moralmente consistente, serei mais inteligente, no sentido de entender melhor as pessoas e como funcionam as coisas no mundo”.
Van Gogh (1853-1890) entendeu-se como parte de sua obra e, por sua vez, a obra como parte de si. O quanto dos autorretratos do pintor holandês, elaborados ao longo do século XIX, refletem não apenas sobre sua obra, mas também de sua vida?
O trabalho escrito de Franz Kafka (1883-1924) sofreu aguda influência de sua saúde debilitada. O autor do clássico “A Metamorfose” (1915) padecia de tuberculose, entre outras enfermidades.
Conforme ratifica a Psicanálise, as manifestações do ser estão imbuídas de uma série de outros fatores, como no inconsciente, a título de exemplo.
Não existe “razão pura”, mas sim o desempenho desta afetada por tudo que circunda a existência interna e externa.
O próprio Platão (427 a.C. – 347 a.C.) ressaltou: “Para o homem se manter sadio não basta se alimentar, mas também praticar algum tipo de movimento”.
Isto é, o itinerário do conhecimento relaciona-se com todas as particularidades do indivíduo, não apenas no tocante à mente, mas também ao físico e espiritual, por exemplo.
São como bases de sustentação para o peso do conhecimento a ser adquirido, na estirpe de Atlas carregando o mundo sob os ombros – e, quando adquire-se o conhecimento a respeito do mundo, de certa forma você carrega-o, pois, conforme a mística, você detém aquilo que conhece, seja a respeito do conhecer (“yada”) a Deus e deter o Seu amor (a Trindade a fazer morada no coração), seja o domínio de uma força demoníaca através do conhecimento de seu nome.
Há inclusive uma outra abordagem teológica para essa matéria. No livro “Os Dez Mandamentos (+um)”, o filósofo Luiz Felipe Pondé destaca (págs. 30-31): “Normalmente, pensamos nos Dez Mandamentos como uma tábua moral. Eles são, no entanto, como tudo na Bíblia, mais do que isso. E não me refiro ao seu valor como documento histórico, mas sim ao seu teor epistemológico ou cognitivo. Na Bíblia, a disposição moral ou ética é a condição de possibilidade do conhecimento. Por exemplo, quem odeia não é capaz de entender certas coisas. Tal característica não é privilégio do Livro Sagrado. O próprio senso comum diz coisas como ‘ficou cego de ódio’ para se referir ao fato de que um dado sentimento alterou nossa percepção da realidade. O pecado atrapalha nosso pensamento e nossa percepção. Nesse sentido, os mandamentos de Deus não só nos recolocam na rota do modo moral de viver com Ele e entre nós, como também na rota epistemológica ou cognitiva. Os mandamentos nos fazem mais inteligentes, ao passo que o pecado nos faz menos inteligentes. A relação entre inteligência e moral na filosofia data pelo menos de Platão. As pessoas, no entanto, costumam entendê-la de maneira equivocada. Julgam que, por serem inteligentes, são necessariamente melhores do ponto de vista moral. Na Bíblia (assim como na tradição romântica), a relação funciona ao contrário: se sou moralmente consistente, serei mais inteligente, no sentido de entender melhor as pessoas e como funcionam as coisas no mundo”.
Van Gogh (1853-1890) entendeu-se como parte de sua obra e, por sua vez, a obra como parte de si. O quanto dos autorretratos do pintor holandês, elaborados ao longo do século XIX, refletem não apenas sobre sua obra, mas também de sua vida?
O trabalho escrito de Franz Kafka (1883-1924) sofreu aguda influência de sua saúde debilitada. O autor do clássico “A Metamorfose” (1915) padecia de tuberculose, entre outras enfermidades.
Conforme ratifica a Psicanálise, as manifestações do ser estão imbuídas de uma série de outros fatores, como no inconsciente, a título de exemplo.
Não existe “razão pura”, mas sim o desempenho desta afetada por tudo que circunda a existência interna e externa.
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