VONTADE DE DESISTIR

Tem dias que dá vontade de desistir, não é mesmo?

Quem nunca ouviu de alguém conhecido: "Nossa, que vontade de sumir!"

As enfermidades emocionais são os grandes males do século XXI. Alguns dizem que tal fenômeno é novo, mas o fato é que sempre existiu, porém outrora havia menos espaço para ser falado. Muitas igrejas simplesmente tratavam como sendo "demônios" e muitas vozes da sociedade tachavam como "falta de serviço". Em suma, imperavam em diversos aspectos a ignorância e o preconceito.

Hoje, com a dinâmica social cada vez mais veloz, a demanda por instantaneidade, produtividade e resultadismo, tais males eclodem de uma forma singular.

E ainda há muitos paradigmas. Não poucos imaginam que os heróis da fé, por exemplo, não enfrentavam desafios dessa natureza. Concebem-os como indivíduos "de ferro", com a parte emocional plenamente resolvida quase como se pudessem justificar isso como um inatismo divino.

E se eu te disser que Jesus pensou em desistir?

Getsêmani, o jardim onde Cristo estava nos momentos antecedentes da crucificação, significa "prensa de azeite". Ali, Jesus sofreu o fenômeno clínico destacado pelo médico Lucas que recebe o nome de hematidrose, ou seja, Ele emitiu sangue juntamente com suor. Isso ocorre somente em momentos de extrema angústia, nos quais os vasos sanguíneos se rompem. Literalmente, Jesus estava sentindo na pele o peso da cruz.

Em dado momento, Ele pediu aos Céus:


"Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres."

(Mateus 26:39)


Sim, Jesus pediu para desistir, se fosse possível.

Assim como o profeta Elias. Ele tinha acabado de derrotar os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal numa cena homérica em que fogo caiu dos céus. Logo depois, por causa de uma ameaça da rainha Jezabel, ele sentou-se debaixo de um pé de zimbro e exclamou:


"Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais."

(1 Reis 19:4)


Jesus estava nos momentos finais de um ministério no qual água foi transformada em vinho, mortos foram ressuscitados, pães e peixes multiplicados. Elias moveu os céus e sinais e maravilhas foram vistos. Mas nada disso foi suficiente para segurar a barra. Simplesmente porque há batalhas internas que precisam ser vencidas como fases de um videogame: "habilidades" anteriores podem ajudar a vencer o chefão dessa fase, mas você precisará aprender algo novo.

Qual o fim da história? Jesus parou no Getsêmani? Elias parou na caverna?

Após passar a noite inteira em oração, Jesus saiu renovado e encarou de frente o Seu propósito. A Bíblia o descreve como uma "ovelha muda" (Isaías 53:7). Ali estava alguém que sabia que estava a cumprir uma missão.

Igualmente, Elias não parou na caverna. Deus enviou um anjo para alimentá-lo, assim como o maná alimentou o povo hebreu no deserto, assim como Jesus alimentou a multidão. Em outras palavras: quando parece que não tem mais pra onde correr aqui na Terra, Deus envia ajuda do alto.

As Escrituras afirmam que as misericórdias do Senhor renovam-se a cada manhã (cf. Lamentações 3:22-23). A vontade de desistir pode até aparecer, mas ela é superável, porque o Senhor renova as nossas forças, tal como renovou as forças de Elias e Jesus em momentos de extrema angústia, em que ambos queriam jogar a toalha. E a Bíblia ressalta que é "a cada manhã" porque o leão que você venceu ontem ficou no ontem, hoje há uma novo dia pela frente com novos desafios, mas Deus já renovou suas forças pra você vencer esse dia, como um celular que está com a carga 100% que perdurará ao longo daquele dia.

E perceba que estamos falando do profeta Elias e Jesus Cristo. Certa vez eu ouvi que os soldados que estão na linha de frente da batalha são os mais atingidos. Quando nos dedicamos a algo, nos gastamos por completo. É um processo de altos e baixos, de vitórias e derrotas, porque estamos simplesmente vivendo, fazendo o que o Senhor nos chamou. Estamos machucados porque estamos na guerra... mas sabemos quem pode renovar nossas forças.

Pensar em desistir acontece não com os fracos, mas com os humanos. Porém, lembre-se que este não é o estágio final. Há um além. Há um depois do Getsêmani, um depois da caverna. Nossas forças são renovadas e um novo momento começa!






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