SÓCRATES

De propósito, Sócrates não escreveu nada. Utilizou somente o ensinamento oral, dialógico.

Sabemos de Sócrates através de testemunhos, principalmente do seu principal discípulo Platão, que escreveu diálogos que chegaram a nós praticamente intactos.

No período da juventude de Platão, o pensamento de Sócrates aparece de maneira mais evidente, evocando a influência do mestre no discípulo.

Sócrates não foi uma invenção de Platão. Além de historiadores da época, Aristófanes também escreve sobre ele na comédia "As Nuvens", na qual Sócrates é apresentado como uma espécie de sofista, pelo fato de, assim como Platão, se posicionar num meio-termo: nem o extremo de manter toda a tradição mitológica (de Homero e Hesíodo), nem os sofistas. Mas, da mesma forma que era confundido com um sofista, o que levou Sócrates à morte foi a acusação de impiedade, de não respeitar a tradição mitológica, de não obedecer os deuses da cidade.

Sócrates não se apresenta à cidade como "sábio", contrapondo os sofistas ("sofos", em grego, significa sábio).

Um amigo de Sócrates vai até o Oráculo de Delfos e ouve que Sócrates era o mais sábio de Atenas, e Sócrates discorda porque tinha uma lista com pelo menos dez pessoas mais sábias, e Sócrates vai conversar com eles para entender porque o Oráculo falou aquilo, e ele vê que aquelas pessoas se colocavam como sábias, e então entende que talvez ele de fato fosse sábio, porque sabia que não sabia.

Enquanto Sócrates está buscando a verdade (consenso baseado no "logos"), para os sofistas não existia a verdade. A verdade era algo que os fortes impunham. Para vencer, não importava a lógica e a força do argumento, mas a adesão das pessoas, que eram tocadas pela emoção.

No "Teeteto", Sócrates contrapõe essa visão: diz que o filósofo não está preocupado em agradar o público, mas buscar a verdade.

Sócrates ficava em Atenas como uma "mosca" (ele usa essa palavra) incomodando as pessoas. Ele utilizava o método da maiêutica: sua mãe era parteira, e tal como não era ela que produzia a criança, mas ajudava-a a vir ao mundo, Sócrates também ajudava o indivíduo a exteriorizar a sabedoria, extraindo aquilo que já está presente na pessoa.

Sócrates utilizava esse método baseado no entendimento que quando conhecemos alguma coisa, não somos uma tábula rasa, uma folha em branco. Já conhecemos alguma coisa que permite o conhecimento. A alma já participou do mundo das ideias, portanto traz consigo reminiscências.

Às vezes o interlocutor de Sócrates dá respostas rápidas, e Sócrates diz "vai com calma", faz perguntas, justamente para desmontar respostas prontas. E os diálogos terminam sem solução, "vamos continuar pensando".



(Imagem: Sócrates. Gravura de linha por P. Pontius, 1638, com base na obra de Sir P. P. Rubens via Wellcome Institute, Londres)






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