IMMANUEL KANT
Tanto René Descartes (1596-1650) quanto Immanuel Kant (1724-1804) mudaram a forma como se concebe a possibilidade do conhecimento e a metafísica, mediante aquilo que o alemão chamou de Revolução Copernicana (tal como não mais a Terra estava no centro do universo, mas ela gira em torno do Sol, a partir de então a ideia do sujeito no centro e o conhecimento a orbitá-lo havia sido superado: o objeto estava no centro, e o sujeito ao seu redor).
Todavia, fala-se mais de Kant em certa medida por ele ser mais recente do que Descartes e ter resolvido problemas éticos.
O 3⁰ argumento ético da história é de Kant. Em Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), havia a ideia do bem supremo, o caminho da moderação em prol da felicidade. Em Kant, a ética não é a perseguição nem do bem nem da felicidade porque os dois são objetos dogmáticos (não tenho como ter certeza se existe bem, justiça ou felicidade), então preciso de uma ética analítica, que não precisa de nenhum objeto a ser perseguido; existe uma forma mais adequada para se comportar? Kant vai fazer apenas a análise lógica dessa pergunta sem pressupor nada.
Todavia, fala-se mais de Kant em certa medida por ele ser mais recente do que Descartes e ter resolvido problemas éticos.
O 3⁰ argumento ético da história é de Kant. Em Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), havia a ideia do bem supremo, o caminho da moderação em prol da felicidade. Em Kant, a ética não é a perseguição nem do bem nem da felicidade porque os dois são objetos dogmáticos (não tenho como ter certeza se existe bem, justiça ou felicidade), então preciso de uma ética analítica, que não precisa de nenhum objeto a ser perseguido; existe uma forma mais adequada para se comportar? Kant vai fazer apenas a análise lógica dessa pergunta sem pressupor nada.
A razão pura decide o que é moral, e não a maioria. Não é definido por causas externas, isto é, a moral kantiana é autônoma, não precisa de nenhuma lei externa (Deus, Estado). Se em David Hume (1711-1776), por exemplo, a causalidade entre a pedra quente e o sol que a esquenta era arbitrária no sentido de que por costume estabelecemos essa causalidade, para Kant quando entramos em contato com os objetos nossa mente organiza as categorias, estabelece essa causalidade (sol + pedra já estão na relação).
Nesse sentido, se em Hume a moral nos foi ensinada pelo Estado e pela Igreja, por exemplo, em Kant há uma autonomia da moral: o imperativo categórico é definido pela razão. Não é que nascemos com isso, mas temos lógica da ação/princípio ("aja de tal maneira que a lógica de sua ação possa ser universalizada"). Em suma, se mentir fosse moral, seria válido para todos, e se todos mentissem, o que seria das relações humanas?
O ser humano (que possui o mesmo aparato mental) nasce com um princípio que sabe diferenciar o certo do errado, e não que nasce sabendo o certo e errado.
Em outras palavras, o ser humano vai chegar nessa conclusão a respeito do bem e do mal mediante seu aparato mental, mediante a razão pura.
Lei moral e busca da felicidade eram a mesma coisa para Aristóteles, mas para Kant era diferente, os pressupostos eram diferentes.
Mas se a moralidade não trás uma felicidade (pois fazer o bem não garante felicidade ao indivíduo), para que buscá-la?
A própria razão nos indica uma esperança.
A razão pura deve supor um bem último o qual todos nós aspiramos, que tem características da divindade, se quer juntar felicidade e moralidade. Não prova que Deus existe: é uma ideia da razão, uma fé racional.
Haveria de se ter uma inteligência suprema para discernir quais ideias são dignas de felicidade ou não, porque não tem como a pessoa saber, nem mesmo a que pratica – levando em conta que a ação moral deve ser desinteressada, não pode ter um desejo, senão não é determinada pela moralidade, mas sim pelo desejo. Deus, que lê o coração, pode saber se a ação é moral ou não.
Portanto, a busca da felicidade somada com a moralidade nunca vai acontecer totalmente nessa vida essa junção, então seria algo para uma suposta vida futura (imortalidade da alma). Mas não há garantia disso.
Os objetos da metafísica tradicional nós não podemos conhecer. Não prova que existem ideias como a liberdade, imortalidade da alma e Deus, mas precisa pensar sobre, pois a razão humana conduz para isso.
Nesse sentido, se em Hume a moral nos foi ensinada pelo Estado e pela Igreja, por exemplo, em Kant há uma autonomia da moral: o imperativo categórico é definido pela razão. Não é que nascemos com isso, mas temos lógica da ação/princípio ("aja de tal maneira que a lógica de sua ação possa ser universalizada"). Em suma, se mentir fosse moral, seria válido para todos, e se todos mentissem, o que seria das relações humanas?
O ser humano (que possui o mesmo aparato mental) nasce com um princípio que sabe diferenciar o certo do errado, e não que nasce sabendo o certo e errado.
Em outras palavras, o ser humano vai chegar nessa conclusão a respeito do bem e do mal mediante seu aparato mental, mediante a razão pura.
Lei moral e busca da felicidade eram a mesma coisa para Aristóteles, mas para Kant era diferente, os pressupostos eram diferentes.
Mas se a moralidade não trás uma felicidade (pois fazer o bem não garante felicidade ao indivíduo), para que buscá-la?
A própria razão nos indica uma esperança.
A razão pura deve supor um bem último o qual todos nós aspiramos, que tem características da divindade, se quer juntar felicidade e moralidade. Não prova que Deus existe: é uma ideia da razão, uma fé racional.
Haveria de se ter uma inteligência suprema para discernir quais ideias são dignas de felicidade ou não, porque não tem como a pessoa saber, nem mesmo a que pratica – levando em conta que a ação moral deve ser desinteressada, não pode ter um desejo, senão não é determinada pela moralidade, mas sim pelo desejo. Deus, que lê o coração, pode saber se a ação é moral ou não.
Portanto, a busca da felicidade somada com a moralidade nunca vai acontecer totalmente nessa vida essa junção, então seria algo para uma suposta vida futura (imortalidade da alma). Mas não há garantia disso.
Os objetos da metafísica tradicional nós não podemos conhecer. Não prova que existem ideias como a liberdade, imortalidade da alma e Deus, mas precisa pensar sobre, pois a razão humana conduz para isso.
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