SER OU NÃO SER?

Torna-se inviável a conjectura de Deus abarcar em si o não-ser.

Conforme a Torá, no episódio da teofania da sarça ardente, Deus se apresenta a Moisés como o Eu Sou (הָיָה) O Que Sou (הָיָה), “hâyâh (haw-yaw)”.

Na literatura neotestamentária, João constrói o argumento a respeito da divindade de Jesus em seu Evangelho, e destaca a fala do nazareno: “Eu Sou” (ἐγώ εἰμί), “egṓ (eg-o') eimí (i-mee')”.

Tanto no hebraico quanto no grego, o significado consiste em: ser, existir, acontecer.

Na teologia agostiniana, o mal não possui suficiência ou consistência em si mesmo, antes, limita-se à ausência do bem, tal como as trevas tão somente são a não-presença da luz.

Portanto, o não-ser encontra lugar na contingência, no tocante àquilo que pode constituir a sua essência – para utilizar o termo de Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.).

Deus “é”. Logo, o “ser” não pode ser definido como ontológico na essência divina, mas sim o próprio Deus.

Deus é um ser necessário, e ratificadoras são as palavras do teólogo holandês Abraham Kuyper (1837-1920): “Não há um centímetro quadrado deste mundo do qual Cristo não possa dizer: é meu”.

Nesse sentido, a célebre indagação shakespeariana de natureza existencial presente na peça teatral “Hamlet” (escrita entre 1599 e 1602), isto é, “Ser ou não ser, eis a questão”, possui capilaridade na “psiqué” humana. Entretanto, não permeia a figura primordial da metafísica.



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