ADVENTO #3
Poucas vezes vi o nome de Simeão ser citado.
Seja numa pregação, aula de Escola Bíblica, ou em algum livro, o homem cujos olhos viram o Messias não é muito lembrado.
Falamos mais de Pedro, que como um X-Men andou sobre as águas do Mar da Galileia! Davi é mais heroico pra nós, pois venceu um gigante munido apenas de cinco pedrinhas colhidas de um riacho.
Nada contra o apóstolo e o rei. Amo a história deles e são fonte de inspiração pra mim.
Mas, por que Simeão não recebe tantos créditos?
Certa vez, conversando com um amigo, perguntei-o a respeito de suas referências no ministério. Sua réplica foi no sentido de que seus heróis da fé não eram pessoas famosas, e ponderou: "Os melhores solos de guitarra não foram gravados, eles foram tocados em um clube ou algo assim. As melhores pregações não foram gravadas. Quando Paulo escreveu sua carta aos Romanos, ele nunca tinha ido a Roma. Então, outra pessoa plantou a igreja de Roma. Quem é essa pessoa? Desconhecido na Terra, mas famoso no Céu".
Nós julgamos conforme nossos próprios critérios. Em um jogo de futebol, se o goleiro toma um frango metade da torcida quer que no dia seguinte ele seja demitido ou no mínimo vá para o banco de reservas, independente se ele já realizou defesas impossíveis em outras ocasiões.
A palavra "ministro", conforme conta em Lucas capítulo 1 versículo 2 a respeito de sermos "ministros da Palavra", em grego é "huperetes", que significa remador de baixa categoria. Tratava-se do "remador do último porão", que "não aparece, está mergulhado em meio à escuridão, umidade, suor, fome, remando ser ser notado". Contudo, o xis da questão é que "o barco continua andando, seguindo o seu curso". Logo, "o que importa é remar, remar e remar".
Há muitos que estão governando hoje com Jesus, coroados por Ele, que nós não fazemos ideia de quem são. E não estou dizendo apenas sobre fama. Estou dizendo que muitos foram obreiros fiéis na seara do Senhor, mas que passaram desapercebidos, que não ganharam um quadro de "funcionário do mês" na igreja – talvez porque não eram ativistas somente. Todavia, quando a noite caía, lá estavam eles ruminando as Escrituras e orando. Quando ninguém estava filmando, estavam pregando o Evangelho para alguém na rua.
Sobre essa questão do "ativismo": a Bíblia é clara, mas muitas vezes fingimos não entender. Um grupo de religiosos chegou pra Jesus e disse: "Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?" (Mateus 7:22). Quanta coisa bacana! Um currículo recheado. Porém, parece que Cristo não se impressionou tanto: "Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade" (Mt 7:23).
É óbvio que não estou falando que não devemos fazer boas obras. Os frutos são consequência natural. Jesus nos mandou cumprir o ide e nos equipou com dons pra isso. O que estou afirmando é que não podemos nutrir a ilusão de que produtividade ministerial é sinônimo de ser conhecido e reconhecido por Jesus, ainda que sejamos conhecidos e reconhecidos pelos homens. John Wesley, avivalista inglês do século XVIII, ressaltou: "Uma pessoa pode ir à igreja duas vezes por dia, participar da ceia do Senhor, orar em particular o máximo que puder, assistir a todos os cultos e ouvir muitos sermões, ler todos os livros que existem sobre Cristo. Mas ainda assim tem que nascer de novo".
E o que Simeão tem a ver com isso?
Ele é meio jogado pra escanteio na história da Igreja, não é célebre por seus grandes feitos, poucas linhas na Bíblia são dedicadas à sua pessoa... mas ele fez a única coisa necessária: contemplou o Salvador.
Brennan Manning, no livro "O Impostor Que Vive Em Mim", traduziu bem isso ao relatar uma experiência com Cristo que um homem chamado Mike Yaconelli vivenciou (p. 60):
Seja numa pregação, aula de Escola Bíblica, ou em algum livro, o homem cujos olhos viram o Messias não é muito lembrado.
Falamos mais de Pedro, que como um X-Men andou sobre as águas do Mar da Galileia! Davi é mais heroico pra nós, pois venceu um gigante munido apenas de cinco pedrinhas colhidas de um riacho.
Nada contra o apóstolo e o rei. Amo a história deles e são fonte de inspiração pra mim.
Mas, por que Simeão não recebe tantos créditos?
Certa vez, conversando com um amigo, perguntei-o a respeito de suas referências no ministério. Sua réplica foi no sentido de que seus heróis da fé não eram pessoas famosas, e ponderou: "Os melhores solos de guitarra não foram gravados, eles foram tocados em um clube ou algo assim. As melhores pregações não foram gravadas. Quando Paulo escreveu sua carta aos Romanos, ele nunca tinha ido a Roma. Então, outra pessoa plantou a igreja de Roma. Quem é essa pessoa? Desconhecido na Terra, mas famoso no Céu".
Nós julgamos conforme nossos próprios critérios. Em um jogo de futebol, se o goleiro toma um frango metade da torcida quer que no dia seguinte ele seja demitido ou no mínimo vá para o banco de reservas, independente se ele já realizou defesas impossíveis em outras ocasiões.
A palavra "ministro", conforme conta em Lucas capítulo 1 versículo 2 a respeito de sermos "ministros da Palavra", em grego é "huperetes", que significa remador de baixa categoria. Tratava-se do "remador do último porão", que "não aparece, está mergulhado em meio à escuridão, umidade, suor, fome, remando ser ser notado". Contudo, o xis da questão é que "o barco continua andando, seguindo o seu curso". Logo, "o que importa é remar, remar e remar".
Há muitos que estão governando hoje com Jesus, coroados por Ele, que nós não fazemos ideia de quem são. E não estou dizendo apenas sobre fama. Estou dizendo que muitos foram obreiros fiéis na seara do Senhor, mas que passaram desapercebidos, que não ganharam um quadro de "funcionário do mês" na igreja – talvez porque não eram ativistas somente. Todavia, quando a noite caía, lá estavam eles ruminando as Escrituras e orando. Quando ninguém estava filmando, estavam pregando o Evangelho para alguém na rua.
Sobre essa questão do "ativismo": a Bíblia é clara, mas muitas vezes fingimos não entender. Um grupo de religiosos chegou pra Jesus e disse: "Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?" (Mateus 7:22). Quanta coisa bacana! Um currículo recheado. Porém, parece que Cristo não se impressionou tanto: "Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade" (Mt 7:23).
É óbvio que não estou falando que não devemos fazer boas obras. Os frutos são consequência natural. Jesus nos mandou cumprir o ide e nos equipou com dons pra isso. O que estou afirmando é que não podemos nutrir a ilusão de que produtividade ministerial é sinônimo de ser conhecido e reconhecido por Jesus, ainda que sejamos conhecidos e reconhecidos pelos homens. John Wesley, avivalista inglês do século XVIII, ressaltou: "Uma pessoa pode ir à igreja duas vezes por dia, participar da ceia do Senhor, orar em particular o máximo que puder, assistir a todos os cultos e ouvir muitos sermões, ler todos os livros que existem sobre Cristo. Mas ainda assim tem que nascer de novo".
E o que Simeão tem a ver com isso?
Ele é meio jogado pra escanteio na história da Igreja, não é célebre por seus grandes feitos, poucas linhas na Bíblia são dedicadas à sua pessoa... mas ele fez a única coisa necessária: contemplou o Salvador.
Brennan Manning, no livro "O Impostor Que Vive Em Mim", traduziu bem isso ao relatar uma experiência com Cristo que um homem chamado Mike Yaconelli vivenciou (p. 60):
"Algo mudou. Numa noite de muito frio em Toronto, um vaso terreno com pés de barro passou a crer que era o amado. Yaconelli ainda escova os dentes, penteia a barba serrada, veste a calça uma perna de cada vez e se senta com avidez diante de uma grande pilha de panquecas, mas sua alma está coberta de glória."
Na mesa do banquete, seremos apresentados para muitos cujos nomes foram anônimos na Terra, mas aplaudidos pelos anjos no Céu.
Imagem: "Simeão no Templo" (1669), por Rembrandt
Fonte da informação sobre os "huperetes": Brother Bíblia Arte | texto por Moises Brasil Maciel, Revista Ultimato
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