"EGO COGITO" E A RESPONSABILIDADE DO PECADO
Uma perspectiva de solução para o milenar debate teológico a respeito da Soberania Divina em tensão com a Responsabilidade Humana, finalmente, é vislumbrada.
Se Deus predestina tudo, inclusive o pecado, mas de uma forma que o mal jamais é originado dele, tendo como causa eficiente (utilizando um termo aristotélico) os anjos ou os homens – grandes teólogos não esgotam essa questão, tratando-a como "mysterium fidei", a respeito da lógica do Deus predestinador mas não causador –, como poderia o ser humano ser responsável pela pecaminosidade?
Conforme João Calvino (1509-1564), o cosmos seria o "theatrum gloriae Dei", evocando os dizeres do salmista: "Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir". Poder-se-ia recorrer adicionalmente a William Shakespeare (1564-1616): "O mundo inteiro é um palco e todos os homens e mulheres não passam de meros atores. Eles entram e saem de cena e cada um no seu tempo representa diversos papéis".
Em suma, qual seria a responsabilidade do homem se tudo está rigorosamente determinado?
Encontramos em René Descartes (1596-1650) a possibilidade de resposta.
Nas "Meditações", através do método da dúvida (metódica e hiperbólica), ele coloca em xeque os conceitos previamente estabelecidos e a realidade em si. E se por ventura eu estiver sonhando? Não poderia saber que aquilo que denomino "realidade" seja um sonho. Afinal, quando sonho eu confundo a operação psicológica com a realidade, sem saber distinguir. E se o indivíduos estiverem loucos? Tampouco saberiam efetuar a diferenciação do real e do imaginário, pois estes por ventura não inferem "que estão vestidos com ouro e púrpura, quando estão todos nus"?
Nesse sentido, o "ego cogito" traduz-se na única certeza. Ora, se eu duvido de mim mesmo, eu sou o agente dessa dúvida. Logo, o ato de duvidar em si faz-se possível graças ao agente.
Sendo eu a certeza (pois esteja eu iludido ou não, eu estou falando, e nenhuma experiência é desassociada do meu "eu"), logo, eu tenho a responsabilidade sobre mim, ainda que a realidade que me circunda não passe de um mero devaneio, um teatro.
Conforme João Calvino (1509-1564), o cosmos seria o "theatrum gloriae Dei", evocando os dizeres do salmista: "Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir". Poder-se-ia recorrer adicionalmente a William Shakespeare (1564-1616): "O mundo inteiro é um palco e todos os homens e mulheres não passam de meros atores. Eles entram e saem de cena e cada um no seu tempo representa diversos papéis".
Em suma, qual seria a responsabilidade do homem se tudo está rigorosamente determinado?
Encontramos em René Descartes (1596-1650) a possibilidade de resposta.
Nas "Meditações", através do método da dúvida (metódica e hiperbólica), ele coloca em xeque os conceitos previamente estabelecidos e a realidade em si. E se por ventura eu estiver sonhando? Não poderia saber que aquilo que denomino "realidade" seja um sonho. Afinal, quando sonho eu confundo a operação psicológica com a realidade, sem saber distinguir. E se o indivíduos estiverem loucos? Tampouco saberiam efetuar a diferenciação do real e do imaginário, pois estes por ventura não inferem "que estão vestidos com ouro e púrpura, quando estão todos nus"?
Nesse sentido, o "ego cogito" traduz-se na única certeza. Ora, se eu duvido de mim mesmo, eu sou o agente dessa dúvida. Logo, o ato de duvidar em si faz-se possível graças ao agente.
Sendo eu a certeza (pois esteja eu iludido ou não, eu estou falando, e nenhuma experiência é desassociada do meu "eu"), logo, eu tenho a responsabilidade sobre mim, ainda que a realidade que me circunda não passe de um mero devaneio, um teatro.

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