ADVENTO #6

É de extrema sensibilidade e singeleza que C.S. Lewis tenha inserido a figura do Papai Noel em “As Crônicas de Nárnia”.

Segue o trecho emocionante:


“Era um trenó puxado por duas renas, com sinetas tilintando nos arreios. Renas muito maiores que as da feiticeira, mas eram castanhas, e não brancas. No trenó estava alguém que todos reconheceram à primeira vista. Era um homem alto, vestido de vermelho-vivo como as bagas do azevinho, com um capuz forrado de pele, uma barba branca, tão comprida que lhe cobria o peito como uma queda d’água espumante. Todos o reconheceram porque, embora essas pessoas só existam em Nárnia, podemos vê-las em gravuras e ouvir a respeito delas, mesmo em nosso mundo — o mundo que fica do lado de cá da porta do guarda-roupa. Oh! Mas quando se tem a sorte de ver essa gente em Nárnia é muito diferente! Alguns dos postais coloridos de Papai Noel que podemos ver em nosso mundo mostram um velho engraçado e bonachão. Não era bem assim para as crianças. Era tão grande, tão alegre e tão real, que ficaram paralisadas de espanto. E, apesar de todo o contentamento, sentiam também que era um momento solene.”


Isto é, se o Natal consiste naquela época do ano em que todas as pessoas parecem ficar mais alegres, otimistas, e paira no ar uma expectativa, todo dia é Natal em Nárnia! Na minha interpretação, Lewis quis trazer a concepção de que essa atmosfera que experimentamos de forma pontual em nosso mundo, é cotidiana no “outro mundo”.

Além disso, aquilo que seria fruto da imaginação na presente era, encontra contornos reais na era vindoura. Muito do que lemos na Bíblia, por exemplo, não tivemos a oportunidade de contemplar com nossos próprios olhos. Mas, um dia, veremos face a face. A realidade terá outro tecido, outra conjuntura.

Se todo dia é Natal em Nárnia, já podemos desejar: Feliz Natal!


(Referência bibliográfica: http://evanaandrieli.blogspot.com/2013/12/natal-em-narnia.html?m=1)



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