NIETZSCHE vs DEUS
Há um mito singular existente no universo filosófico que consiste em inferir que por ventura o pensamento nietzschiano seria diametralmente oposto com a concepção do ser enquanto ser desembocar na ideia de Deus (unindo o pensamento metafísico aristotélico com a releitura medieval tomista).
O que eu digo, porém, é que faço coro ao pensamento do austríaco no seguinte sentido: não é que a verdade enquanto tal seja ilusória, mas sim que o indivíduo é incapaz de manifestar uma razão pura (no sentido cartesiano iluminista), visto que ao efetuar esse ofício, ele está permeado de fatores outros externos ao escopo sob seu controle.
Diversas vertentes de pensamento argumentam que há uma dificuldade inerente à busca pelo genuíno conhecimento. Na teologia paulina, o apóstolo escreve: “Porque, agora, vemos por espelho, em enigma” (1 Coríntios 13:12), isto é, nossa relação com aquilo que chamamos de realidade se dá através de uma mediação, e não de maneira purista. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) brada: “Todo objeto, seja qual for a sua origem, é, enquanto objeto, sempre condicionado pelo sujeito e, assim, essencialmente, apenas uma representação do sujeito”. Em tempos mais remotos, Platão (428-347 a.C.) utilizou do Mito da Caverna, alegoria presente em “A República”, na qual homens agrilhoados em uma caverna, de costas para a entrada e de frente para uma das paredes, visualizavam somente projeções do mundo exterior (cavalos, pessoas, etc). O hinduísmo ensina acerca do véu de Maya, que provê aos indivíduos ilusões, estando a realidade encoberta. A sétima arte contempla a obra cinematográfica “Matrix” (1999), cujo enredo demonstra os seres humanos presos em máquinas vivendo sonhos induzidos com o enganoso pensamento de que tal simulacro constitui-se na genuína vida – urge portanto a necessidade de ingestão da pílula vermelha para que ocorra o despertamento.
No clássico da literatura “Alice no País das Maravilhas” (1865), do autor Lewis Carroll, o coelho convida a protagonista para adentrar na toca, conhecendo uma outra dimensão de possibilidades. A Psicanálise, através de Sigmund Freud (1856-1939), traz o conceito de que somos influenciados por elementos presentes em determinado local no nosso sistema neurológico para além da consciência atingível.
Logo, percebe-se que Filosofia, religião, cinema, literatura e Psicanálise atingem o mesmo cerne: estamos envoltos de fatores ilusórios e parte do indivíduo o esforço hercúleo para chegar à compreensibilidade da verdade.
Portanto, estaria Friedrich Nietzsche (1844-1900) colocando em xeque uma verdade última ou manifestações subjetivas da mesma? Inclusive, há vertentes que citam sua “Oração ao Deus Desconhecido” (na qual escreve, por exemplo: “Eu sou teu, não obstante os laços/Me puxarem para o abismo”) uma evidência de que a morte divina a qual declarara seria numa crítica similar a de Voltaire (1694-1778), ou seja, não ao Deus transcendente, mas institucional.
Diversas vertentes de pensamento argumentam que há uma dificuldade inerente à busca pelo genuíno conhecimento. Na teologia paulina, o apóstolo escreve: “Porque, agora, vemos por espelho, em enigma” (1 Coríntios 13:12), isto é, nossa relação com aquilo que chamamos de realidade se dá através de uma mediação, e não de maneira purista. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) brada: “Todo objeto, seja qual for a sua origem, é, enquanto objeto, sempre condicionado pelo sujeito e, assim, essencialmente, apenas uma representação do sujeito”. Em tempos mais remotos, Platão (428-347 a.C.) utilizou do Mito da Caverna, alegoria presente em “A República”, na qual homens agrilhoados em uma caverna, de costas para a entrada e de frente para uma das paredes, visualizavam somente projeções do mundo exterior (cavalos, pessoas, etc). O hinduísmo ensina acerca do véu de Maya, que provê aos indivíduos ilusões, estando a realidade encoberta. A sétima arte contempla a obra cinematográfica “Matrix” (1999), cujo enredo demonstra os seres humanos presos em máquinas vivendo sonhos induzidos com o enganoso pensamento de que tal simulacro constitui-se na genuína vida – urge portanto a necessidade de ingestão da pílula vermelha para que ocorra o despertamento.
No clássico da literatura “Alice no País das Maravilhas” (1865), do autor Lewis Carroll, o coelho convida a protagonista para adentrar na toca, conhecendo uma outra dimensão de possibilidades. A Psicanálise, através de Sigmund Freud (1856-1939), traz o conceito de que somos influenciados por elementos presentes em determinado local no nosso sistema neurológico para além da consciência atingível.
Logo, percebe-se que Filosofia, religião, cinema, literatura e Psicanálise atingem o mesmo cerne: estamos envoltos de fatores ilusórios e parte do indivíduo o esforço hercúleo para chegar à compreensibilidade da verdade.
Portanto, estaria Friedrich Nietzsche (1844-1900) colocando em xeque uma verdade última ou manifestações subjetivas da mesma? Inclusive, há vertentes que citam sua “Oração ao Deus Desconhecido” (na qual escreve, por exemplo: “Eu sou teu, não obstante os laços/Me puxarem para o abismo”) uma evidência de que a morte divina a qual declarara seria numa crítica similar a de Voltaire (1694-1778), ou seja, não ao Deus transcendente, mas institucional.
(Referência bibliográfica: https://leonardoboff.org/2011/04/01/%C2%A0%C2%A0%C2%A0oracao-de-nietzscheao-deus-desconhecido/#:~:text=Ora%C3%A7%C3%A3o%20ao%20Deus%20desconhecido&text=Tua%20voz%20me%20possa%20chamar.&text=Me%20tenha%20associado%20aos%20sacr%C3%ADlegos.&text=Me%20puxarem%20para%20o%20abismo.&text=Sinto%2Dme%20for%C3%A7ado%20a%20servi%2DTe.; Friedrich Nietzsche (1844-1900) em Lyrisches und Spruchhaftes (1858-1888). O texto em alemão pode ser encontrado em Die schönsten Gedichte von Friederich Nietzsche, Diogenes Taschenbuch, Zürich 2000, 11-12 ou em F.Nietzsche, Gedichte, Diogenes Verlag, Zurich 1994.)

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