O QUE É REAL?
Quem define o que é a realidade? O que é real? Logo, o que não é real?
A Física Quântica vai trabalhar com a questão acerca da miríade de possibilidades que apresentam-se na realidade, sendo a visão do observador essencial para definir o que é a realidade para ele de fato.
Nesse sentido, a realidade é plural, sendo unívoca tão somente na leitura efetuada pelo observador, evocando o experimento mental do gato de Schrödinger.
Ainda no campo da Física Quântica, poder-se-ia citar ainda a teoria da realidade holográfica. Experimentamos apenas as partículas de uma estrutura maior, como numa caverna platônica?
O olho humano absorve luz, sendo função do córtex visual no cérebro a formação das imagens. Logo, até que ponto vejo o que é e não o que está previamente estabelecido em meu arcabouço cognitivo?
Utilizando uma referência da sétima arte, poderia ser a vida uma espécie de "Show de Truman" (1998), não apenas com um indivíduo na condição da vida que não é, mas toda a humanidade?
René Descartes (1596-1650) propõe como solução para esse problema, em suas "Meditações", que, se há um Deus, ele é a sustentação do cosmos. Logo, não haveria um engano de tal magnitude, nesta escala existencial – o que não consiste em afirmar que o homem esgota em si o entendimento de tudo o que há, mas sim que apesar de suas manifestações acerca do todo poderem estar comprometidas por inúmeros fatores, o todo em si ali está, não sendo vã conjectura.
"Todavia, há muito que tenho no meu espírito certa opinião de que há um Deus que tudo pode e por quem fui criado e produzido tal como sou. Ora, quem me poderá assegurar que esse Deus não tenha feito com que não haja nenhuma terra, nenhum céu, nenhum corpo extenso, nenhuma figura, nenhuma grandeza, nenhum lugar e que, não obstante, eu tenha os sentimentos de todas essas coisas e que tudo isso não me pareça existir de maneira diferente daquela que eu vejo?
E, mesmo, como julgo que algumas vezes os outros se enganam até nas coisas que eles acreditam saber com maior certeza, pode ocorrer que Deus tenha desejado que eu me engane todas as vezes em que faço a adição de dois mais três, ou em que enumero os lados de um quadrado, ou em que julgo alguma coisa ainda mais fácil, se é que se pode imaginar algo mais fácil do que isso. Mas pode ser que Deus não tenha querido que eu seja decepcionado desta maneira, pois ele é considerado soberanamente bom. Todavia, se repugnasse à sua bondade fazer-me de tal modo que eu me enganasse sempre, pareceria também ser-lhe contrário permitir que eu me engane algumas vezes e, no entanto, não posso duvidar de que ele mo permita." (Pág. 169. Editora Nova Cultural)
A Física Quântica vai trabalhar com a questão acerca da miríade de possibilidades que apresentam-se na realidade, sendo a visão do observador essencial para definir o que é a realidade para ele de fato.
Nesse sentido, a realidade é plural, sendo unívoca tão somente na leitura efetuada pelo observador, evocando o experimento mental do gato de Schrödinger.
Ainda no campo da Física Quântica, poder-se-ia citar ainda a teoria da realidade holográfica. Experimentamos apenas as partículas de uma estrutura maior, como numa caverna platônica?
O olho humano absorve luz, sendo função do córtex visual no cérebro a formação das imagens. Logo, até que ponto vejo o que é e não o que está previamente estabelecido em meu arcabouço cognitivo?
Utilizando uma referência da sétima arte, poderia ser a vida uma espécie de "Show de Truman" (1998), não apenas com um indivíduo na condição da vida que não é, mas toda a humanidade?
René Descartes (1596-1650) propõe como solução para esse problema, em suas "Meditações", que, se há um Deus, ele é a sustentação do cosmos. Logo, não haveria um engano de tal magnitude, nesta escala existencial – o que não consiste em afirmar que o homem esgota em si o entendimento de tudo o que há, mas sim que apesar de suas manifestações acerca do todo poderem estar comprometidas por inúmeros fatores, o todo em si ali está, não sendo vã conjectura.
"Todavia, há muito que tenho no meu espírito certa opinião de que há um Deus que tudo pode e por quem fui criado e produzido tal como sou. Ora, quem me poderá assegurar que esse Deus não tenha feito com que não haja nenhuma terra, nenhum céu, nenhum corpo extenso, nenhuma figura, nenhuma grandeza, nenhum lugar e que, não obstante, eu tenha os sentimentos de todas essas coisas e que tudo isso não me pareça existir de maneira diferente daquela que eu vejo?
E, mesmo, como julgo que algumas vezes os outros se enganam até nas coisas que eles acreditam saber com maior certeza, pode ocorrer que Deus tenha desejado que eu me engane todas as vezes em que faço a adição de dois mais três, ou em que enumero os lados de um quadrado, ou em que julgo alguma coisa ainda mais fácil, se é que se pode imaginar algo mais fácil do que isso. Mas pode ser que Deus não tenha querido que eu seja decepcionado desta maneira, pois ele é considerado soberanamente bom. Todavia, se repugnasse à sua bondade fazer-me de tal modo que eu me enganasse sempre, pareceria também ser-lhe contrário permitir que eu me engane algumas vezes e, no entanto, não posso duvidar de que ele mo permita." (Pág. 169. Editora Nova Cultural)

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