SALVAÇÃO & REVELAÇÃO

Você sabia que uma pessoa pode atingir a salvação, mas ao mesmo tempo só arranhar na superfície da revelação?

A respeito do primeiro ponto, a Bíblia é clara:


“Porquanto, pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem por intermédio das obras, a fim de que ninguém venha a se orgulhar por esse motivo.”

(Efésios 2:8-9)


Alguma dúvida? Não possuímos mérito algum na nossa salvação, pois até mesmo nossas boas obras são graças a Cristo, e a salvação é devido ao que Ele fez na cruz por nós, e não a algo que por ventura nós fizemos para Ele.

Em suma, basta depositarmos nossa fé em Cristo como único e suficiente Salvador. Ponto.

Todavia, há uma outra nuance aqui.

Deus não nos salvou somente para irmos morar no Céu. Isso é algo maravilhoso, mas vai muito além.

Por exemplo, quando Deus nos chama, Ele revela quem somos, o porquê fomos criados e para onde vamos – aquelas velhas perguntas filosóficas e existenciais típicas do ser humano.

Quando Pedro conheceu a Jesus, ele descobriu que sua missão de vida não era simplesmente ser um pescador na Galileia, mas mudar o mundo para sempre mediante a pregação do evangelho.

Mas é nesse ponto que queremos chegar: um dos principais presentes pra nós, além da salvação, é a REVELAÇÃO.

Sim. Deus escreveu uma carta de amor pra nós. O manual de instruções do Criador para a criatura. A bússola.

Estamos falando das Sagradas Escrituras.

É caro na Teologia o conceito da iluminação que precede a revelação. Como se diz: a Bíblia é o único livro que você lê na presença do Autor. O próprio Espírito Santo nos guia pelas palavras do Bom Livro, e nos mostra verdades. Atingimos a revelação mediante o fato de que o Espírito nos mostra o caminho. O salmista entendeu isso, pois escreveu: “Abre meus olhos, para que eu veja as maravilhas de tua lei” (Salmos 119:18).

O Senhor deixou a Bíblia para nós a fim de que pudéssemos conhecê-lO, conhecer a nós mesmos, e nos guiarmos tanto em assuntos cotidianos, quanto no plano dEle para o universo.

O livro de Provérbios contém sabedoria para aplicarmos no dia a dia. Mateus capítulo 24 é um guia para os eventos escatológicos.

Só que nós precisamos descobrir esse tesouro, tal como aquele homem da parábola de Jesus.

Charles Haddon Spurgeon (1834-1892), famoso pregador batista inglês, contou esta experiência pessoal. Foi chamado para a casa de uma senhora de idade que estava confinada à cama. A desnutrição estava acabando com ela. Durante sua visita, Spurgeon notou um documento emoldurado pendurado na parede. Perguntou à mulher: “É seu?”

Ela disse que sim, e explicou que tinha trabalhado como doméstica no lar de uma família da nobreza inglesa. “Antes da Condessa Fulana morrer”, explicou a mulher, “ela me deu isto. Trabalhei para ela durante quase meio século. Tive tanto orgulho deste papel porque ela me deu. Mandei colocar numa moldura. Ficou pendurado na parede desde a morte dela, já faz 10 anos”.

O Sr. Spurgeon perguntou: “Me daria licença para levá-lo e mandar examiná-lo mais de perto?”

“Oh, sim”, disse a mulher, que nunca aprendera a ler, “é só cuidar para que eu o receba de volta”.

Spurgeon levou o documento às autoridades. Estas já o tinham procurado. Tratava-se de uma herança. A dama da nobreza inglesa legara à sua empregada uma casa e dinheiro.

Aquela mulher morava numa casinha de um só cômodo, feita de caixas de madeira, e estava morrendo de fome, mas tinha pendurado na parede um documento que a autorizava a receber todos os cuidados e a morar numa casa excelente. O dinheiro estava acumulando juros. Pertencia a ela. Spurgeon ajudou-a a obtê-lo, mas o dinheiro não fez tanto a ela quanto poderia ter feito mais cedo.

Ou seja, às vezes temos a Bíblia bem na nossa frente, mas ainda não acessamos o que ela pode nos oferecer. Passamos a vida inteira com sede, sendo que a fonte de Água Viva estava à nossa disposição. Vivemos no escuro, quando poderíamos estar sendo servidos pela lâmpada que ilumina nossos pés e luz que ilumina nossos caminhos.

Se você tem dúvidas acerca do poder sobrenatural deste livro, veja estes fatos.

A Bíblia foi escrita por mais de 1.600 anos (1.500 a.C. – 100 d.C.).

Em 3 continentes (África, Europa e Ásia).

Por mais de 40 autores (desde príncipes, como Moisés; pescadores, como Pedro; e doutores da Lei, como Paulo).

Em 3 línguas (hebraico, aramaico e grego).

Mediante todos esses dados e levando em consideração o fato de que há inúmeros estilos literários dentro da Bíblia (poesia, profecia, linguagem literal, linguagem simbólica) – sendo que, no grego, esta palavra significa “conjunto de livros” –, a conclusão natural que chegaríamos é que estamos falando de um livro desorganizado, sem linearidade.

É aí que entra o dado sobrenatural.

Percebe-se que, de Gênesis a Apocalipse, há uma única linha narrativa. Pasme: existe 63.779 referências cruzadas na Bíblia.

Diante desses fatos, resta-nos exclamar como Lutero:


“É um milagre a maneira pela qual Deus tem preservado seu livro durante tanto tempo! Como é bom e glorioso ter a Palavra de Deus.”


Falando nesse assunto de preservar, vejamos este belíssimo texto do pastor Max Lucado:


“A Bíblia é um livro peculiar. Palavras lapidadas em outro idioma. Atos realizados numa era antiga. Eventos registrados numa terra distante. Conselhos oferecidos a um povo de outro país. Este é um livro peculiar.

É surpreendente que alguém a lê. É antiga demais. Alguns dos escritos têm mais de cinco mil anos. É bizarra demais. O livro fala de dilúvios incríveis, incêndios, terremotos, e pessoas com habilidades sobrenaturais. É radical demais. A Bíblia nos chama para uma devoção eterna a um Carpinteiro que se autodeclarou Filho de Deus.

A lógica nos diz que esse livro não poderia sobreviver. Velho demais, bizarro demais, radical demais.

A Bíblia já foi banida, queimada, zombada e ridicularizada. Peritos já a trataram com escárnio. Reis já a baniram. Milhares de vezes o sepulcro já foi cavado e o hino do enterro entoado. Mas, nunca a Bíblia fica no túmulo. Ela não só sobreviveu, mas, prosperou. É o livro mais popular da história. Tem sido o livro mais vendido no mundo por mais de trezentos anos!

Não há na face da terra como explicar isso. Que talvez seja a única explicação. A resposta? A durabilidade da Bíblia não encontra explicação na terra; é encontrada somente no céu. Para os milhões que já testaram suas declarações e provaram suas promessas há somente uma explicação – a Bíblia é o livro de Deus e a voz de Deus.”


Por isso, permita-me falar: não há problema algum se por ventura você mantém sua Bíblia aberta no Salmo 23 ou 91 na estante da sala. É bonito! Porém, preciso te dizer que há mais... A Bíblia deve ser lida, consumida, meditada! Como está escrito: “Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito” (Josué 1:8). E recordo-me de certa vez dialogar com uma pessoa que não participava de nenhum contexto religioso ou eclesiástico, mas possuía um conhecimento extraordinário das Escrituras, e ele falou: “Era para as pessoas na igreja estarem ‘comendo’ a Bíblia!” Ele quis dizer que quem professa a fé deveria estar cumprindo o que justamente está escrito: meditar na Lei do Senhor de dia e de noite. Estamos fazendo isso?

O pastor John Piper disserta acerca do livro sagrado:


“Deus escreveu um livro. Essa realidade me deixa de queixo caído sempre que eu paro para pensar. Páginas e mais páginas de Deus – seus pensamentos, suas palavras, seu coração – a somente alguns centímetros de distância. Eu posso levar comigo para onde eu for e ler quando eu quiser.

Quando abrimos a Bíblia, o que nós vemos? Nós vemos o próprio Deus no livro. Se não o encontrarmos aqui, não o encontraremos de outra maneira – não com alguma esperança de amizade.

Ler a Bíblia é uma das coisas mais importantes que podemos fazer. É mais valioso do que qualquer outra coisa que nós temos e mais doce do que qualquer outra coisa que já comemos. É literalmente mais importante do que respirar.

Mas não é isso que sempre vemos e sentimos quando abrimos a Bíblia. Nossos olhos fracos, cansados e distraídos só conseguem enxergar um retrato maçante e sem vida na parede. Mas não é um retrato. É uma janela. Não é algo sem vida que fica pendurado em uma moldura velha na parede. É algo que atravessa a parede e dá acesso a outro mundo – o mundo real, o mundo duradouro, o mundo melhor. A divina luz brilha nessa janela e transforma tudo ao nosso redor.

Todos sabemos que o caminho para o conhecimento de Deus não é fácil. Disciplina e determinação são importantes, mas só podem levá-lo até certo ponto – alguns dias, uma semana, talvez um mês. A longo prazo, precisamos de algo mais forte, mais persuasivo do que a disciplina e a determinação. Há muitas armadilhas e obstáculos no caminho.

No fundo, a razão pela qual nós não lemos a Bíblia é que não queremos ler a Bíblia. Nós não enxergamos alegria, paz e vida quando vemos aquela capa de couro em nossa prateleira. Nós vemos uma parede, não uma janela – o retrato maçante, não a eterna beleza de outro mundo. Então, nós postergamos a leitura, deixamos a Bíblia fechada e seguimos em frente. Nós ficamos na cama e deixamos de contemplar o milagre. O Deus que disse, ‘Das trevas resplandecerá a luz’, ama iluminar as mentes e os corações com sua Palavra.

Deus escreveu um livro. Através de seu livro – estas palavras diante de nós – ele desperta as nossas almas mortas e entediadas, liberta-nos da escravidão do pecado – desejos que roubam as nossas vidas -, consola os deprimidos, inspira os desanimados e direciona os que estão confusos. Ele nos capacita a fazer a diferença por sua causa no mundo. Para sempre, ele nos satisfaz completamente através de palavras – as palavras dele.

Se eu vou ler a minha Bíblia amanhã? Para onde mais eu iria? De que outra maneira eu poderia conhecê-lo? De que outra maneira eu poderia me preparar para se alegrar nele para sempre? Sim, eu vou passar o resto da minha vida olhando por essa janela, na expectativa de vê-lo mais uma vez – mais um milagre, mais um vislumbre do meu Deus.”


A Bíblia é um livro mágico. Fechada, é só mais um livro. Aberta, é boca de Deus. E quando abrimos a Bíblia, é como se estivéssemos entrando no guarda-roupa e indo pra Nárnia, ou para o “Outro Mundo”, nas palavras de Piper.

É incrível pensar no que muitos chamariam de coincidência, mas outros chamariam de destino. Se a Reforma Protestante colocou a Bíblia nas mãos do povo, isso só foi possível graças à criação da prensa de Gutenberg, em 1450. De outro modo, como as Escrituras seriam produzidas e distribuídas em grande escala? Isto é, Deus providenciou que tudo ocorresse no mesmo recorte histórico – foi em 1517, poucos anos depois da criação da máquina, que o então monge agostiniano Martinho Lutero viria e elaborar as suas 95 Teses.

Como dissemos no início do texto, podemos ser salvos ao mesmo tempo em que só atingimos a ponta do iceberg da revelação. O ladrão na cruz não teve tempo de ler uma página sequer das Escrituras, pois ele reconheceu a Cristo nos últimos suspiros de vida. Mas se alguém tem a possibilidade de mergulhar nas águas profundas da revelação, seria sábio abrir mão desse privilégio?

Finalizo retomando aquilo que falamos a respeito do fato de que a Bíblia apresenta uma única linha narrativa e, no fim das contas, ela fala sobre uma pessoa:


“A Bíblia não é uma série de histórias desconectadas. Ela é uma única narrativa na qual cada história, cada personagem, aponta para além de si, para alguém maior.

A história de Adão e Eva não trata apenas do primeiro homem e mulher. Há um Adão melhor e verdadeiro, que passou no teste do jardim e cuja obediência é atribuída a nós.

Há um Abel melhor e verdadeiro, assassinado sem ter culpa, cujo sangue clama não pela nossa condenação, mas por nossa absolvição.

Há um Abraão melhor e verdadeiro que atendeu ao chamado de Deus para deixar seu lar e todo conforto, partindo ao vazio e ali criando um novo povo de Deus.

Há um Isaque melhor e verdadeiro, filho da graça e da promessa, que não foi apenas oferecido por seu pai sobre o monte, mas de fato sacrificado por todos nós.

Há um Jacó melhor e verdadeiro, que lutou e recebeu o golpe do castigo que cabia a nós, a fim de que como Jacó só recebêssemos a ferida da graça, que nos desperta e nos disciplina.

Há um José melhor e verdadeiro que estando à direita do rei perdoa aqueles que o traíram e o venderam, usando seu novo poder para salvá-los.

Há um Moisés melhor e verdadeiro que se põe no abismo entre o povo e o Senhor mediando uma Nova Aliança.

Há uma rocha de Meribá melhor e verdadeira, ferida pela vara da justiça de Deus que agora nos dá água no deserto.

Há um Jó melhor e verdadeiro, alguém que conhece o sofrimento injusto, e que intercede e salva seus tolos amigos.

Há um Davi melhor e verdadeiro, cuja vitória se torna vitória de seu povo, ainda que eles mesmos não tenham levantado uma pedra sequer para conseguir isso.

Há alguém melhor e verdadeiro que como Ester não arriscou apenas perder um palácio terreno, mas abriu mão do trono celestial, e não apenas arriscou sua vida, como a deu por completo para salvar seu povo.

Há um Jonas melhor e verdadeiro que foi lançado à tempestade a fim de que dela nós fôssemos resgatados.

Há um cordeiro da Páscoa melhor e verdadeiro, inocente, perfeito, que se deixou ser morto para que o anjo da morte não atentasse contra nós.

Ele é o verdadeiro templo, o verdadeiro profeta, o verdadeiro sacerdote, o verdadeiro rei, o verdadeiro sacrifício, a verdadeira luz, e o verdadeiro pão.

A Bíblia não é uma série de histórias desconectadas. Ela é uma única narrativa que aponta para uma única pessoa: JESUS.”


Que tal lermos a Bíblia hoje???



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(Referências bibliográficas: http://www.simfiel.com.br/ilu16.php?id=62; https://www.narniano.com/estudante-cria-grafico-que-mostra-mais-de-63-mil-referencias-cruzadas-na-biblia/#google_vignette; https://www.hermeneutica.com/mensagens/na-palavra/; https://m.youtube.com/watch?v=Iy7Ous8-o-8&pp=ygUhZGV1cyBlc2NyZXZldSB1bSBsaXZybyBqb2huIHBpcGVy; https://m.youtube.com/watch?v=JA-NcMhYyv8&pp=ygURZGFuIHN0ZXZlcyBiaWJsaWE%3D)






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