SÃO FRANCISCO DE ASSIS

São Francisco de Assis é um dos grandes vultos do cristianismo que mais despertam minha atenção e admiração.

Com ele aprendi a nunca perder o assombro diante da criação divina, e a perceber a graça em cada detalhe do cotidiano.

Conforme destaca o professor, teólogo e filósofo Leonardo Boff: “São Boaventura, seu biógrafo, diz que imitou tão perfeitamente a vida de Cristo que só faltavam os sinais de sua crucificação. Isso ocorreu dois anos antes de morrer. Em suas mãos, pés e lado do coração apareceram os estigmas. Foi o primeiro na história do Cristianismo. Chegou-se a dizer que S. Francisco é o primeiro depois do Único (Jesus Cristo). Até chegaram a escrever: ele é o Último Cristão”.

Em tempos de altas demandas consumistas e produtivistas, o homem é dominado pelo relógio, pela expectativa do «status quo», pelos imperativos mercadológicos.

Logo, torna-se fácil perdemos o ânimo (que, etimologicamente, está ligado à alma). Esvai-se o ímpeto do olhar ao próximo e ao «kósmos».

Jesus chamava à Sua presença os cansados, sobrecarregados, oprimidos (cf. Mateus 11:28). Os que padeciam sob o peso da religiosidade inócua e burocrática, sob o jugo do Império Romano, e também por exemplo os leprosos que, não obstante o quadro clínico de enfermidade que enfrentavam, ainda eram excluídos socialmente.

Hoje, Cristo também nos chama ao descanso que somente Ele pode dar. E Ele nos chama porque não desvia o olhar das mazelas sociais e subjetivas que nos assolam. Antes, sente-as na pele, como quando chorou ao saber da morte de seu amigo Lázaro.

A figura de São Francisco de Assis é um luminoso sinal de jamais permitirmos que olhemos o próximo com indiferença ou medindo-o com padrões da estirpe de o que o outro pode dar, e não o que ele é. Tampouco olhar a criação com descaso.

Ele chamava os luminares de “irmão Sol” e “irmã Lua”. Isto é, entendia-se como parte de um todo no universo de Deus juntamente com as coisas criadas.

Esse olhar aguçado de S. Francisco faz-me recordar das palavras do médico Albert Schweitzer (1875-1965), também destacadas por Boff em um de seus artigos: “Mantenha teus olhos abertos para não perderes a ocasião de ser um salvador. Não passe ao largo, inconsciente, do pequeno inseto que se debate na água e corre risco de se afogar. Tome um pauzinho e retire-o da água, enxugue-lhe as asinhas e experimente a maravilha de ter salvo uma vida e a felicidade de ter agido a cargo e em nome do Todo Poderoso. O verme que se perdeu na estrada dura e seca e que não consegue fazer o seu buraquinho, retire-o e coloque-o no meio da grama. ‘O que fizerdes a um desses mais pequenos foi a mim que o fizestes’. Esta palavra de Jesus não vale apenas para nós humanos mas também para as mais pequenas das criaturas” (Was sollen wir tun, 55).

Que possamos ter o olhar de Jesus, herdado por São Francisco, para com o próximo e a criação!



(Imagem: Escultura “São Francisco de Assis e o Pássaro”, do escultor Frank C. Gaylord, localizado na cidade de Chicago - Ilinóis, EUA)


(Referências bibliográficas: https://www.instagram.com/p/DAtFjGBJCW5/?igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==; https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/oracao/o-cantico-do-irmao-sol/; https://www.instagram.com/p/DFCBa5wtryc/?igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==; https://www.ihu.unisinos.br/categorias/595541-uma-etica-do-respeito-ilimitado)









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