O MAL NOS FAZ LEMBRAR QUE O NOSSO LUGAR NÃO É AQUI

A Bíblia nos chama de “estrangeiros” e “peregrinos” (cf. 1 Pedro 2:11).

Mas, com qual frequência nos lembramos dessa verdade?

O fato é que, muitas vezes, vivemos nesse mundo como se ele fosse nossa casa última. Ficamos confortáveis demais, acostumados demais.

E então, acontecem situações da vida que nos fazem lembrar de quem somos e de onde somos.

O escritor C.S. Lewis (1898-1963) reflete: “Deus sussurra e fala à consciência através do prazer, mas grita-lhe por meio da dor: a dor é o seu megafone para despertar um mundo adormecido”.

A dor faz nossa ficha cair. Nos desperta.

O estrangeiro é aquele que não está em sua pátria materna. O peregrino é aquele que está de passagem.

Nossa casa não é aqui. É na Nova Jerusalém. E estamos passando por esse mundo para cumprir um propósito.

Em seu livro “Uma Vida com Propósitos”, o pastor Rick Warren disserta (págs. 33-34):


“Esta vida não é tudo o que há.

A vida é apenas um ensaio geral, antes da verdadeira produção. Você passará muito mais tempo do outro lado da morte – na eternidade – do que aqui. A terra é um lugar de preparação, a pré-escola, o vestibular para sua vida na eternidade. É o treinamento coletivo que ocorre antes do jogo; a volta de aquecimento antes do início da corrida. Esta vida é uma preparação para a próxima.

(...)

Você viverá no máximo cem anos sobre a terra, mas para sempre na eternidade. O seu tempo na terra é, como disse Thomas Browne, ‘apenas um parêntese na eternidade’. Você foi feito para ser eterno.

(...)

Um dia, o nosso coração parará de bater. Então será o fim de seu corpo e de seu tempo na terra; mas não será o fim. Seu corpo terreno é apenas uma residência temporária de seu espírito. A Bíblia chama o nosso corpo terreno de ‘temporária habitação’, mas se refere ao nosso futuro corpo como uma ‘casa’. A Bíblia diz: ‘De fato, nós sabemos que, quando for destruída esta barraca em que vivemos, que é o nosso corpo aqui na terra, Deus nos dará, para morarmos nela, uma casa no céu. Essa casa não foi feita por mãos humanas; foi Deus quem a fez, e ela durará para sempre’.

(...)

Quando você compreender plenamente que há mais na vida que apenas o aqui-e-agora e perceber que a vida é apenas uma preparação para a eternidade, você começará a viver de forma diferente. Você começará a viver à luz da eternidade, e isso lhe dará nova perspectiva de como lidar com cada relacionamento, tarefa ou circunstância.”


No filme “A Cabana” (2017), adaptado do livro homônimo de William P. Young, o protagonista Mack vive uma jornada de digerir a perda de sua filha. Em dado momento, quando tem um encontro com Deus, ele tem uma visão de sua filha no Céu, feliz como nunca, brincando com Jesus. Naquele momento, ele entende que essa vida presente não é tudo o que há. Que o mal só aponta para o bem, e ele não passa de um perdedor. Que a verdadeira vida ainda vai chegar.

Falando em filme, lembro-me de um diálogo no “Ben-Hur” (2016), no qual dois personagens estão conversando sobre a situação social da época, com os romanos dominando, os zelotes com alternativas violentas, e onde estaria a liberdade nisso tudo? Então, Jesus, trabalhando na carpintaria, responde: “Há liberdade em outro lugar”.

Deus permite que fiquemos um pouco de tempo aqui justamente para apontar para este “outro lugar”. A Bíblia declara:


“Quão formosos são, sobre os montes, os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz, do que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina!”

(Isaías 52:7)


Porém, quantas pessoas, assim como Jonas, estão fugindo de viver seu chamado em nome de um conforto momentâneo?

João Batista tinha tudo pra fazer isso. Ele era o próximo sumo sacerdote na fila, sucedendo seu pai Zacarias. Podia viver “de boa”. Mas não. Preferiu ir para o deserto, comer mel e gafanhoto, e preferiu ofender pessoas do que ofender a Deus. Seu prêmio neste mundo? Cabeça na bandeja. Seu prêmio no verdadeiro mundo? Um galardão imensurável.

Meu amigo, Deus está nos chacoalhando nestes últimos dias para que possamos levantar os sapatos e cumprir o ide. O tic tac do relógio está acontecendo. Deus está convocando os seus para despertarem e viverem a história que Ele escreveu, e participarem do Plano Emanuel.

Até quando vamos querer fixar tendas neste mundo?

Que possamos fazer a oração de Jonathan Edwards (1703-1758): Senhor, grave a eternidade nos meus olhos!


(Imagem: Ancião na Dor, pintura de Van Gogh, 1890)



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