A "ALETHEIA" EM HEIDEGGER
Em sua obra "Ser e Tempo", o filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) disserta (Pág. 115. Editora Unicamp/Editora Vozes):
"Assim, tudo aqui consiste em ficar livre de um conceito de verdade construído no sentido de uma 'concordância'. Essa ideia não é de modo algum primária, no conceito de ἀλήθεια. Ο 'ser-verdadeiro' do λόγος como ἀληθεύειν significa: no λέγειν como ἀποφαίνεσθαι, tirar o ente 'de que' se fala do seu encobrimento, fazendo-o ver como não-encoberto, 'descoberto' (ἀληθές)."
Isto é, se há no senso comum e em aspectos da tradição filosófica a concepção da verdade como conceito de concordância entre a mente e a coisa, Heidegger não discorda, pois a ciência experimental vai trabalhar dessa forma, mas do ponto de vista ontológico é pontuado a verdade como "alḗtheia" (mostrar-se, desvelar-se).
Em suma, a verdade não está no fim do processo (quando, por exemplo, elabora-se uma teoria), mas no início.
Nesse sentido, Heidegger diz que para eu falar qualquer coisa sobre o objeto, ele já se mostrou pra mim, já se colocou na minha referência assim como eu me coloquei na referência do objeto. Nisto consiste a "alḗtheia" ("a" como prefixo de negação + "lḗthē" que significa escondido).
De forma analogada com a literatura neotestamentária, escrita na língua grega, o termo "alḗtheia" consta por exemplo no Evangelho de João, capítulo 14, versículo 6, registrando as seguintes palavras de Jesus: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim".
O termo original para "verdade" é justamente "ἀλήθεια" (alḗtheia).
É caro na tradição teológica o fato de que Deus revela-se, como fizera a Abraão, Moisés, entre outros. O Calvinismo trabalha com a revelação primária de Deus para com o ser humano, considerando que este não poderia tomar a iniciativa, uma vez que suas naturezas vitais estão maculadas pelo pecado.
Jesus apresentando-se como a "alḗtheia" desemboca na compreensão do Deus que está se revelando, no ser que se mostra ("sich-zeigen", como aparece em Heidegger, o "mostrar-se").
Há portanto um ponto de intersecção do termo na tradição teológica e na tradição filosófica.
Isto é, se há no senso comum e em aspectos da tradição filosófica a concepção da verdade como conceito de concordância entre a mente e a coisa, Heidegger não discorda, pois a ciência experimental vai trabalhar dessa forma, mas do ponto de vista ontológico é pontuado a verdade como "alḗtheia" (mostrar-se, desvelar-se).
Em suma, a verdade não está no fim do processo (quando, por exemplo, elabora-se uma teoria), mas no início.
Nesse sentido, Heidegger diz que para eu falar qualquer coisa sobre o objeto, ele já se mostrou pra mim, já se colocou na minha referência assim como eu me coloquei na referência do objeto. Nisto consiste a "alḗtheia" ("a" como prefixo de negação + "lḗthē" que significa escondido).
De forma analogada com a literatura neotestamentária, escrita na língua grega, o termo "alḗtheia" consta por exemplo no Evangelho de João, capítulo 14, versículo 6, registrando as seguintes palavras de Jesus: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim".
O termo original para "verdade" é justamente "ἀλήθεια" (alḗtheia).
É caro na tradição teológica o fato de que Deus revela-se, como fizera a Abraão, Moisés, entre outros. O Calvinismo trabalha com a revelação primária de Deus para com o ser humano, considerando que este não poderia tomar a iniciativa, uma vez que suas naturezas vitais estão maculadas pelo pecado.
Jesus apresentando-se como a "alḗtheia" desemboca na compreensão do Deus que está se revelando, no ser que se mostra ("sich-zeigen", como aparece em Heidegger, o "mostrar-se").
Há portanto um ponto de intersecção do termo na tradição teológica e na tradição filosófica.

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